4 de janeiro de 2016 | Sem categoria | Texto: | Ilustração: Isabela Zakimi Innocentini
Crise de bancada: faço ou não faço uma faculdade de ciências?

Cursar uma faculdade de ciências ou não: eis a questão! Quando se trata da escolha de uma carreira, é sempre muito difícil prever se iremos gostar ou não de fazer uma graduação. Nas áreas de ciências “puras”, em que predominam alunos do sexo masculino, é ainda mais difícil para garotas se sentirem à vontade para trilhar este caminho. Basta compararmos quantas meninas entram na graduação em Física e Letras: nas ciências humanas encontramos geralmente mais meninas e mulheres do que nas ciências exatas. E muitas vezes, quando conseguimos quebrar barreiras, preconceitos e finalmente estamos no ensino superior cursando uma faculdade de ciências exatas, a gente sente uma pressão muito maior por ser mulher. Quase todos os colegas da sala são homens, então se eu tirar uma nota baixa nas provas provavelmente vão achar que é porque eu sou mulher, certo? Errado! Bom, deveria estar errado. Mas a sociedade nunca nos deixa esquecermos que somos mulheres por muito tempo. Ainda somos vistas como seres estranhos a alguns ambientes, como faculdades de engenharia, física, computação, química. E, uma vez dentro da universidade, muitas vezes sentimos que devemos provar nosso direito de estar lá todos os dias. Precisamos ouvir algumas piadas sexistas até por parte dos professores (porém não precisamos aceitá-las).

Como, com toda essa pressão da sociedade e dos colegas, ainda poderemos nos dar ao luxo da dúvida? Não é porque entramos num curso na faculdade que obrigatoriamente devemos gostar dele. Não há problema nenhum em mudar de ideia e tentar outras possibilidades. Achar difícil enfrentar diariamente um ambiente sexista na universidade não faz de você – nem de nenhuma menina ou mulher – uma pessoa fraca. Muito pelo contrário: tomar nosso lugar na mesa, nas universidades, nos congressos e na Academia pode sim ser cansativo.

A questão é: como encarar as “crises de bancada” durante a faculdade? A primeira coisa que posso lhe dizer é: você não é a única a sentir essa dúvida. Como eu disse aqui, questionar nossas próprias decisões é normal e saudável. Porém há algumas questões que não podemos deixar que nos consumam. Esteja certa de que você é totalmente capaz de estar num curso de exatas ou biológicas e que os esteriótipos de carreiras são apenas construções sociais que precisamos deixar de lado. Afinal, já estamos quase em 2016 e já está feio ainda fazer esse tipo de julgamento, né? Pois bem, outro tipo de pensamento que não podemos ter é que mulheres têm mais talento para isso ou aquilo, pois também não é verdade. Um dos maiores cientistas da atualidade, Neil Tysson, uma vez disse num discurso como durante toda sua vida ele ouviu que o lugar de negros não era na academia, que talvez fosse melhor que ele tentasse ser um atleta. E quando o questionaram por que ainda há tão poucas mulheres na academia, ele respondeu com maestria que precisamos parar de acreditar que mulheres não se intetessam por física ou astronomia e começar a nos questionar por que elas são minoria nas ciências exatas.

Acredito que a melhor forma de lidar com uma crise de carreira é conversar honestamente com suas amigas e perceber que todas passamos por isso em algum momento de nossas vidas. E isso não depende se estamos estudando para ser cientistas, professoras ou advogadas. Mulheres podem ser o que quiserem, e você também!

Carolina Sapienza
  • Colaboradora de Relacionamentos e Sexo
  • Revisora

Carol nasceu em 1991 e mora em São Paulo. Bióloga que queria ser de humanas, gosta de escrever sobre ciência mas mantém o caderninho de poemas sempre na bolsa.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos