7 de março de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Desvendando mitos sobre sexo
Ilustração da Isadora Marília

A vida toda, ouvimos muitas coisas sobre sexo. Às vezes pesquisando na internet por curiosidade; às vezes meio sem querer querendo, na sala de aula; às vezes em algum programa da televisão, filme ou série; ou em uma festa da família, da boca daquele tio que já está meio bêbado. Em um primeiro momento, tendemos a achar que isso tudo é verdade, afinal as pessoas que estão dizendo geralmente são mais experientes no assunto.

Acontece que, quando o assunto é sexo, as pessoas costumam falar coisas que não são bem verdades. E quando a gente ainda é virgem, ou não teve muitos parceiros sexuais na vida, ou só tem muitas dúvidas sobre o assunto, essas regras costumam deixar a gente apreensivas. Pensando nisso, a Sofia e a Clara falaram sobre alguns temas cheios de tabus que rondam a gente. E você, tem alguma dúvida sobre algo que envolve sexo? Fala pra gente nos comentários!

Se eu me masturbo, deixo de ser virgem?
Como já falamos antes, virgindade é um conceito bem fluido. Não há um marcador oficial para defini-la, é você que sabe se identifica as atividades que já praticou como sexo ou não. Numa concepção mais geral e comum do conceito, masturbação não indicaria perda da virgindade porque você não está praticando relações sexuais com outra pessoa; no entanto, é possível, sim, romper o hímen através da masturbação, caso você use um objeto para penetração que cause esse rompimento (da mesma forma que a penetração por um pênis causaria).

Posso contrair alguma doença sexualmente transmissível pela masturbação?

Pode ficar tranquila que masturbação é a prática sexual mais segura que há no que diz respeito a doenças (e gravidez, se você é uma pessoa com útero que tem essa preocupação). Só é necessário seguir algumas precauções básicas: estar com as mãos bem limpas, para evitar infecções, e, se for usar algum acessório para complementar o ato, escolher um acessório apropriado (a Natália escreveu sobre aqui), devidamente limpo (limpo mesmo, tá? Se você comprou um acessório, preste atenção nas instruções sobre se ele é resistente à água, se pode ser lavado com álcool, etc.) e que só você usa (porque usar um acessório sexual de outra pessoa apresenta os mesmos riscos de contaminação do que entrar em contato sexual direto com a pessoa em questão). Ou seja: se estiver tudo limpinho e for só você com você mesma, pode aproveitar sem esquentar a cabeça.

Toda mulher quer sexo, mesmo que esconda isso, né?

Não, nem toda mulher quer sexo – o que significa que tem garotas que querem transar e outras que não querem. E não há nada de errado com nenhum dos casos! Algumas garotas se sentem sexualmente atraídas por outras pessoas, enquanto outras se sentem atraídas sexualmente por pouquíssimas pessoas ou mesmo ninguém (não, isso não faz dessas garotas doentes ou nada do tipo, é completamente normal não sentir atração sexual). E isso não faz com quem nenhuma delas seja melhor ou pior que ninguém.

Se eu não estiver curtindo alguma coisa, só deixo rolar mesmo assim?

É o seguinte: aprendemos que a gente tem que gostar de sexo de uma certa forma, ou que sexo simplesmente é de uma certa forma, e é isso aí. E, especialmente se temos menos experiência do que a pessoa com quem estamos nos relacionando, supomos que o que estão fazendo é o que deveria ser feito.
Mas não é bem assim, e de vez em quando tem coisas que simplesmente não funcionam pra gente. Mesmo que não sejam coisas que a gente deteste ou não queira fazer, só são coisas – ou jeito de fazer as coisas – que não estão nos dando prazer, ou que estamos achando meio desconfortáveis. E, nessas horas, comunicação é fundamental. Se a pessoa com quem você está se relacionando faz algo que pra você não tá maneiro, fale para ela. Se estiver com medo de constranger a pessoa, ou de se constranger, fale de um jeito tranquilo, ou até só sugira outra coisa. Por exemplo, diga “que tal a gente mudar um pouco de ângulo, porque acho que vai ser melhor?” ou “tô com vontade de fazer x coisa, vamos mudar?”. Às vezes também é legal, depois do sexo, comentar o que rolou: o que cada pessoa curtiu, o que foi mais legal, o que foi menos legal, o que vocês gostariam de tentar de outra forma. Conversar sobre sexo é sempre muito positivo, e faz com que você e a pessoa com quem você está se relacionando naquele momento aprendam a ter mais prazer e aproveitar melhor o momento.

E se eu não quiser mesmo fazer algo, ou mudar de ideia?

Agora, além da situação em que algo só não tá sendo muito maneiro pra você, tem situações em que você realmente não quer alguma coisa. Ou que você queria alguma coisa, mas mudou de ideia. Nesses casos, a comunicação deve ser mais enfática: você precisa dizer não. Como falamos no tópico anterior, a gente aprende que sexo é de uma certa forma e que temos que gostar disso assim; aprendemos que, quando topamos fazer sexo com alguém, temos que seguir até o fim. Mas, de novo, não é bem assim: às vezes ficamos a fim de transar com uma pessoa, mas estamos lá beijando ela e a química não tá boa e a gente não quer seguir adiante; às vezes estamos num relacionamento sexual mais estabelecido com alguém – e, portanto, é esperado que a gente vá se relacionar sexualmente com aquela pessoa mais vezes – mas a pessoa tá a fim e a gente não. Nessas horas, é importante que a comunicação – da qual falamos antes – seja ainda mais clara. Diga que não está a fim, diga que perdeu a vibe, diga que não quer agora (ou nunca mais!). Da mesma forma, você pode querer transar com aquela pessoa, mas não praticar uma coisa específica que a outra pessoa quer. Nessas horas, também é fundamental dizer isso para a pessoa. Dependendo da pessoa e do relacionamento entre vocês, eu sugiro conversar sobre o assunto mais um pouco – você não tem nenhuma obrigação de se justificar, mas conversar sobre as tuas escolhas é uma boa forma de estabelecer limites mais claros num relacionamento mais sério.

Sofia Soter
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Sofia tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e se formou em Relações Internacionais. É escritora, revisora e tradutora, construindo passo a passo seu próprio império editorial megalomaníaco. Está convencida de que é uma princesa, se inspira mais do que devia em Gossip Girl, e tem dificuldade para diferenciar ficção e realidade. Tem igual aversão a segredos, frustração, injustiça e injeções. É 50% Lufa-Lufa e 50% Sonserina.

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  • Isabella

    Oi , eu realmente tirei muitas duvidas , tenho 13 anos e estou começando a ter mais coragem para falar sobre o assunto , antes se masturbar era errado porque não é normal para uma garota.Hoje compriendo que é natural e que estou apenas descubrindo meus gostos e meu corpo, quero agradacer mais uma vez…kissus

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Milena, pode ser normal, mas se o sangramento persistir recomendamos que você procure um ginecologista.

    Temos um texto em que respondemos dúvidas sobre virgindade, talvez te ajude: http://www.revistacapitolina.com.br/tudo-sobre-virgindade/

  • Cris

    Você de calcinha e o garoto de short, durante os beijos e sem penetração, há chances de romper o hímen?

    • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

      Não há chances de romper o hímen nessa situação, Cris!

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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