28 de abril de 2015 | Ano 2, Edição #13 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Crescer e o peso (relativo) das decisões com o passar do tempo

Você já comprou alguma coisa com o seu próprio dinheiro? Pode ser o dinheiro que tua vó te deu de aniversário e você juntou com umas moedas e comprou alguma coisa que desejava ter há muito tempo. É muito bom! A sensação de conquista é libertadora. Lembro de uma vez que gastei todo meu dinheiro (R$ 7,00) para comprar um porta-moedas. Me senti uma excelente investidora, visionária de tendências (o porta-moedas era daquela carinha amarela que fazia tanto sucesso nos anos 1990), mesmo me sentindo um pouco estúpida depois, já que eu não tinha mais moedas para guardar. Crescer é mais ou menos assim. Tomamos grandes decisões, nos sentimos temporariamente muito bem e depois bate um vazio e uma sensação de-não-sei-o-quê. Mas aí o tempo passa e vemos que as decisões que tomamos talvez não tenham sido as melhores, mas foram as certas para aquele momento (eventualmente, eu ganhei moedas para guardar no porta-moedas visionário).

Não temos como saber se as decisões que tomamos agora são as melhores para o nosso futuro, se o curso que escolhemos na faculdade é o que vai nos tornar profissionais felizes, se sair de casa para morar com as amigas é uma boa ideia ou se comer um cachorro-quente na esquina da escola vai dar uma dor de barriga danada depois. Essas são coisas que só vamos saber com o tempo, não existe imediatismo nas decisões da vida. Até porque as circunstâncias mudam e o que parece tão certo agora pode fazer nenhum sentido amanhã, ou o que nos causa tantas dúvidas pode ser a melhor decisão possível.

Acho que isso também vale para as coisas que acontecem inusitadamente. Essas coisas parecem ser um pouco mais dramáticas porque estão fora do nosso controle e fogem das nossas expectativas para a vida. Na hora pode parecer o fim do mundo, um desastre, o grande evento que vai destruir a sua vida. Mas com o tempo aquilo que pareceu o apocalipse pode se transformar em apenas uma coisa chata que aconteceu há uns anos, que te fez crescer e ser uma pessoa mais experiente.

A verdade é que quanto mais idade temos e mais tempo passa, maiores são as decisões que tomamos. Sempre dá medo de errar, mas a sensação de conquista é cada vez mais gostosa e a independência gratificante. Cada vez fica um pouco mais fácil lidar com grandes decisões porque nos tornamos mais corajosas e conscientes. O importante é saber que toda decisão que você toma é aquele que parece ser a melhor para você naquele momento. Se errarmos, sabemos que o tempo vai passar e as consequências vão se diluir – e isso faz parte de crescer.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

  • Leesh Woah

    Meninas, aqui no Capitolina leio o que ninguém me diz! Amo vocês lindxs!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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