27 de fevereiro de 2019 | Ano 5, Edição #46 | Texto: | Ilustração: Kethlenn Oliveira
Cuidado no pós-eleições: como lidar com o outro

Para o Brasil, o ano de 2018 foi marcado pela tensão e debates intensos no cenário político. Muitas de nós acompanhamos de perto a situação política do país e, em um momento muito delicado, achamos que era necessário nos posicionar a favor dos valores nos quais acreditamos. No entanto, muitas vezes familiares e amigos têm opiniões diversas e até reproduzem discursos de ódio em alguns casos e, com isso, esse período gerou discussões, brigas e afastamentos.

Depois desse episódio, um dos questionamentos que permaneceu foi o de como lidar com o parente, amigo ou conhecido que tem um posicionamento político com o qual discordamos ou que mesmo fere a nossa existência. Além disso, a necessidade de alternativas para lidar com a pressão social, muitas vezes presente, de se conciliar com o outro, principalmente quando se trata de um familiar, a qualquer custo.

Acredito que, para viver esse momento, seja interessante pensar em alguns pontos:

Discordar faz parte, preconceito, não

É comum e saudável que haja discordância entre pessoas sobre diferentes assuntos. Desde que seja tratada com respeito, a diferença de opinião é enriquecedora. No entanto, não é aceitável mascarar preconceito ou o apoio a um candidato com discurso preconceituoso e violento sob a justificativa de opinião.

Opinião é discordar sobre como deve ser gerido um problema público ou qual fruta é mais gostosa, por exemplo. Preconceito é o discurso que quer discriminar, excluir, diminuir ou prejudicar um grupo ou pessoa só porque ela é parte desse grupo. Logo, você não é obrigada a aceitar um preconceito que vem disfarçado de opinião somente porque se trata de uma pessoa próxima.

Perdoar o outro

O perdão, caso você queira, pode e deve estar presente. Entender que o outro não vive a mesma situação que você, que a geração na qual ele nasceu é diferente ou identificar a falta de empatia alheia é um caminho para poder perdoar aqueles que disseram coisas que nos magoaram, irritaram e feriram de uma forma geral. Além disso, nossos amigos e parentes não são perfeitos e precisam aprender e melhorar em muitos assuntos, logo, eles estão sujeitos ao erro. Reconhecendo isso, podemos perdoar o outro e assim tirar de nós a frustração que esse tipo de posicionamento traz.

Perdoar não é esquecer

Perdoar pode ser uma alternativa nesta situação, pois, ao perdoar a si mesmo e aos outros, deixamos de lado sentimentos ruins. No entanto, perdoar não é esquecer. Enquanto nessa eleição alguns discursos de ódio ficaram ainda mais evidentes, a decepção em relação às pessoas da nossa família, por exemplo, muitas vezes existe há tempos, especialmente com atitudes ligadas ao machismo, LGBTfobia, racismo e tantas outras formas de intolerância. Essas atitudes não precisam ou devem ser esquecidas. É normal que, ao descobrir um posicionamento que te decepcione, haja maior distanciamento e desconfiança e que as coisas não voltem a ser como eram. Isso não tem de ser encarado como um processo negativo, afinal, a vida nos aproxima daqueles com quem temos afinidades e valores parecidos.

Escolha suas lutas e se preserve

O mais importante, na minha opinião, é ouvir a si mesma e como você se sente em cada situação. Só você mesma poderá saber se faz sentido debater mais com o outro que ainda cita o candidato eleito a presidência, se vale a pena tentar uma reconciliação ou se é melhor não trazer mais o debate político para os ambientes familiares, por exemplo. Só você pode escolher como sua energia será melhor gasta, então feche os olhos, tenha calma e aja com sabedoria. Nem todos merecem seu tempo e disposição! E, acima de tudo, se preserve, pois o autocuidado é também revolucionário 🙂

Você não está sozinha!!!

São tempos difíceis para nós, então leve-os com a maior leveza possível. E, lembre-se, você não está sozinha! Se há um movimento de pessoas discutindo e saindo de sua zona de conforto, é porque você, eu e tantas outras pessoas estão dispostas a realizar mudanças e não aceitar mais a situação atual. Portanto, junte-se a quem te fortalece e vamos em frente 🙂

Muita paciência, amor e força!

Inspiração:

Madame Br00na- Canal no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCaN2Tx_TsqxyDwoEbA0ClJA

Daniela Matos
    Colaboradora de Sociedade

Um pouco de tudo: muito comunicativa, meio programadora, bastante feminista, quase internacionalista e uma futura viajante. Escrevo o roteiro da série sobre a minha vida dentro da minha cabeça (é por isso que as vezes eu rio sozinha) e gosto muito de batatas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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