11 de fevereiro de 2016 | Artes, Colunas, Literatura | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Das masmorras à floresta proibida: um guia para Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

O mundo dos bruxos criado por J.K. Rowling em um guardanapo de papel sempre flertou com a transmídia.

Ainda em 2011, com o lançamento do Pottermore, um site dedicado a interação de usuários (onde você pode ser sorteado a uma casa e participar das atividades), nós já tínhamos uma pequena prova de que jamais conheceríamos esse mundo por completo, e que ele sempre se desdobraria. Foi, então, em 2015, com o anúncio da peça de teatro Harry Potter and the Cursed Child (Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, em tradução livre) que também ganhará novelização a ser publicada dia 31 de julho de 2016, que nós tivemos a certeza de que sim, o mundo dos bruxos estava só começando e já abraçava novas mídias.

Caso você tenha chegado tarde e não esteja familiarizada com o universo de Harry Potter ou esteja simplesmente querendo reviver uns momentos quentinhos e importantes que antecedem essa nova história, FEAR NOT: nós fizemos um guia cheio de amor.

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Harry Potter e a Pedra Filosofal…

… ou aquele no qual conhecemos tudo e todo mundo.

O mundo dos bruxos é expandido aos pouquinhos ao longo dos sete livros, bem como a história mais a fundo dos personagens, mas é no primeiro livro que temos aquele sopro no rosto de abrir a janela num lugar ainda desconhecido. Somos apresentados ao “herói”, Harry, um menino órfão que mora com os tios que o detestam, e à explicação relativamente simples de por que ele é tão especial. Também somos introduzidos aos que viriam a ser os melhores amigos do mundo: Rony Weasley e Hermione Granger.

 

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Harry Potter e a Câmara Secreta…

… ou aquele no qual aprendemos que nada que se escreve sozinho pode ser bom.

Depois de sermos apresentados aos primeiros principais personagens –alguns dos quais vão nos acompanhar durante todos os livros–, o segundo ano de Harry na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts é tão esquisito quanto o início da sua pré-adolescência. É nesse livro que a Rowling introduz um conceito que vai ser importantíssimo no decorrer da saga: Voldemort é poderoso o suficiente para “viajar no tempo”, para ser mais do que uma memória.

 

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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban…

… ou aquele no qual aprendemos que migos são pra vida toda, para o bem ou para o mal.

Talvez esse seja um dos livros mais importantes da saga, quando começamos a entender de verdade o que aconteceu na noite que os pais de Harry morreram. Apesar de ser um tanto quanto pesado, é nesse livro também que aprendemos mais sobre os valores da amizade, da confiança até mesmo daquilo que nos faz feliz. Todas as páginas são grandes lições de solidão, esperança e aceitação por parte dos novos personagens Sirius Black e Remo Lupin.

 

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Harry Potter e o Cálice de Fogo…

… ou aquele no qual lembramos que Harry, Rony e Hermione ainda são adolescentes.

Gosto de dizer que esse livro é um divisor de águas: começamos e seguimos com ele lembrando a todo momento que o trio é suscetível a mudanças de humor e reações hormonais porque eles estão no meio da puberdade, e terminamos o livro com a sensação de que isso não importa muito e que às vezes é preciso amadurecer muito rápido para enfrentar os problemas –e isso pode ser muito prejudicial. É também em CdF que os problemas começam de verdade, com o retorno do maior inimigo de Harry, e o outro lado de sua moeda.

 

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Harry Potter e a Ordem da Fênix…

… ou aquele no qual aprendemos a ter um pouquinho de aversão à cor-de-rosa.

O quinto livro é o mais difícil porque ele é o mais… governamental, por assim dizer. Ficamos por dentro de alguns processos burocráticos do mundo bruxo e até fazemos uma visita guiada rapidamente pelo Ministério da Magia, o lugar onde as coisas mais sérias acontecem. Essa é uma história sobre um menino de 15 anos que está tentando dizer que tem uma grande merda acontecendo mas todo mundo escolhe não acreditar então ele decide resolver as coisas do único jeito que pode: tomando as rédeas de sua própria vida e não ficar mais parado esperando as coisas acontecerem, e que mesmo com todos os golpes e perdas.

 

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Harry Potter e o Enigma do Príncipe…

… ou aquele no qual aprendemos que Voldemort é na verdade uma adolescente e guarda todos os objetos mais importantes da sua vida com a alma

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O sexto e penúltimo livro é a chave pra tudo. Todas as coisas acontecem, os personagens começam a traçar seus destinos, tudo é uma sucessão esquisita de erros que levam aos resultados mais desastrosos e nada é realmente explicado e você se vê sem esperança na vida e naquela história MAS TUDO BEM, já que é nesse livro que somos apresentados a um plano, pois até então era tudo meio… freestyle. O que antes parecia ter começo, meio e fim agora encontra uma timeline que precisa ser parada, e uma história que precisa ser entendida –quem melhor pra contar a história de um grande vilão do que ele mesmo e as coisas que o fazem ser quem é?

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Harry Potter e as Relíquias da Morte…

… ou aquele com TODOS OS SENTIMENTOS.

Como todos nós, você vai chegar nesse último livro sem estar preparada para o final. E tudo bem, nós entendemos. É uma ação do começo ao fim que não tem nem como ser explicada, é literalmente o livro onde as pontas da história de Harry são amarradas de uma vez por todas e o que tinha que ser dito é finalmente dito. Um livro bem dicotômico que encontra passado e futuro, bem e mal, vida e morte. É um livro sobre despedidas e novos encontros, e, sobretudo, sobre saber que não se luta uma guerra sozinha.

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Dezenove anos depois…

… aquela história que nós não sabíamos que queríamos até ser anunciada (a quem estamos enganando, queríamos sim!).

É difícil explicar a história que cerca Harry Potter and the Cursed Child sem entregar pontos importantes da história que você pode ou não ter lido ainda. Porém, a história acompanha um Harry Potter já adulto tendo que “lidar com um passado que se recusa a ficar para trás,”* uma coisa com a qual nós podemos nos relacionar muito bem, certo?

O que podemos esperar: muitos sentimentos de “retorno ao lar” e ao conforto dos nossos personagens já conhecidos, e, a julgar apenas pela capa (sim, estou aqui julgando um livro pela capa) e pelas informações que temos sobre a história, pode abordar transtornos psicológicos de alguém que vive à sombra de tudo que sua família alcançou antes dele. “Enquanto passado e presente se fundem, pai e filho aprendem a desconfortável verdade: às vezes a escuridão vem dos lugares mais improváveis.”*

A peça também quebra barreiras que nós não fazíamos ideia de que existiam, como a decisão de escalar uma atriz negra para interpretar Hermione adulta, o que desvincula a peça da série de filmes e ao mesmo tempo garante o selo de uma narrativa transmídia bem feita e que dá voz e poder para mais mulheres de cor se sentirem representadas na ideia da bruxa mais inteligente da sua idade.

Se estamos ansiosas para a peça e sua novelização? Sim, e esperamos ter deixado vocês tão ansiosas quanto a gente!

 

* trechos tirados da sinopse oficial de Cursed Child, que pode ser encontrada, em inglês e na íntegra, aqui.

Duds Saldanha Rosa
  • Coordenadora de Esportes
  • Ilustradora

Duds Saldanha Rosa, 22 anos, bitch with wi-fi, so indie rock is almost an art. Não sou parente nem do Samuel Rosa, nem do Noel Rosa, nem do Carlos Saldanha, mas gostaria de ser. Sou paulista-paraibana, designer, ilustradora e seriadora avídua. Faço yôga para aquecer minha mente e escrevo no Indiretas do Bem para aquecer meu coração. Doutora em ciências ocultas, filosofia dogmática, alquimia charlatônica, biologia dogmática e astrologia eletrônica. Cuidado: femininja e aquário com ascendente em virgem. Você foi avisado.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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