7 de setembro de 2014 | Estilo | Texto: | Ilustração:
Corte seu próprio cabelo – Pergunte-me como
Ilustração por Laura Viana

Ilustração por Laura Viana

“Maybe you should cut your own hair

‘Cause that can be so funny!

It doesn’t cost any money and it always grows back

Hair grows even after you’re dead.”

(“Talvez você deva cortar seu próprio cabelo/ Porque isso pode ser tão divertido!/ Não custa dinheiro algum e sempre cresce de volta/ Cabelo cresce até depois que você está morto”)

“Ghost Of Corporate Future” – Regina Spektor

 

Durante toda a infância eu tive um cabelo meio liso, só com umas ondinhas aqui e ali. Eu nem parava pra pensar muito bem em como era, pra falar a verdade. Ele só estava lá e eu não ligava muito. Tanto não ligava que em algum momento fiquei de saco cheio e resolvi deixá-lo bem curtinho pra não ter que me incomodar em prender ou pentear.

Eis que, em um não tão belo dia, encontrei essa tal de puberdade. Com a chuva de hormônios vieram, além dos peitos e de uns 10 centímetros na altura, alguns cachos novos no cabelo. Na verdade, eram cachos apenas durante os quinze primeiros minutos que eu passasse ao ar livre, depois disso virava uma maçaroca meio estranha. Aí eu me dei conta de que não só eu tinha um cabelo, como também tinha um problema. Mamãe começou a me chamar de Bethânia, meus amigos, de Hermione. E de forma alguma eles queriam dizer que eu era uma cantora incrivelmente talentosa ou uma bruxa incrivelmente talentosa, eles estavam apenas zoando meu cabelo mesmo.

E essa foi a história de como passei uns três anos usando rabo de cavalo.

Durante a minha vida toda eu havia cortado o cabelo nas mesmas duas cabeleireiras daqui do bairro, que minha mãe sempre frequentou. Minha mãe, porém, tem um cabelo bem liso e sem volume, bastante diferente do meu. Mas as cabeleireiras sempre insistiram em cortar meu cabelo como se também fosse liso. Grande erro. Imenso.

Até que chegou um dia, este sim belo, em que, na casa de uma amiga, resolvemos brincar de cortar cabelo. Estávamos em um período meio sombrio de 2007 em que ainda tínhamos nossas mentes e corações afetados por aquela tendência tão presentes nos últimos anos, o “emocore”, e eu queria porque queria um cabelo meio desfiado, meio cheio de camadas, e completamente descolado.

E lá fomos nós. Tesoura escolar em mãos, minha amiga dividiu meu cabelo em algumas partes e começou a cortar. Tinha tudo para ser um desastre, mas se tornou o melhor corte de cabelo da minha vida até aquele momento.

Foi um verdadeiro ponto de virada. Depois daquele dia, nunca mais entrei num salão de cabeleireiro. O corte seguinte, para reparar alguns erros, foi feito por mim mesma. E também foram todos os outros desde aquele momento – ou seja, atualmente já são seis anos cortando cabelo em casa, na sorte mesmo. Entre algumas coisas, eu descobri que, oh, meu cabelo realmente não é liso, e que, inclusive, forma belíssimos cachos quando cortado corretamente, e aquele volume todo, que eu sempre vi como grande vilão, na verdade poderia ser um belo companheiro.

Ou seja, tudo o que eu precisava era conhecer de verdade meu próprio cabelo – além de desconstruir muitas ideias que me colocaram na cabeça do que era bonito ou não – para que ele deixasse de ser um problema. Então neste tutorial eu vou explicar um pouquinho das minhas técnicas de corte pra que você também possa tomar pra si o lugar de hairstylist na sua própria vida. Garanto que vai ser bem divertido (até mesmo os acidentes), além de te poupar uma boa grana.

Tudo o que você vai precisar pra isso são alguns elásticos e grampos de cabelo, uma tesoura mais ou menos legal (não sei se tem tanta diferença, mas pelo menos dá aquela confiança de “eu sei o que estou fazendo, essa tesoura é profissional”) e um espelho.

O único “porém” é que são as técnicas que uso no meu próprio cabelo, que, como eu já disse, é um encaracolado um pouco liso, como vocês vão ver aí embaixo, e disfarça bem o corte torto. Cada cabelo tem seu próprio jeito, então é legal ir experimentando até desenvolver um método que funcione direitinho pra você.

 

TÉCNICA #1 – PREGUICINHA

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Essa técnica eu uso quando preciso dar uma ajeitada nas pontas, mas estou com zero vontade de fazer qualquer coisa. Ela consiste em apenas prender bem firme todo o cabelo, centralizando no topo da cabeça, e cortar tudo do mesmo tamanho. É tipo um corte na velocidade da luz!

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Além disso, tem essa variaçãozinha que consiste em fazer a mesma coisa, só que com o cabelo preso baixo na parte de trás da cabeça para conseguir um look Ramona Flowers, curto atrás e compridinho na frente.

 

TÉCNICA #2 – “PAREÇO ATÉ PROFISSIONAL”

Para começar: eu sempre corto com ele seco, pra saber certinho o tamanho que vai ficar, e também não escovo demais, só desembaraço com os dedos pra manter os cachinhos separados.

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Primeiro passo: divida o cabelo em camadas. Quanto mais comprido, mais camadas. Eu sempre faço mini-coques para deixar tudo bem separadinho.

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Segundo passo: solte uma das camadas, e a divida em três – uma em cada lateral, outra na parte de trás. Separe com grampinhos.

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Terceiro passo: pegue uma das divisões e separe as mechinhas – eu gosto de usar os cachinhos que o próprio cabelo forma como divisão. Aí é só aparar as pontinhas conforme a necessidade.

Depois é só repetir todos os passos infinitamente até cortar todas as camadas, variando os tamanhos entre elas de acordo com o que você achar mais bacana – talvez seja até interessante fazer a técnica #1 antes, para deixar o cabelo com camadas mais marcadas.

 

É isso. Se não der certo, mentalize a música da Regina Spektor lá do começo, espere crescer e tente de novo. Prometo que fica bem menos traumático depois dos primeiros cinco erros. Você até mesmo pode desenvolver um problema que envolve nunca mais conseguir deixar o cabelo crescer por não conseguir passar mais que dois meses sem cortá-lo – ouçam a pessoa que nunca conseguiu deixá-lo passar dos ombros.

Além disso, cabeleireiras do mundo: eu não odeio vocês, tá? São só divergências criativas.

(E eu também não me importo mais que me chamem de Bethânia porque ela é legal pra caramba!)

 

Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

  • Pamq

    Amei! Você escreve de um jeito muito gostoso de ler!

    Eu também corto meu próprio cabelo há anos! Eu reparto ao meio, puxo para frente e vou cortando, tentando deixar mais curto na frente que atrás. Cortei semana passada assim e ficou sensacional.

    Eu estava tentando deixar crescer, mas NÃO CONSIGO MAIS deixar passar dos seios. É que a gente meio que vicia, né, sabe que cortando assim ou assado fica tãaaao legaaal (:

    PArabéns pelo blog! <3

  • Pamq

    *blog não: revista!!!

  • http://entrelistrasepoas.blogspot.com.br/ Priscila Farias

    hehehhehehehehe amei sua forma de escrever!
    Tb sou chamada de Betânia, Gal Costa, Vanessa da Mata, mas nem levo para o lado da crítica, aprendi a me aceitar como sou.

    Beijo

  • Luciana Pereira

    Laura, muito obrigada. Usei a técnica do rabo de cavalo baixo para cortar o cabelo de minha irmã ontem e ficou lindo, facilitou em muito meu trabalho. Parabéns pelo post.

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  • http://www.estudiomasam.com Sam Santori

    Tenho o cabelo muito comprido e cheio de volume, nem liso e nem cacheado. Passa o tempo todo preso (rs). A ultma vez que fui numa cabelereira ela cortou demais e passei meses chorando meu cabelo. Desde então tenho cortado eu mesma, e errei algumas vezes, acertei em outras… Vou tentar suas dicas pra cortar e ver no que dá ;D

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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