19 de setembro de 2014 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Cookies veganos de banana

Quando foi decidido que o tema desta edição  seria medo , minha primeira reação foi de absoluto pânico! Como uma medrosa como eu poderia escrever alguma coisa pra falar sobre medo com vocês? Pra mim, esta seria mais uma edição para ler do que para colaborar. Eu estava com medo de fazer esta ou qualquer outra matéria e, por sorte ou por azar, eu não tinha como fugir dessa tarefa. Logo, tudo isso que você leu, e que ainda vai ler, é prova de que eu venci um medo.

Uma vez que não tinha saída, que eu ia escrever independentemente de tudo, as coisas mudaram de perspectiva e eu comecei a ver o meu “ter medo” mais como uma vantagem do que como um obstáculo (talvez seja um obstáculo que , depois de ter sido superado, vira uma vantagem? Pode ser um bom jeito de ver as coisas). Enfim, vocês já devem ter percebido que pra qualquer trabalho que se vá fazer, na escola por exemplo, primeiro há de se estudar um pouco o assunto. Eu tinha o meu medo como um íntimo objeto de análise.

Cheguei à conclusão de que o meu medo de escrever a matéria era parte de um medo muito maior em mim, e muito comum em outras pessoas, que é o medo de errar. E mais, percebi como esse medo bobo, ao menos no meu caso (suspeito que no de muitas outras pessoas também), vem de uma outra coisa que nem é mais medo, mas é mais boba ainda: vaidade, orgulho, sabe? Não querer errar por querer manter uma certa imagem… e, que ridículo! Se o não estar errado implica estar  sempre certo, então em outras palavras, têm-se o estado de perfeição. Mas a gente sabe que tal coisa não existe. A perfeição é um conceito cruel feito pra deixar nossa autoestima lá embaixo. Então, no fim, ter que encarar o meu medo e escrever esta matéria foi MARAVILHOSO, porque serviu pra eu me observar e ver como ao querer não ser boba, ou ridícula, ou errada – imperfeita – eu estava sendo tudo isso. Mas assumir um erro é o primeiro passo pra corrigi-lo (brega, porém verdade)!

E como uma receita de cookies se relaciona com tudo isso? Primeiramente, eu descobri que estava errada em uma outra coisa. Vocês se lembram da minha primeira receita? Era de um cookie, o qual eu aprendi a fazer quando ainda era muito nova, e que fui mudando e aperfeiçoando por mais de uma década até ter certeza de que era o melhor possível. Batizei de “o melhore cookie do mundo”. Acontece que este ano minha irmã estava com um cacho de bananas muito maduras, prontas pra estragar. Ela comentou isso com alguém e a resposta foi “mistura com aveia e fermento e faz uns cookies”. Deu bem certo. Eu, por exemplo, não gosto de banana, mas eu AMO esses cookies. Não tenho certeza se o gosto deles é melhor do que o do outro, mas ele é melhor de várias maneiras, pode ser vegano e os ingredientes são bem mais nutritivos e cheios de fibras! E por último, tem uma coisa que faz deles PERFEITOS pra essa matéria. Eles nunca tiveram receita! Eu vi minha irmã fazendo, daí uma dia eu fiz.

Durante as últimas férias escolares passei uma semana na casa de um amigo e TODO DIA fazíamos uma fornada desses cookies. Sempre comíamos elas inteiras em UM DIA e elas nunca eram iguais. Então comentávamos: “a de ontem tava mais docinha”,  “nossa, acho que o ponto da hoje tá sensacional, gosto assim, mais queimadinho”.

Então eu não terminei de experimentar com essa receita, ela não está fechadinha e perfeita como a outra. Ela é pra experimentar, errar e aprender com os erros 🙂

Ingredientes

001Ingredientes

-Bananas
-Aveia em flocos finos
-Chocolate amargo* picadinho
-Açúcar mascavo
-Aveia em flocos
-temperinhos do seu gosto, os meus: pimenta do reino branca, gengibre em pó, canela em pó e nós moscada ralada.
-Fermento (e/ou)
-Bicarbonato de sódio
-óleo e farinha pra untar as formas

*Cookies veganos com chocolate? SIM! descoberta do ano: o chocolate amargo de várias marcas não leva leite. Alguns trazem escrito na embalagem “pode conter traços de leite” porque são feitos nas mesmas formas que os outros chocolates. Daí nesse caso cada um vê os seus princípios.
**Muitos não veganos gostam de botar também manteiga. Pra mim não faz falta, mas essa receita é sua. Só lembra de derreter antes de colocar na massa, e adicione ANTES da aveia.

Primeiro passo é: amasse as bananas

002AmassarBananas

Depois misture os temperinhos nas quantidades que você quiser! Eu coloco: MUITA nós moscada, porque eu amo. Bastante canela, porque super combina com banana. Gengibre muda dependendo do meu humor. E pimenta branca pouquinho, porque é um ótimo realçador de sabor, mas não quero um cookie apimentado.

003aTemperinhos

Adoce. Eu boto pouquinho, por que a banana já é doce, a canela realça a doçura da banana e eu, por algum motivo, tenho ódio de açúcar.

004Ac¦ºucar

Daí vá misturado os dois tipos de aveia até dar liga. A aveia normal dá menos liga do que a em flocos finos, então se você quer que tenha mais gosto de banana, use mais da fina, se você quer disfarçar o gosto da banana, use mais da grossa.

005AveiaComBanana

 

O ponto da massa, pra mim, é bom molhadinho.

006PontoDaMassa

Vai lá ligando o forno alto e untando as formas 😉

Adicione o fermento e/ou o bicarbonato. Quanto mais, mais leve e levemente salgada fica a massa. Não tenho ideia do quanto eu ponho.

007FermentoEBicarbonato

Por último vai o chocolate. Pra esta receita, ao contrário da outra, eu gosto deles em pedaços bem pequenininhos (acho que é pra sempre vir um pouco me cada mordida e disfarçar mais ainda o gosto da banana).

008So¦üQueroChocolate

Agora é só distribuir bem espaçado na badeja e deixar no forno até subir o cheiro maravilhoso dos temperinhos. Daí você abaixa o fogo e deixa até dourar.

009FormaUntada

Espera esfriar pra desenformar e

cookie

chomp chomp chomp!

As fotos deste tutorial foram feitas em colaboração com a fotógrafa Amanda Amaral, quem gostou pode visitar o site dela. E eu termino com um “Obrigada Amanda”!

 

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Maísa Amarelo
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Ilustradora

21 anos, cursando o primeiro de design. Pras coisas que não gosta de fazer, inventa um monte de regras. Já as que gosta - como cozinhar - faz sem regra nenhuma. É muito ruim com palavras, ainda assim resolveu escrever sobre suas receitas que, em geral, não tem medida alguma.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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