16 de janeiro de 2016 | Ano 2, Edição #22 | Texto: | Ilustração: Izadora Luz
Criando coragem

Falar em público, participar em sala de aula, tomar iniciativa com alguém de quem você está a fim, terminar um relacionamento, ir a uma entrevista de emprego, lutar pelos seus direitos… São coisas na nossa vida que precisam de coragem? Por que tão frequentemente nos sentimos despreparados para essas situações e não temos coragem de encará-las? E como fazer pra criar essa coragem, então? Coragem é coisa que se cria?

O tema desta edição da Capitolina é CRIAÇÃO. Popularmente, falamos sobre “criar coragem” para fazer algo. Gosto, na expressão, de como “criar” pode ter duas conotações ao mesmo tempo: primeiro, há a ideia de força primitiva, de inventar algo novo da palavra “criação”; segundo, há também a ideia de cultivar algo, da mesma maneira que se cria filhos. Acho que coragem é mesmo algo que se cria dessas duas formas. Algo que a gente inventa dentro da gente mesmo e depois tem que manter pra não dar pra trás. Mas por onde começar?

Um passo importante para se criar coragem de fazer algo é entender seu medo. Por que você não faria aquilo? Insegurança, timidez, baixa autoestima? Também é bom pensar se medo é o seu único impedimento. Vale mesmo a pena deixar de fazer algo que você quer por causa de medo? É preciso tomar cuidado com as armadilhas que nossa mente cria quando estamos assustados: começamos a listar inúmeros motivos para não fazer a coisa e todos eles parecem superplausíveis, justificáveis e incontestáveis, enquanto, na verdade, são só a gente se armando bem de desculpas para não enfrentar.

Algumas dicas, então, para criar coragem:

1) Foque no objetivo
O que você vai ganhar com isso é maior do que aquilo que você pode perder? Você vai se sentir mal ou se arrepender se não tentar? Pense no que você quer ganhar da situação e vá com esse foco. O resto é distração e não te acrescenta em nada.

2) Pense na necessidade
Eu conheço uma pessoa que era tímida a um ponto que abandonou a faculdade porque não tinha coragem de ir pra frente da turma apresentar um trabalho e, por isso, sempre ficava com notas ruins ou reprovava. É claro que não é simples superar uma timidez tão grande, mas você precisa considerar o que está em jogo. É algo que precisa ser feito e vai te prejudicar caso você não faça? Então, faça. Respira fundo e vai.

3) Considere as outras pessoas
Não acho que normalmente seja um bom motivo pensar mais nos outros do que em si própria. No entanto, em casos em que o que te falta é coragem, pode ser uma boa fonte de motivação pensar se você vai deixar alguém na mão deixando de fazer a coisa e, então, fazer por essas pessoas, como uma espécie de lealdade.

4) Racionalize
Pare pra pensar no que te assusta nessa situação. Vou voltar no exemplo do meu amigo que não apresentava trabalho. Era medo de quê? De não saber falar de direito? De passar vergonha, fazer papel de ridículo? Por que isso aconteceria? E mais: qual é o problema de fazer papel de ridículo? Nossa timidez é frequentemente fruto de orgulho. Que bem esse orgulho faz? Racionalize seu medo, entenda o que te assusta. Você provavelmente vai se dar conta de que muito do seu medo é coisa da sua cabeça. Quando você descobre isso, fica mais fácil se jogar.

5) Vamos todos morrer mesmo
Gosto da inconsequência dessa frase, porque ela coloca as coisas em perspectiva. Muitas vezes, fazemos grande coisa de uma situação ridícula e damos uma importância monstra a algo minúsculo que, daqui a um ano, não vai fazer diferença nem na sua vida nem na de ninguém. Se for esse o caso, faça. Que mal tem? Qual é o pior que pode acontecer? Vamos todos morrer mesmo.

6) Converse com a sua mãe, com alguma amiga, com alguém que te motive
É isso aí, converse até não aguentar mais e estar rindo de outra coisa. Relaxe.

7) Imagine que você é um personagem
Essa dica foi dada por uma amiga e eu amei. Sabe quando você está vendo um filme e a personagem deixa de fazer algo e você fica se contorcendo no sofá pensando NÃO ACREDITO QUE ELA NÃO FOI e você sente vontade de tacar seus sapatos na televisão de tão idiota que a personagem está sendo? Pense na sua vida como um filme no qual você é a personagem. Assista-se deixando de fazer isso aí que te assusta. Você se acharia muito idiota se fosse um filme e você perdesse essa chance por medo? Então faça.

8) Finja
Fez tudo isso e ainda não criou coragem? Então finge. Respira fundo, finge que é corajosa e vai. Vai sem coragem mesmo. Não pensa, só faz. Sério mesmo, não deixa de fazer só porque tá assustada, não. Boa sorte! Vai dar tudo certo.

Laura Pires
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Vlogger

Usa seu vício em séries e Facebook como inspiração para os textos, para a vida e para puxar assunto com os outros. Adora ouvir histórias e conversar sobre gênero, sexualidade, amor e relações amorosas – gosta tanto desses temas que deu até um jeito de fazer mestrado nisso. É professora de inglês, cantora e pianista amadora de YouTube, fala muito, ri de tudo e escreve porque precisa. Ama: pessoas e queijo. Detesta: que gritem.

  • http://minhajubadeleao.tumblr.com/ Amanda Argilero

    Eu vou aperfeiçoando minha coragem. Já melhorei bastante; porém ainda tenho fobia em ligar para pessoas estranhas pelo telefone. Me dá um pânico. Acho que eu devia fazer terapia

  • Helena Zelic

    7) Imagine que você é um personagem

    a do rei essa dica, miga!!!!!!!!!

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Anotei todas as dicas, vou ver sempre!

  • Nina

    A dica de ser um personagem é muito boa, já me ajudou muito <3

  • http://omundodaana.com/ Ana

    Eu tinha um professor que falava que a única coisa que faltava para ele fazer quando ele era mais novo era coragem.
    As vezes quando alguém me fala: Ana, por que você não faz isso?, eu respondo: Sabe o que me falta? Coragem.
    E olha, eu sou muito corajosa para algumas coisa, mas para outras… Já anotei todas as dicas, e com certeza, vou colocá-las em prática. Afinal, não dá pra ficar deixando o medo vencer todas as batalhas, não é mesmo?

  • Mayara Teixeira

    Esse tema da Capitolina tá simplesmente demais!
    Já fui bem tímida, do tipo que sentava no escondidinho na sala de aula e rezava pra professor algum fazer pergunta! Felizmente superei esse problema graças a minha professora de Português, uma pessoa maravilhosa que me deu auto-confiança, motivação, e mais, OPORTUNIDADE para que eu deixasse a minha estrelinha brilhar. Hoje estudo em um colégio de período integral, e como acolhedora (função de alguns alunos desse novo modelo escolar) ajudo aos recém-chegados a perder a vergonha e abrir a cabecinha pra esse mundo finito e cheio de desafios que é a escola!
    É preciso extrema coragem pra sair da nossa zona de conforto, mas é muito mais recompensador quando a gente supera mesmo, e melhor, quando ajudamos outras pessoas a mudarem isso!

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos