24 de agosto de 2014 | Ano 1, Edição #5 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Cores também curam

Quando eu estava no ensino médio, realizamos um debate na minha escola sobre Homeopatia vs Alopatia. O professor deixou os alunos se dividirem como quisessem, cada um podia escolher qual lado defender. Naturalmente, eu fui para o lado da Homeopatia. Li textos e textos sobre o assunto, fui atrás de trabalhos acadêmicos, coletei exemplos de experimentos científicos. Para mim, aquele seria o momento de provar para os meus amigos céticos que medicinas alternativas funcionavam. Porém, decepcionando a mim mesma, confesso que Alopatia venceu, destruindo todos os argumentos da prática homeopata. Houve um momento em que eu não pude mais defender o que acreditava, tive que cair de joelhos, levantar a bandeira branca, aceitar a minha derrota e me render a medicina convencional.

A partir daquele dia, eu comecei a recusar os remédios que o meu querido homeopata tinha me receitado. Eu declinei voltar ao seu consultório e disse para a minha mãe: “a homeopatia não funciona”.

Não sei se agradeço ou se xingo o meu professor de química. Não sei se ele me mostrou o “caminho certo” ou se me fez descartar uma boa alternativa de como lidar com a medicina, com as doenças, suas curas e meu próprio corpo. Mas, o inevitável aconteceu, eu virei mais cética.

Mesmo olhando para as medicinas alternativas com outros olhos, elas ainda me interessam. Buscar uma solução natural, antes de recorrer à sintética, pode poupar o corpo de agressões desnecessárias. Afinal, ninguém pode negar que, as vezes, tomar um limão com mel ao invés dessas pastilhas compradas na farmácia pode ser muito melhor para você. Em momentos de estresse, ir atrás de aromas naturais que acalmam, como a citronela, podem funcionar maravilhosamente. Praticar meditação e acupuntura pode ser uma alternativa para curar uma dor nas costas. Mas, também, quando estou com cólica, eu não recuso o paracetamol.

Acho que vivemos numa época em que podemos experimentar métodos diferentes e fazer uma escolha. Para mim, se o método existe é porque deu certo para alguém, é porque deu certo para um povo que passou esse conhecimento adiante. E, então, porque não tentar?

Para a edição de cores, nós resolvemos falar sobre a Cromoterapia.

A Cromoterapia é utilizada à séculos, por civilizações antigas, no Egito antigo, na Índia e na China. No século XVIII, a teoria foi formalizada pelo cientista Johann Wolfgang von Goethe que escreveu o livro A Teoria das Cores, registrando, pela primeira vez, a influência que cada cor exerce em níveis físicos e mentais. Em 1878, o médico Edwin Babbit publicou um estudo sobre a reação de pacientes quando expostos a diferentes cores. E, em 1903, o médico Niels Filsen ganhou um prêmio Nobel de Medicina pela utilização da radiação ultravioleta para tratar a tuberculose cutânea.

Segundo essa medicina, quando o nosso corpo está em desequilíbrio energético, ele tende a entrar em colapso, gerando distúrbios físicos e mentais. O desequilíbrio ocorre porque há carência de certa vibração no corpo. E, como as cores são vibrações, nós podemos afirmar que o desequilíbrio se dá devido ao excesso ou ausência de cores na Aura do indivíduo. O trabalho do terapeuta, então, é analisar os sintomas e perceber quais cores faltam para estabelecer a harmonia da Aura.

Cada falta ou excesso de cor se manifesta de uma maneira específica no corpo. Cada cor é utilizada para tratar algo específico. Confira abaixo a aplicação das cores.

 

Vermelho

Devido a sua intensidade, o vermelho deve ser usado com cuidado. Quando usado em excesso, pode provocar ansiedade, nervosismo e agitação. Porém, se fazemos o uso apropriado do vermelho, ele pode proporcionar um estimulo altamente revigorante e energético. Também está associado ao desejo sexual e o erotismo, podendo contribuir para o despertar da sexualidade. O seu Chakra é o Muladhara, localizado na base da espinha dorsal. Por estar ligado à circulação, o vermelho é bastante utilizado para tratar anemia e pressão baixa.

 

Laranja

O laranja é a expressão física do sol, ele está ligado à energia. Os seus efeitos não são tão intensos como o do vermelho, apesar de serem bastante parecidos. A cor laranja é a cor da felicidade, da vitalidade. O Chakra correspondente é o Svadhisthana, localizado no baixo ventre. Estando intimamente ligado com a respiração, o laranja pode ser utilizado para problemas respiratórios como asma ou bronquite. Como o vermelho, a utilização excessiva dessa cor causar agitação. Por isso, é contra indicado para pessoas que sofrem de insônia, nervosismo ou ansiedade.

 

Amarelo

O amarelo está lado a lado com a cor laranja. Enquanto o laranja simboliza o sol físico, o amarelo é a luz solar. Ele atua no sistema nervoso central e autônomo simpático; dessa maneira, ele contribui para o raciocínio e para a memória. É utilizado para promover sabedoria e estimular o intelecto. O Chakra do amarelo é o Manipura, localizado no plexo solar. O amarelo promove o bom funcionamento dos órgãos internos, harmonizando cada função. Ele pode ser utilizado para tratar digestão lenta, problemas que envolvem o pâncreas, o baço e o fígado. É contra indicado em caso de diarreia, gastrite e alcoolismo.

 

Verde

A cor da natureza. Representa fertilidade, abundância, fartura. O verde é visto como uma cor neutra, ele busca harmonizar as outras cores. Ele sempre busca o equilíbrio. O efeito no corpo é de desintoxicação, por isso, é indicado em casos de inflamações, intoxicações e infecções. O Chakra do verde é o Anahata, localizado no coração. Por ser uma cor neutra, o verde não possui contraindicações. Pode ser utilizado para tratar pressão alta, baixar a febre, depressão e dores de cabeça.

 

Azul

Azul é a cor do céu iluminado, traz paz e sinceridade. Ela atua no sistema nervoso central, com efeito calmante no corpo, é refrescante e adstringente. Possui ação antisséptica e analgésica e deve ser usado para tratar doenças respiratórias e problemas na garganta. O azul também pode ser utilizado para tratar nervosismo, insônia e estados emocionais alterados. O Chakra da cor azul é o Vishuddha, localizado na garganta. É contraindicado em casos de resfriados, frio e fatiga.

 

Índigo

Complementando o azul, o índigo é a cor noite estrelada. Ele possui propriedades calmantes e relaxantes. Pode ser considerada analgésica e cicatrizante. Essa cor está fortemente ligada ao emocional individual e ao entendimento do outro, ele clareia os sentimentos e estimula a intuição. Ao contrário do vermelho, ele diminui a pressão sanguínea e os batimentos cardíacos. É utilizado para tratar dores em geral, mas principalmente nos ouvidos, olhos e na garganta. O índigo não possui contraindicações, como o verde, ele é uma cor bastante neutralizadora. Ele seu Chakra é o Ajna, que é localizado na fronte.

 

Violeta

A violeta é a cor da meditação e da elevação da consciência. Essa cor está fortemente ligada ao estado de espírito e, por isso, é capaz de eliminar o ódio, o ciúmes, a angústia e a depressão. Possui efeito altamente curativo para todos os tipos de neuroses. O violeta é a cor da transmutação de energias, do autoconhecimento. Ele atua de maneira mais eficaz no sistema nervoso simpático, amenizando a irritação. É também anti-inflamatório e desinfeccionante. O Chakra da cor violeta é o Sahasrara, localizado na cabeça. Ela deve ser usado para estabelecer a calma. Como o índigo e o verde, não possui contraindicações.

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Dora Leroy
  • Coordenadora de Quadrinhos
  • Ilustradora

Dora Leroy tem 21 anos e acredita que o universo é grande demais para não existir outras formas de vida inteligente por aí. E, enquanto espera uma invasão alienígena acontecer, gosta de ler livros que se passam em universos mágicos e zerar séries do Netflix.

  • Divino Marroquini

    Querida Dora, fico feliz que tenha vivido conosco a experiência do debate sobre a Homeopatia e que este tenha lhe suscitado tais reflexões sobre a Ciência e a Medicina. Eu continuo cético quanto à eficácia da Homeopatia, mas não me xingue (rs): vocês todos continuam com a liberdade de experimentar e adotar as terapias alternativas ao lado da Medicina convencional, ou a elas exclusivamente. A boa terapia, na perspectiva do paciente, é aquela que funciona e ponto!
    E quanto às cores, eu mesmo estou atrás de uma ducha com LEDs para me banhar com águas coloridas… águas vermelhas impregnadas com a memória do sangue dos Montecchios e Capuletos, ou águas azuis com a memória do Danúbio em que minha avó lavava os pés…

    Um grande beijo!

  • Danielle Takase

    Dorita, que amor <3

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