29 de fevereiro de 2016 | Cinema & TV, Colunas, Se Liga | Texto: | Ilustração: Isadora Carangi
Distopia nossa de cada dia

 

Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma “utopia negativa”[1] . As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, “caem as cortinas”, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações. São frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo. Nesse aspecto, diferem fundamentalmente do conceito de utopia, pois as utopias são sistemas sociais idealizados e não têm raízes na nossa sociedade atual, figurando em outra época ou tempo ou após uma grande descontinuidade histórica.

Já não é de hoje que temos um interesse pelo futuro e o que vamos encontrar nele. Existe muita utopia na projeção que fazemos para ele, mas ao mesmo tempo, a cada dia que passa, cresce o fascínio por uma sociedade distópica, seja ela com questões políticas fortes, um apocalipse de fato ou zumbis. Sociedades onde a população é categorizada de alguma maneira, onde pessoas morrem por conta de nada, ou uma parcela é trancafiada em algum lugar com algum propósito, seja ele de entretenimento ou de sobrevivência.

Para aguçar um pouco mais essa fome de distopia que vivemos por aí, preparamos uma lista de filmes e séries do gênero para caírem de cabeça:

 

Séries de TV

Black Mirror (2011)

Assim como quase toda série britânica, essa é curtinha: 3 episódios em cada temporada, mais um especial e doze episódios vindo na próxima temporada comissionada pela Netflix. Cada episódio tem um elenco diferente e ela mostra as consequências do uso de novas tecnologias.

Orphan Black (2013)

Uma das melhores séries distópicas atuais, veja a resenha completa aqui.

The 100 (2014)

97 anos após a terra ser dizimada numa guerra nuclear, cem jovens prisioneiros, que são considerados dispensáveis, são enviados a Terra numa missão para descobrir se ela está habitável novamente.

 

Filmes

Blade Runner (1982)

Clássico dos clássicos, com um Harrison Ford policial, esse conta a história de um futuro onde existem ‘replicantes’, que são androides biorobóticos com inteligência artificial, tão similares a humanos que só se consegue discernir um do outro a partir da condução de um teste de empatia, onde o replicante tem um padrão de resposta diferente dos humanos. É um filme com excelente discussão de ética. Um filme do Ridley Scott com diversas versões baseado no livro de Philip K. Dick. Meu conselho é: veja a versão extendida do diretor, que para mim é a melhor delas.

Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995)

Esse filme bem desconhecido, com o eterno Voldemort, Ralph Fiennes, é uma distopia que se passa no ano 1990, pouco antes da virada do milênio e tem como premissa que todos os seres humanos possuem um dispositivo em seus cerébros que grava tudo o que fizeram durante o dia, como se fosse um sistema de segurança pessoal. Além de ter um roteiro muito interessante, ainda é o filme pelo qual a diretora Kathryn Bigelow, que ganhou o Oscar e um BAFTA em 2009 por Guerra ao terror (The Hurt Locker, 2008), se tornou a primeira mulher a ganhar um Saturn Award de Melhor Diretora.

Cloud Atlas (1982)

Ao longo de vários séculos, pessoas são interligadas por algo em comum. As histórias vão se mesclando no passado, no presente e no futuro, e os atores se mesclam também. O elenco já é sensacional, e fica ainda mais quando você percebe que cada um deles faz tantos papéis que às vezes nem dá pra perceber quem é. Esse filme, pra mim, é uma obra prima. Ele discute tantos pontos importantes que eu nem sei por onde começar… ética, religião, moral, política, sexualidade.

Filhos da Esperança (Children of Men, 2006)

Um filme com a Julianne “amor” Moore dirigido pelo Alfonso Cuarón não tem como ser ruim. Num mundo apocalíptico, onde as mulheres vêm sendo inférteis anos a fio, uma mulher refugiada precisa de ajuda para entrar no Reino Unido, uma das poucas nações com um governo ainda estável. Acho que o filme ainda promove uma boa discussão sobre fronteiras e refugiados, principalmente nos dias de hoje. Além de ser um filme extremamente bem feito e com uma história super interessante.

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015)

Dispensa explicações do quanto é maravilhoso, mas vou deixá-las aqui.

Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go, 2010)

Baseado no livro de Kazuo Ishiguro, esse filme conta a história de três jovens que estudaram e passaram suas vidas em uma espécie de internato, sendo preparados para, na vida adulta, serem doadores de partes do corpo e órgãos para outras pessoas. Ele se baseia num presente nosso como se ele tivesse ido por outra “linha de tempo” então nem parece uma distopia a princípio.

V de Vingança (V for Vendetta, 2006)

Baseado nos quadrinhos homônimos, esse pra mim também já é um clássico do gênero distópico. Num futuro (não tão diferente assim) onde as minorias como homossexuais, judeus, muçulmanos, oponentes políticos etc são tidas como indesejáveis e presas em campos de concentração, uma espécie de ‘vigilante’, que se autodenomina V, tenta reverter essa situação com a ajuda da maravilhosa da Natalie Portman. Existem várias referências a Guy Fawkes, uma figura revolucionária relativamente importante na história do Reino Unido, entre outras referências dentro de distopias, como 1984, do George Orwell, ou acontecimentos reais como o nazismo e a própria Conspiração da Pólvora britânica de 1605.

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Gostei muito, mas acho que faltou uma listinha de livros, tipo Laranja Mecânica, Fahrenheit 451, 1984, Admirável mundo novo, etc 🙂

  • julie

    O Cloud Atlas citado é de 2012 não? O filme dirigido pela Lana e Andy Wachowski né?

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