25 de janeiro de 2015 | Estilo | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Deixando o cabelo crescer: um guia anti-ansiedade

Na semana passada, a Julia postou aquele incrível guia para as meninas que estão caminhando rumo ao cabelo curtinho dos sonhos, adentrando assim esse mundo maravilhoso que é a Terra dos Ombros e Pescoços Frescos no Verão. Já hoje, o post é pra quem, como eu, está fazendo o caminho inverso e resolveu entrar pro #projetocabelodesereia, encarando também essa chatice que é ter que esperar.

Qualquer um que me conheça há alguns anos já deve ter me ouvido prometer umas dez vezes “não, sério, dessa vez vou deixar crescer”, só pra, uma semana depois, aparecer com as mechas pela metade e um “ih, não deu”. O negócio é que eu nunca consegui deixar o cabelo passar dos ombros, e, depois que comecei a cortá-lo em casa, a coisa piorou ainda mais: passei a dar aquele corte nas pontinhas, que as pessoas normais fazem a cada três meses, a cada dez dias ou menos – o roteiro era sempre “opa, essa mecha tá meio esquisitinha, vou dar uma arrumadUÉ, ONDE FORAM PARAR OS DEZ CENTÍMETROS DE CABELO QUE ESTAVAM AQUI?”, e assim permaneci encalhada no três-dedos-acima-do-ombro por uma vida inteira.

Em algum momento, porém, o cansaço em relação à moldura da minha cara chegou a níveis estratosféricos, e depois de radicalizar com o curtíssimo do início da faculdade, achei que era hora de finalmente levar a ideia de virar Lana Del Rey adiante e com firmeza. Só que, já diria aquela banda chatíssima que é o Coldplay, ‘ninguém disse que seria fácil, mas ninguém disse que seria tão difícil’: janeiro de 2015 resolvendo ser o mês mais quente da história, as inúmeras amigas cortando o cabelo e ficando lindas, os fios resolvendo estacionar naquele comprimento nem lá, nem cá, aquele ritmo de crescimento que parece ser de -2 centímetros por mês – tudo conspira em favor da tentação de cortar tudo.

Então acabei desenvolvendo algumas estratégias para driblar o tédio e conseguir chegar ao meu tão sonhado look Rapunzel alterna. A receita não é 100%, mas quem sabe os ítens abaixo também te ajudem a dar uma aliviada na ansiedade:

 

Pinte

Se a vontade é mudar, não precisa ser só no comprimento ou no corte: tem todo um arco-íris de cores disponível, e trocar de tom com frequência é remédio certo contra o tédio. O único porém é que isso às vezes dá uma enfraquecida nos fios, o que pode atrasar um pouquinho o crescimento. Mas é só prestar bem atenção no que o seu cabelo aceita ou não, que você vai poder mudar sem ter que sacrificar o que foi tão arduamente conquistado. E a gente tem esse tutorial incrível da Bia dando umas dicas de como fazer uma mecha colorida.

 

Explore os tamanhos

Você não precisa ficar presa só ao que espera que seu cabelo se torne: ao longo do caminho, é como se você passasse por inúmeros cortes diferentes, então aproveite! É tipo ter um cabelo diferente a cada mês, e, enquanto não chega na cintura, o corte no ombro ainda pode ser divertidíssimo.

 

Faça penteados

Essa é, pra mim, a parte mais divertida de todas: havia um tempo em que eu me propus a experimentar uma amarração ou coque ou trança diferente por dia, e era uma forma incrível de conhecer melhor meu próprio cabelo e explorar coisas que nunca tinha tentado, algumas porque não sabia fazer, outras porque acreditava que “não ia combinar”.

 

Use acessórios

Essa é quase uma versão preguicinha da anterior. Às vezes bate aquela falta de vontade de ficar fazendo trança ou se enchendo de grampos, então ter à mão lenços, faixas e tic-tacs de todas as cores, texturas e tamanhos pode ser bem útil, principalmente naquela fase em que o cabelo não tá curto o suficiente pra ficar solto sem encher o saco, mas ainda não está comprido o bastante pra ficar quietinho em um rabo de cavalo.

 

Procure inspirações

Como não sou moderna igual a vocês que usam esses Pinterests da vida, mantenho no computador uma pastinha “Cabelos que eu gostaria de ter”, para guardar fotos de, dã, cabelos que eu gostaria de ter. O único problema é quando faço o caminho inverso e resolvo procurar fotos de cabelos curtinhos e ficar tentada a cortar de novo.

 

Corte para manutenção

Eu nunca sei se esse negócio de cortar as pontas realmente estimula o crescimento ou se é bobagem pseudo-científica, mas é um bom jeito de passar o tempo. Desde que resolvi levar a sério esse negócio de cabelo comprido, aprendi umas técnicas malucas de mudar de corte sem mexer tanto no tamanho – repicar, mudar as camadas, diminuir a franja – , e tem dado uma bela ajuda pra não ficar sentindo que nada mudou.

 

Corte, se der vontade

Não é porque você resolveu deixar crescer que não pode decidir voltar atrás. Se der vontade e você realmente quiser, corte! Demora, mas cabelo cresce de volta, e às vezes a experiência de arriscar um corte novo pode acabar sendo muito mais divertida do que o plano inicial.

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Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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