11 de junho de 2015 | Ano 2, Edição #15 | Texto: | Ilustração: Dora Leroy
Dando tchauzinho: a educação passou longe

Uma vez, quando estava no colegial, nos Estados Unidos, eu mostrei o dedo do meio para um menino e uma professora me viu. Tentei escapar da bronca dizendo que na minha cultura de origem, o gesto era como se fosse um elogio – obviamente não deu certo: o dedo do meio é ofensivo em todas culturas.

Um gesto é uma maneira não-verbal de se comunicar que se desenvolve com a cultura local – assim como a linguagem verbal. O mesmo gesto pode ser interpretado em outra cultura de forma completamente diferente da que conhecemos. Lógico que, enquanto viajantes e desbravadoras de culturas, seria muito difícil entender o significado de todos os gestos em todos os países – seria horrível ofender alguém acidentalmente, dentro de seu país – mas também, a ideia de que podemos nos comunicar por gestos com alguém que não fala o mesmo idioma que a gente é muito divertida!

1. Joinha: o joinha, o dedo polegar para cima, é um gesto do nosso dia a dia para dizer OK. Às vezes, usamos meio ironicamente, mas na maioria dos casos, e parece que na maioria das culturas, é usado positivamente. Na América do Norte, o joinha tem o mesmo significado, mas o dedo indicador unido com o dedo polegar enquanto os outros três dedos estão levantados tem o mesmo significado, enquanto aqui no Brasil pode ser considerado ofensivo.

2. Figa: nunca vi alguém fazendo uma figa, uma das mãos fechadas com os dedos entre o médio e o anelar, mas é bem comum nos amuletos populares. O primeiro uso registrado foi pelos etruscos na era romana (!). Em italiano chama Mano Fico – “mano” significa mão e “fico” é uma representação dos genitais femininos, normalmente associada à fertilidade. Já aqui no Brasil, é usado como amuleto da sorte e para deixar o recalque passar longe.

3. Braços cruzados: às vezes eu cruzo os braços porque acho confortável. Já me chamaram atenção por cruzar os braços mesmo quando estava super interessada na conversa. Mas tem gente que fica muuuito ofendido – então acho melhor evitar, principalmente quando estou em algum evento como uma palestra. Não quero que meu corpo comunique a mensagem errada.

4. O saludo de Jogos Vorazes:  No livro e filme Jogos Vorazes,  a saudação com três dedos em apoio a heroína Katniss Everdeen, um cumprimento do Distrito 12, é considerada um gesto de coragem. Na Tailândia, o gesto foi adotado pela população contra o governo militar regente, que chegou a banir o gesto.

5. Toca aqui: toca aqui ou o high five também parece ser aceito na maioria das culturas – é um cumprimento celebratório e tem contato quase mínimo entre as pessoas envolvidas.

6. Aceno com a cabeça: aqui no Brasil e na maior parte do mundo, balançar a cabeça para cima e para baixo é um gesto positivo e de um lado para o outro é um gesto negativo. Mas na Grécia e na Bulgária, os sentidos se invertem.

7. Agora, pare: estender suas palmas para alguém, como se dissesse espere ou pare, é outro gesto ofensivo para os gregos e para os paquistaneses, conhecido como “moutza”. Isso porque lá no Império Bizantino, os criminosos eram levados pelas cidades e as pessoas eram encorajadas a esfregar carvão ou merda na cara deles, para indicar a insignificância desse grupo para a sociedade.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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