23 de agosto de 2015 | Ano 2, Edição #17 | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Digestão? Enzima? Hã?

A comida que nós ingerimos é feita de toda sorte de moléculas importantes para nossa nutrição. Só que elas estão presentes de uma maneira diferente da que o nosso organismo consegue absorver, e é por isso que acontece o processo de digestão: para quebrar essas moléculas gigantescas em partículas menores!

Cada pedacinho do nosso sistema digestório é responsável por quebrar um tipo de molécula; algumas são tão grandes que precisam passar por esse processo duas vezes. Quem efetivamente faz isso são as enzimas. Elas são tipos específicos de proteínas e existem infinitas enzimas responsáveis por vários tipos de processos metabólicos no organismo. No caso da digestão, temos lipases que quebram gorduras, amilases que cuidam dos amidos, pepsina, tripsina e peptidases, que digerem proteínas, etc! Cada uma delas precisa de um ambiente ideal para trabalhar, então cada uma está em uma parte específica do tubo digestório. A amilase salivar, por exemplo, precisa estar em ambiente neutro, de pH aproximadamente 7, para funcionar: exatamente as condições existentes na nossa boca. Justamente por cada enzima agir em certa parte do tubo é que é tão importante que a comida não passe muito rápido por nenhuma delas.

O tubo digestório é o caminho que a comida faz dentro do nosso organismo e é a parte principal do sistema digestório. Temos ainda órgãos anexos que ajudam na digestão e estão conectados a esse tubo. A boca é, obviamente, a primeira parte do trajeto. Nela, transformamos moléculas gigantes de açúcar em moléculas um pouco menores, mas que ainda não estão prontas para serem absorvidas. A comida é mecanicamente triturada em pedacinhos menores pelos dentes, o que faz com que as enzimas ao longo de todo o percurso tenham mais contato com os fragmentos e ajam mais rápido. A língua empurra isso tudo goela abaixo, ou melhor, faringe e esôfago abaixo, até que alcance o estômago. A partir daí o peristaltismo, nome dado aos movimentos da musculatura lisa existente nesses órgãos, é responsável por transportar o conteúdo ao longo do estômago e dos intestinos até o final do tubo.

No estômago ocorre a primeira parte da digestão de proteínas através da ação da pepsina, que as transforma em peptídeos. A pepsina só funciona na presença de ácido clorídrico, que também ajuda a matar possíveis bactérias e corpos estranhos que possam ter chegado até aí, nos ajudando a prevenir doenças. Nosso organismo é tão inteligente que descobriu um jeito de se proteger da ação do ácido que existe aí: as paredes do estômago são revestidas de muco. Quando essa proteção não é tão efetiva, pode acontecer a gastrite.

Depois do estômago, a próxima parada é o intestino delgado, um tubo looooooooooongo que é dividido em três porções: duodeno, jejuno e íleo. É no duodeno que ocorre a conexão com os órgãos anexos mencionados lá em cima. O primeiro deles é o fígado, responsável por produzir a bile, mas a conexão não é direta. Entre o fígado e o intestino delgado existe a vesícula biliar, que armazena essa substância até que seja hora de ser lançada no tubo digestório. Nela existem sais biliares que envolvem as gorduras e facilitam a ação das lipases lançadas no duodeno pelo pâncreas. Já ouviu falar que quem não tem a vesícula não pode consumir muita gordura? É justamente por isso! Nessa parte do intestino ocorre também a quebra das moléculas de proteína que não foram atacadas pela pepsina do estômago através da ação da enterocinase, dos ácidos nucleicos (formadores de DNA e RNA) pela nuclease e das moléculas de amido que não foram quebradas pela saliva através da amilase pancreática. Existe também a produção de suco entérico pelo intestino, que ataca as moléculas que já tiveram sua digestão iniciada por todas essas enzimas já citadas. É aqui, por exemplo, que a lactose é digerida em uma molécula de glicose e outra de galactose! Por representar o órgão de maior extensão do tubo digestório, o intestino delgado também é responsável pela absorção de todas essas moléculas que acabou de quebrar.

Conhece alguém que teve apendicite? É na porção final do intestino delgado, o íleo, que o apêndice se anexa!

Na última parte do tubo digestório, o intestino grosso, acontece principalmente a absorção de água, dando consistência normal às fezes que serão evacuadas pelo ânus.

POR FALAR EM FEZES, sabia que elas podem te dizer um monte de coisas sobre a saúde do seu sistema digestório? Tudo que está no seu cocô são coisas que seu corpo não conseguiu absorver. Então, se ele está de uma cor diferente de marrom (cor da bile que seu fígado jogou no intestino delgado), alguma coisa está acontecendo! Pode ser que seja apenas o corante de certas comidas, tipo vermelho para beterraba, mas também pode significar algum problema sério. Nesse artigo do Buzzfeed (em inglês), eles mencionam o que um monte de cores e texturas diferentes significam. Amarelo geralmente é sinônimo de gorduras que não foram digeridas, verde pode ser porque o alimento passou rápido demais pelo intestino e não deu tempo à bile para agir, cocô branco ou pálido quer dizer que provavelmente sua vesícula biliar ou seu fígado tiveram algum problema na hora de secretar bile e preto é quase certamente algum sangramento no seu sistema digestório. As texturas diferentes têm tudo a ver com o tipo e a quantidade de fibras que você ingere, ou com a quantidade de tempo que o intestino grosso tem para absorver água. De qualquer maneira, se notar qualquer diferença é preciso consultar um médico gastroenterologista.

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

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