10 de agosto de 2015 | Cinema & TV | Texto: , and | Ilustração: Gabriela Sakata
Dicas Netflix

Sabe aqueles dias que você tá com vontade de olhar alguma coisa no Netflix e gasta um tempão tentando achar um filme e acaba não vendo nada? Acho que todas nós já passamos por isso.

Essa lista com tópicos inusitados é pra tentar te ajudar a achar alguma coisa legal pra assistir.

 

  • Polêmica na certa

 

What happened, Miss Simone? (2015): Minha primeira reação ao ver esse filme foi achá-lo maravilhoso. Eu só conhecia algumas das músicas de Nina Simone e quase nada sobre a sua vida, então a cada revelação que o documentário fazia, eu ficava mais encantada com a cantora e, principalmente, com o seu lado ativista. Algum tempo depois de ter visto o filme, porém, li várias críticas a respeito da forma como o documentário tratou questões como a violência doméstica e a participação de Nina no movimento de direitos civis para as negras e os negros americanos. Muitas delas, quando pensadas com mais calma, fizeram sentido para mim, embora continuei achando que foi bom ter assistido ao filme e aprendido mais sobre a vida dela. No final das contas, ainda é um documentário que eu recomendo, contanto que se mantenha a visão crítica e que se tenha em mente que ninguém nunca deve ser culpado por sofrer violência doméstica e nem por fazer suas opiniões políticas serem ouvidas, mesmo que não seja a opinião agradável para o mercado.    

 

  • Não se preocupe se também não entender

 

Donnie Darko (2001): é um daqueles filmes que todo mundo que vê gosta e adora ficar falando sobre, mas entender é outra história. Donnie é um adolescente que se sente deslocado do mundo em geral e tem problemas em diferenciar a ficção da realidade (e muitas teorias loucas sobre o tempo e o espaço). O filme não foi um sucesso de bilheteria na época de seu lançamento, mas logo alcançou o status de cult.

 

  • Para sair com um nó na cabeça

 

Sentidos do amor (Perfect Sense, 2001): Um dos tipos de filme que eu mais gosto são aqueles que pegam uma situação extraordinária e a usam para dizer algo sobre o mundo atual. Sentidos do amor, filme de 2011 dirigido por David Mackenzie, é um deles: ambientado num mundo afetado por uma epidemia que causa a perda gradativa dos cinco sentidos, a história explora os limites da civilização e das relações pessoais quando desprovidas de meios de perceber a realidade ao seu redor. Vemos as mudanças do ponto de vista de Susan, que é parte do time que trabalha para controlar o vírus, e Michael, um chef de cozinha.

 

  • Para pensar o mundo

 

Doméstica (2012): É realmente impressionante como conseguimos entender muito sobre a cultura e a história de um país olhando com atenção para um microcosmo. Esse é o grande mérito do documentário Doméstica, de Gabriel Mascaro. O que o diretor fez foi pedir para que 7 adolescentes, de diferentes cidades e de diferentes classes sociais, filmassem suas empregadas domésticas. Aos poucos, vamos descobrindo sobre suas histórias, suas relações com as famílias para as quais trabalham e como são vistas por essas mesmas famílias. É um filme bastante pessoal, cada história ali é única, a “empregada doméstica” não é uma generalização, cada uma delas têm suas particularidades. Por outro lado, a soma de todas essas particularidades nos dão um quadro geral que diz muito sobre nosso país. Para mim, isso fica completamente evidente quando uma das adolescentes, na mesma frase em que diz que a empregada é parte da família, explica que ela dorme no quartinho dos fundos. Uma frase dita de forma despretensiosa, quase distraída, que é ao mesmo tempo extremamente simbólica.

 

A onda (Die Welle, 2008): Um filme que figura em muitas listas de recomendações cinematográficas por aí, mas que merece tanto essa admiração que é difícil não citá-lo. O filme alemão de 2008 acompanha o experimento social (baseado no experimento conduzido pelo professor estadunidense Ron Jones)  feito por um professor de ensino médio, Rainer, durante o seu curso sobre autocracia. A ideia dele foi mostrar aos alunos – convencidos de que uma nova ditadura na Alemanha seria impossível – o quão fácil é manipular as massas com base em ideias de superioridade e de uma identidade compartilhada. Uma ótima – e perturbadora – obra para entender o quão sucétiveis podemos ser a ideias extremistas.

 

  • Quero ser amiga das personagens!

 

Frances Ha (2012): Em um certo momento do filme Frances Ha, dirigido por Noah Baumbach, a personagem-título diz “I like things that look like mistakes” (Eu gosto de coisas que parecem erros). Essa frase descreve muito bem a trajetória de Frances, uma jovem de 27 anos, que parece tropeçar a cada passo, enquanto tenta colocar sua vida nos trilhos. Falando assim, o filme parece um pouco desanimador, mas na verdade ele é divertidíssimo. É que é muito difícil não ser conquistada pela personalidade da garota, enquanto ela tenta dar seu jeito de lidar com cada coisa que não sai do jeito que ela planejou.

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

Bárbara Camirim
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Camirim tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e acabou de se formar em Comunicação Social. Está aos poucos descobrindo o que quer fazer da vida. Gosta de cinema, séries, literatura e, na verdade, qualquer coisa que envolva ficção.

Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

  • Raquel

    Seria legal se vocês indicassem filmes dirigidos por mulheres e trans!

    • itismesomeone

      você quer dizer cis e trans?

  • itismesomeone

    Segui a recomendação de vocês e assisti Frances Ha, é muito gracinha, e foi muito esperto usar Modern Love na trilha sonora, combinou bastante. Acho que vou assistir os outros também.

  • Anne

    donnie darko é um dos meus filmes favoritossssssss <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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