Dia dos Professores: os primeiros contatos com arte em sala de aula
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Já escrevemos na Sessão de Artes sobre a decisão de estudar artes na faculdade e a possibilidade dar aula de artes. Mas hoje é Dia dos Professores e para muitas de nós, o primeiro contato com artes acontece dentro da sala de aula. Então, além de homenagear os professores que nos impactaram positivamente, pensamos em como a educação artística que recebemos nos anos formativos influencia nossa relação com arte posteriormente. As vezes um professor nos apresenta algum artista que depois vira referência para o nosso trabalho, as vezes uma professora nos ensina um método de pintura que vira essencial para nossa produção artística e as vezes um professor é horrível e destrói o prazer de estar envolvido com as artes.

É importante apreciar e homenagear aquelas e aqueles que foram cuidadosos para que nossa experiência com a arte fosse especial e florescesse. Sabemos que existem muitos de vocês, professores incríveis, por ai! Obrigada <3

Rebecca Raia: não tive nenhuma experiência que recordo como construtiva até o colegial. Fiz teatro no colégio e minha criatividade foi muito esmaga durante esse período. Acho que meu professor da época favorecia as meninas populares – não só para atuar, mas para fazer as outras atividades do teatro. Mas fui me virando e continue expressando minha criatividade conforme encontrava brechas na construção social orquestrada pelo professor.

Mudou muito quando uma professora, a Sra. Mears, me notou. Todos meus amigos eram das artes visuais e de tanto matar aula na sala deles, a professora sugeriu que eu fizesse alguma aula também. Escolhi fazer cerâmica. Nunca fiz um vasinho que tenha ficado parado retinho ou um prato que desse para comer sem derrubar toda a comida. Mas a professora nunca mandou eu procurar outra atividade. Até hoje tenho paixão por cerâmica e tento continuar mexendo com argila quando posso. Porque acho que a lição mais importante que ela passou foi: não importa se o resultado não é aquilo que imaginamos quando pensamos em arte. O que importa é se expressar e se divertir. O mais importante em produzir arte, é isso! E fico feliz por ter tido uma professora que me mostrou essa verdade.

Daiane Cardoso: Eu tive excelentes professoras de artes, mas sempre senti falta de uma arte que se aproximasse das minhas vivências. Em casa, meu pai sempre nos ensinou (a mim e a minha irmã) capoeira, a dançar e minha mãe nos orientava a aproveitar esteticamente tudo que tivéssemos. Pintávamos nós mesmas as paredes, produzíamos objetos com artigos reciclados, nossos próprios materiais para o ano, etc. Na escola, sinto que isso era tratado de uma forma menor. Como se arte exigisse um investimento financeiro ou formação inacessíveis. Uma professora que tive na quinta série, Maria José, foi muito importante para que eu visse a arte de uma maneira acessível. Todo bimestre ela pedia que escrevêssemos nosso nome em uma folha A4, decorássemos de uma forma que nos representava e depois apresentássemos para a turma. Era impressionante como as pessoas conseguiam se expressar a partir de um dispositivo tão simples! Ela era uma pessoa um pouco austera e cobrava muita dedicação. Em primeira instância isso pode parecer ruim, mas em uma escola estadual em que poucos professores se importavam conosco, era como dizer: “Eu acredito em vocês!” Nunca mais a vi, mas gostaria de agradecer.

Duds Saldanha Rosa: Minha experiência com aulas de Artes foram as melhores possíveis –ainda mais pelo privilégio de estudar em colégio particular–, mas, assim como outras meninas já apontaram, eu sempre senti falta de uma arte que se aproximasse daquilo que eu via na rua, na televisão. Sempre tive várias e várias aulas teóricas do que era a arte antigamente, os movimentos artísticos, pintores famosos, e nenhuma palavra sobre os movimentos que estavam acontecendo naquele momento, o grafite, por exemplo, que na época ainda carregava um estigma que poderia ter sido destruído já na escola. Ainda assim, tive professoras muito gentis que sempre se prontiveram a responder perguntas e a incentivar que nos interessássemos por aquilo, e isso fez com que minha cabeça se abrisse para a arte de uma forma maravilhosa. É uma experiência que, definitivamente, todos deveriam ter!

Sarah Roque: As aulas de artes sempre foram minhas preferidas, a minha primeira professora de artes, na primeira série, levou em uma aula aquele livrinho infantil que conta a historia da Frida e algumas obras dela tmb, eu fiquei encantada com o livrinho e com a historia da Frida, minha mãe fala que cheguei em casa super animada pra contar pra ela a historia e tudo mais e eu acho bem massa que eu pude ter esse contato tão cedo e estudando numa escola pública! Depois vieram vários professores e acho que eu só não gostava muito dos que pediam pra gente fazer margem (sempre achei ridículo, detesto usar régua), no Ensino Médio tive aula com uma outra professora que eu gostava muito também, ela se chamava Marina e eu gostava dela porque ela gostava de dar aula, se empenhava em trazer coisas interessantes e acreditava no potencial dos alunos algo bem difícil de se encontrar nas escolas publicas.

Carolina Stary: Eu fui uma daquelas crianças que adoravam desenhar, recortar, colar e pintar, inclusive no Paintbrush e alguns outros softwares gráficos infantis. Não que eu sequer possa lembrar, mas minha mãe conta que meus desenhos mudaram muito quando entrei na escola, que a delimitação das tarefas estancou meu processo criativo e eu perdi um tanto da liberdade daquele fazer. Tenho uma foto do dia do “o que você quer ser quando crescer” fantasiada de artista, de pincel e godê. Curiosamente nenhum professor de artes me marcou, talvez só a birra de, já no ensino médio, ter aulas tão ruins de história da arte.

Isis Ribeiro: Eu era a aluna que pedia pra fazer desenho livre. Sempre adorei desenhar, pintar, criar coisas novas, mas as aulas de arte da escola me desanimavam profundamente. Eu detestava as limitações.

Luciana Rodrigues: A professora que me fez encarar a arte de forma diferente foi a da quinta série. A gente sempre espera que o ensino de arte em escola pública seja ruim, mas essa professora sempre bolava alguma coisa diferente em toda aula, desde escultura com argila até sentar de frente com um colega e tentar desenhar o rosto dele. Eu ficava empolgada pra cada nova aula e essa professora acabou sendo a minha preferida na época em que me deu aula porque eu me sentia muito inspirada com cada atividade nova.

 

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

Daiane Cardoso
  • Colaboradora de Artes

Nasceu em São José do Rio Preto e escolheu estudar Museologia no Rio de Janeiro. (Quase) formada em Comunicação Social pela UFRJ gosta de dança, pintura, poesia e seres fofinhos. Sonha em ser pesquisadora, mas não consegue parar quieta em um tema; para saber o dessa semana só perguntando mesmo.

Duds Saldanha Rosa
  • Coordenadora de Esportes
  • Ilustradora

Duds Saldanha Rosa, 22 anos, bitch with wi-fi, so indie rock is almost an art. Não sou parente nem do Samuel Rosa, nem do Noel Rosa, nem do Carlos Saldanha, mas gostaria de ser. Sou paulista-paraibana, designer, ilustradora e seriadora avídua. Faço yôga para aquecer minha mente e escrevo no Indiretas do Bem para aquecer meu coração. Doutora em ciências ocultas, filosofia dogmática, alquimia charlatônica, biologia dogmática e astrologia eletrônica. Cuidado: femininja e aquário com ascendente em virgem. Você foi avisado.

Sarah Roque
  • Ilustradora
  • Quadrinista

Sarah, 18 anos, ariana com ascendente em touro e quase todos os outros planetinhas em áries. Gosto de miniaturas, de plantinhas (pequenas) e de quadrinhos.

Carolina Stary
  • Ex-colaboradora de Tech & Games

Isis Naomí
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Ciência & Tecnomania
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Sociedade

Luciana Rodrigues
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Artes

Luciana tem 20 anos e é de Macapá, no Amapá, no extremo norte do Brasil. Cursa Letras na universidade federal do seu estado e é apaixonada por artes em geral, sendo a dança, o desenho e a pintura suas favoritas. Sonha em mudar o mundo com a ajuda dos seus gatos e tem certeza de que nasceu, além de índia, sereia de água doce.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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