7 de novembro de 2015 | Relacionamentos & Sexo, Sem categoria | Texto: | Ilustração: Bia Quadros
“Dar um tempo” pode ser bom

Namorar é sempre complicado. Como cada relacionamento é diferente, os motivos vão sempre variar; mas a maior parte dos conflitos pode ser explicada, em resumo, por uma característica que define a todos nós: seres humanos são complexos pra caramba.

No meio dessa complexidade toda, então, é natural que as partes envolvidas se unam, conversem e tentem chegar em acordos que possam ajudar a resolver as coisas para que as borboletas do estômago possam voar livremente, sem preocupações. Os acordos exigem compreensão e muita paciência, mas na maioria dos casos acontece assim: se os dois (ou mais) estão dispostos a contribuir, não existe por que não continuar dando certo.

Exceto que seres humanos são complexos pra caramba.

A história a gente já conhece (se não por já ter vivido, por conhecer alguém que viveu): em determinado momento do namoro, numa dessas situações complicadas onde geralmente a conversa teria resolvido tudo, ninguém consegue chegar mais a acordo nenhum. Acontece: às vezes a gente passa por coisas individualmente que a outra pessoa não consegue acompanhar, ou vice-versa. Não significa necessariamente que o amor diminuiu, mas é comum que uma ou todas as partes concordem em pedir aquele negócio que dá um medo danado em muita gente: o tal do “tempo”.

O motivo de tanta gente ficar tão assustada só de se imaginar dando um tempo no namoro é porque virou quase que regra acreditar que quando alguém faz esse pedido, é porque quer terminar. Existe, sim, muita gente que realmente usa isso como desculpa pra uma separação definitiva, na maioria das vezes por medo de falar na cara da outra pessoa que quer terminar (pois é, tem isso também), mas imagina comigo essa situação: tá complicado lidar com algumas coisas com seu(s) parceiro(s) ou parceira(s) lá do lado, aí você decide que pra clarear um pouco as ideias o melhor a se fazer é passar um tempinho distante.

O que a gente vê acontecendo com frequência são casais que, por medo de darem o espaço que o(s) outro(s) precisa(m), acabam se sufocando e terminando o namoro de forma abrupta. Por isso vemos tantos namoros “iô-iô”, daqueles que quando terminam percebem que a solteirice não era bem aquilo do que precisavam: quando a tensão alivia, o afeto encontra onde se encaixar.

Temos medo de admitir que mesmo amando a pessoa com quem nos relacionamos, nem sempre precisamos dela por perto.

Dar um tempo não precisa vir nesse formato assustador que faz a gente achar que fez alguma coisa errada e nosso estômago se revirar todo por dentro. Não existe uma regra fixa, mas às vezes até um fim de semana solo na companhia de apenas sorvete e Netflix já tem potencial pra resolver muita coisa (e ainda assim a gente fica aí, neurando com o desconhecido).

A formalidade com a qual a gente trata a coisa toda, fazendo quase um documento escrito dizendo “PRECISAMOS NOS SEPARAR UM POUQUITO, TÁ BOM?” (assim mesmo, em caps lock), acaba tornando um momento que pode ser muito útil em um bicho de sete cabeças. E enquanto o ato de dar um tempo de alguém possa realmente ser o momento em que o seu namorado ou namorada vai perceber que não quer mais te namorar, se algum dia você se encontrar nessa situação, não seja pessimista – afinal de contas, seres humanos são complexos pra caramba. 😉

 

 

Luciana Rodrigues
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Artes

Luciana tem 20 anos e é de Macapá, no Amapá, no extremo norte do Brasil. Cursa Letras na universidade federal do seu estado e é apaixonada por artes em geral, sendo a dança, o desenho e a pintura suas favoritas. Sonha em mudar o mundo com a ajuda dos seus gatos e tem certeza de que nasceu, além de índia, sereia de água doce.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos