3 de julho de 2017 | Edição #35 | Texto: e | Ilustração: Sarah Roque
Coragem, o cão covarde
coragem

Já que estamos falando sobre coragem nesta edição, foi automático pensar nele, nosso mais bravo catioro do universo ficcional. Já sabem de quem estamos falando? É dele mesmo: Coragem, o cão covarde!

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Você jovem que nos lê e não é da época auge do Cartoon Network (é nessa hora que o texto denuncia a idade das autoras), o Coragem é o protagonista desse desenho animado que se passa em Lugar Nenhum, onde ele vive com seus donos velhinhos Muriel e  Eustácio, e onde coisas bizarras acontecem com o pobre cachorro paranóico.

Fomos, então, para a Netflix rever alguns episódios (lá estão disponíveis a terceira e quarta temporadas) para relembrar os sustos e os monstros que rondam a vida de Coragem. Amigas, e que vida! É cada bizarrice que rola na casa de Muriel, Eustácio (momento curiosidade: sabia que os nomes dos donos de Coragem foram inspirados nos nomes do meio de Chandler e Ross, de “Friends”?) e Coragem em Lugar Nenhum, que fica até difícil de acreditar. São monstros, fantasmas, alienígenas e alguns seres do mal que querem atrapalhar a vida deles.

Não duvide quando falamos disso, porque é muita coisa doida. Tem espírito da lua cheia assustador, múmia coberta em trapos que aparece no meio do deserto, ser perfeito que tem um braço enooooorme ligado ao cérebro e o outro bem curtinho, menina com rosto deformado que toca violino, árvore com rosto humano, uma jovem com o rosto coberto por uma máscara estranha… Em um episódio sobrou até para Muriel que foi possuída e apareceu em cena verde, com os cabelos vermelhos e rodando a cabeça (em uma clara referência a “O exorcista”). Mas não são só os visitantes que assustam Coragem, o próprio Eustácio gosta de fazer brincadeiras com o cachorro, ao contrário de Muriel, que o trata com amor.

Para criar todos esses monstros e a atmosfera certa, a produção do desenho não mediu esforços, a começar por Lugar Nenhum: um nada com uma casinha, sem vegetação, vizinhos ou qualquer visão de algo agradável. Um lugar propício para todos os seres que Coragem encontra.

Já conseguiu contar quantas vezes os dentes do Coragem se quebram porque ele abriu um bocão ao levar um susto? Pois é, nem a gente! Mas mesmo com todo esse medo, é o cachorro rosa que se vira sozinho nos cerca de 22 minutos de episódio para salvar o dia e manter a paz e a normalidade (se é que ela existe) em Lugar Nenhum.

Não é de se admirar que uma história com inspirações tão fantásticas inspirasse as mais bizarras teorias da conspiração, né!? Passeando pela internet, podemos achar algumas, olhem só!

  • Lugar Nenhum, na verdade, é o inferno e Coragem é Cérbero, o cão de três cabeças que guarda o reino de Hades.
  • Muriel e Eustácio morreram no final da primeira temporada e, a partir daí, tudo não passa de histórias que se passam na cabeça de Coragem, que não aceita a morte dos donos e não quer deixá-los.
  • Uma das mais difundidas: não há monstro nenhum, só o medo excessivo de Coragem, que vê qualquer pessoa como uma grande ameaça e, assim, fantasia que quem chega a Lugar Nenhum é um monstro que vai colocar a vida de todo mundo em perigo.

Na internet também é legal ver as lembranças que as pessoas têm do Coragem. Teve gente que os pais proibiram de ver desenho ou seus momentos mais assustadores ou preferidos e também, aqueles que muitos anos depois redescobriram o desenho e se deram conta do quão bizarro ele é.

O que será que John R. Dilworth – o criador do personagem, acha disso tudo? Em entrevista ao site “Esquina Cultural”, o artista americano disse que nunca ousou discordar de nenhuma das teorias: “Cada indivíduo interpreta o desenho à sua maneira, como deveria, pois nenhum de nós é igual. O que é mais interessante, pra mim, não é a teoria da conspiração que ronda o desenho, mas o que as teorias revelam sobre os indivíduos que as elaboram.”

Não podemos deixar de pensar que também foi um ato de coragem apostar numa história infantil de terror, né!? Não é muito convencional a gente ver isso por aí. Um outro exemplo é As Aventuras de Billy e Mandy (2003-2008) onde, Billy e Mandy, duas crianças, fazem amizade com a Morte que veio visitar o hamster de Billy.

Coragem, o cão covarde  já nasceu com muito potencial. A série é derivada do curta-metragem “A vingança do frango espacial” (1995). A história agradou tanto que concorreu ao Oscar de Melhor Curta-metragem de animação em 1996, mas perdeu para “Wallace e Gromit em A tosa completa”. Em 1999, a série foi lançada e durou quatro temporadas,  para nooooooooossa alegria. Viva Coragem (e a nossa coragem de encarar nossos medos para defender o que é importante para a gente)!

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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