12 de dezembro de 2015 | Ano 2, Edição #21 | Texto: | Ilustração: Marina Sader
Deus ou energia do universo?

Quando eu era mais nova, fiz primeira comunhão; não porque eu queria ou porque acreditava no que aquelas aulas falavam, mas porque minha mãe e minha avó queriam que eu fizesse e eu, no auge dos meus dez anos, não pude contestar muito isso.

Muito tempo se passou desde essa época. Foram pouquíssimas as vezes que eu fui a uma missa depois disso, em raras ocasiões que eu preferia não ter vivido – como, por exemplo, a missa de sétimo dia da minha avó. A maioria das minhas visitas à igreja foram, na verdade, passeios para apreciar a arquitetura.

Bom, eu não estou aqui para falar de igrejas, e sim de Deus. Voltando lá na minha primeira comunhão, eu não conseguia acreditar no que me falavam. Eu não conseguia acreditar que Deus era uma figura a se temer, eu não conseguia acreditar que, caso fosse real, Deus teria características tão humanas e que fizessem dele (e peço desculpas aqui se isso for ofender alguém) meio babaca, querendo sempre se colocar acima dos outros e querendo que todos provassem sua lealdade cega a ele.

Por causa disso, passei anos falando que era ateia, que não acreditava em Deus e em nada e ponto final. Mas sabe, eu não estava 100% satisfeita com isso; eu realmente acho importante acreditar em alguma coisa, qualquer coisa. E foi então que eu comecei a pensar mais sobre isso.

Eu acredito em energia. Eu acredito que tem alguma energia que fez tudo acontecer da maneira que aconteceu e eu acredito que “estar no lugar certo, na hora certa” não pode ser mera coincidência. Eu olho para trás na minha vida e consigo ver que tudo o que aconteceu nela, mesmo as coisas ruins, levaram a momentos que me marcaram e que mudaram quem eu sou, e eu não acredito que isso seja “só” a vida. Eu acredito realmente que isso é energia.

E eu acredito que Deus é, portanto, uma espécie de energia. A energia mais forte do mundo inteiro, talvez. Acredito que Deus não tenha como ser personificado e que, portanto, ele não seja capaz de se colocar como superior nem exigir que alguém acredite nele. Meu Deus, portanto, nem pode ser considerado um Deus, eu acho. Ele é só toda a energia que o universo carrega e que está presente em tudo. E eu acredito que todos nós somos apenas energias habitando corpos, e que quando a gente morre a gente volta a fazer parte de uma grande energia coletiva. É um conceito não tão simples, mas é o que melhor explica como me sinto em relação a imensidão que é o universo e ao conceito de Deus.

Marina Monaco
  • Colaboradora de Música
  • Social Media
  • Audiovisual

Marina tem 25 anos, mora em São Paulo, é formada em Audiovisual e cursa Produção Cultural. É apaixonada pela cor amarela, por girassóis e pela Disney. Ouve música o dia inteiro, passa mais tempo do que deveria vendo séries e é viciada em Harry Potter (sua casa é Corvinal, mas reconhece que tem uma parte Lufa-Lufa).

  • Camilla

    Eu tenho uma crença parecida, de que todos somos parte de um todo e que aquilo que chamamos de Deus é o núcleo desse grande ajuntamento de energia. Mas faz sete semanas que eu perdi meu pai e aí descobri que existem duas grandes verdades sobre a dor – a verdadeira dor, aquela que faz você querer nunca ter existido, que faz você desejar que o Universo nunca tivesse existido porque aí então essa dor não estaria te consumindo, que foi e é o que eu tenho sentido desde que o perdi. Uma delas( amantes de TFIOS) é que ela precisa ser sentida, e eu não tentei fugir, chorei todas as lágrimas que tinha nos primeiros dias, chorei para calar os gritos que queria dar, chorei porque nunca conheci dor maior. Mas depois de alguns dias diferente do que eu imaginei, a dor nao diminuiu, nunca vai diminuir, ela simplesmente se alojou num canto do meu coração e vai ficar ali para sempre, e eu vou rir, me apaixonar, vou ficar feliz ao longo da minha vida mesmo com ela alojadinha ali no meu coração.
    Outra verdade é que ela faz você questionar absolutamente tudo. Meu pai existiu, ele amou e foi amado, ele SEMPRE será amado, da mesma forma que eu sempre sentirei essa causticante falta dele. Assim, não é possível para mim apreender que eu nunca vou vê-lo novamente, que ele deixou de existir, que deixou de ser o homem que ele era.
    Então como fica a fé agora? Como posso acreditar que o que o fazia a pessoa do meu pai deixou de existir, que ele é só mais uma parte constituinte de um todo amorfo de energia universal? Por que, absolutamente, eu não posso enxergar o sentido em todo esse amor e toda essa dor se nós não formos perdurar, se ele não estiver por aí em algum lugar, ainda me amando como o fez em vida.
    Desculpa o textão, mas a perda abalou muito a minha fé, e como eu também não me dou bem com igrejas estou confusa e sem saber onde me encontrar. Só um desabafo.

  • melissa guiomar

    Sinto a mesma coisa:)

  • Karla Fernandes

    Que boa opinião e história.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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