5 de setembro de 2014 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Desmistificando doce + salgado: três receitinhas básicas

Nosso paladar é uma caixinha de surpresas, né? E como difere de uma pessoa pra outra! Eu, por exemplo, nunca vou aceitar que existam pessoas no mundo que amam uva passa. Pessoas que comem uva passa pura!! Vocês são loucas, fim da discussão 😉

Mas, deixando o bullying com a uva passa de lado, se tem uma coisa que muita gente demora muito pra acostumar – e às vezes nunca nem tenta – é a tal da mistura do doce com salgado. Aqui no Brasil, acho que principalmente na região Sudeste, crescemos com essa ideia de que a refeição é salgada e a sobremesa é doce. E basicamente é isso mesmo, tanto aqui quanto no resto do mundo. Algumas culturas já incorporam elementos mais adocicados – frutas principalmente – na comida do dia a dia (vide os chilenos e o abacate, e a quantidade de gente que mistura banana no arrroz-feijão-bife-batata-frita se você for mais pro norte do Brasil).

Eu, que fui uma criança extremamente fresca com comida (há salvação, amigas! hoje eu só implico mesmo com a uva passa e a beterraba), recusava toda e qualquer oportunidade de misturar os meus tão amados salgados com doces. Sou muito mais do sal – reparem que até hoje eu só ensinei um doce por aqui (deixo isso com a rainha Nicole <3). Até que eu cresci e começou a pegar mal não experimentar as coisas. Minha primeira experiência nesse mundo saboroso do doce + salgado foi com essa entradinha internacionalmente famosa que ensino abaixo: queijo + geleia. Na verdade, era um queijo bem forte, estilo grana padano, com mel. Lembro de ter certeza absoluta que ia achar horrível, e de depois ter monopolizado a tábua. É uma sensação tão maravilhosa! Estamos tão acostumados com o paladar das nossas comidas preferidas (eu gosto de tudo que é super salgado: azeitonas, embutidos, pastinhas), que é preciso “assustar” as papilas gustativas de vez em quando.

Daí que resolvi montar um mini cardápio super simples pra quem morre de medo de tentar essa mistura (e pra quem já ama). Aproveitei que minha mãe estava de passagem aqui pelo Rio e ofereci esse banquete pra ela. Foi só <3

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Entrada: Queijo brie & Geleia de Mirtilo

Gente, aqui não é nem receita, né?! Escolha um queijo forte e uma geleia de sua preferência e vai na fé. Se for um queijo mais cremoso, tipo brie, camembert ou cabra, vai pro fogo (por uns 15-20 minutos). Se for um queijo mais duro, tipo parmesão ou grana padano, serve frio, em lascas. Eu prefiro os macios com geleia e os duros com mel. Mas arrisque-se! Eu sei que essa geleia da foto custa petrodólares, mas mamãe estava aqui e eu aproveitei pra fazer o investimento. Vocês podem brincar de fazer a geleia (apenas uma desculpa para indicar meu programa de culinária favorito, o Larica Total). Outra dica pra baratear é comprar queijo meia-cura na feira – é bem mais em conta que as opções acima, brasileiríssimo e super salgadinho.

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Principal: Salada de figo

Essa é pra impressionar os convidados, porque o figo é a coisa mais linda do mundo. O ponto principal dessa salada é a combinação figo + queijo, o resto você pode improvisar. Eu escolhi fazer esse crisp de presunto de parma porque é muito fácil e dá um tchan em qualquer massa / risoto / saladinha que você fizer. Quando for comprar presunto de parma, nunca escolha aqueles que já ficam embalados na sessão de frios. Sai muito mais barato pedir pra fatiar bem fininho, e você pode escolher por número de fatias em vez de peso. Espalhe as fatias num tabuleiro e coloque um peso em cima. Deixe no forno uns 15 minutos e depois espere esfriar. Aí é só esfarelar por cima das coisas. A base é de folhas verdes (as suas preferidas), e eu ainda adicionei amêndoas em lascas porque gosto da textura e acho que dá uma sustância.

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Sobremesa: Tapioca de banana com queijo

Banana + queijo talvez seja a combinação mais fácil de doce com salgado, né? Preciso nem defender a escolha. Minha dica pra fazer tapioca sem drama é a seguinte: espalhe a goma na frigideira com o forno desligado. Não precisa passar nada na frigideira, nadinha. A peneira ajuda a deixar ela bem uniforme. Quando a goma estiver formando um círculo perfeito, aí sim você liga o fogo. Pode ser médio pra alto. NÃO ENCOSTA. Uns 15-20 segundos depois as bordas vão começar a enrugar. Sacuda a frigideira. Vai estar soltinha, eu prometo. Aí é só colocar o recheio, dobrar e correr pro abraço. Eu usei queijo mussarela, banana e canela, e depois joguei mel por cima. Delicioso!

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E aí, cês prometem que vão perder o medo de doce + salgado? <3

 

Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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