10 de maio de 2014 | Edição #2 | Texto: | Ilustração:
Distúrbios do sono
Ilustração: Mariana Trigo.

Ilustração: Mariana Trigo.

Tomando café da manhã, ouvindo as notícias, com vontade de voltar para a cama sem saber se é falta de coragem de enfrentar a rotina ou reflexo da dificuldade de dormir na noite anterior. Quantas adolescentes passam por situações assim todos os dias? Nós da Capitolina fomos atrás de informações sobre distúrbios do sono e deixamos aqui para vocês!

Insônia

A insônia pode tanto ser a dificuldade de começar a dormir como também de voltar ao estado de sono interrompido. Em geral, aparece associada a outros problemas, que podem ser de saúde ou externos à pessoa que sofre dela. Isso quer dizer que às vezes a insônia é um sintoma de algo maior e que muitos fatores podem levar a esse mesmo quadro. O pediatra Gustavo Moreira, do Instituto do Sono de São Paulo, indicou baixo índice socioeconômico como um agravante para esse problema. Portanto, meninas pobres com dificuldade de acesso a direitos sociais tendem a sofrer mais desse mal do que outras pessoas.

O pediatra nos contou que há uma estimativa, baseada em dados de estudos feitos no exterior, de que 11% dos adolescentes sofram de insônia… Infelizmente, não há pesquisas abrangentes sobre o assunto no Brasil, mas é sabido que a insônia é mais frequente em meninas do que em meninos e que a porcentagem vai aumentando conforme a idade.  Meninas que já menstruaram são o maior grupo dessas estatísticas.

Mirella Andreotti tem 14 anos e desde criança apresenta dificuldades graves para dormir. Ela está no grupo de pessoas que não apenas demora para entrar no sono como também desperta à noite e passa horas sem conseguir voltar a ele. Perguntei se a insônia já tinha feito com que ela faltasse na escola. “Sempre vou pra escola. Sempre exausta. Mas vou”, respondeu. Mirella já tentou vários tratamentos, mas nenhum deles ainda deu o tão desejado resultado. Apesar de antes de dormir não ficar em contato direto com celular, televisão e computador, a jovem diz já ter reparado que os eletrônicos aumentam a dificuldade de pegar no sono.

Paralisia do sono

A paralisia do sono é um fenômeno que acontece durante o sono REM, que é o estágio mais profundo do nosso sono. Quem nos explicou isso foi a doutora Lia Bittencourt que também trabalha no Instituto do Sono de São Paulo. De acordo com a médica, a paralisia do sono acontece com uma falta de sincronia no momento de despertar. É como se a mente acordasse, mas o corpo ainda estivesse em sono profundo, o que pode ser parecido com a falta de movimento decorrente de uma lesão na medula.

Alguns estudos mostram que os adolescentes estão mais próximos desse distúrbio.  Na população em geral, a estatística é de 7,6%; já entre adolescentes é de 28,3% (quase quatro vezes mais comum!). Quando a paralisia acontece só de vez em quando, os médicos acham que não tem necessidade de intervir. O tratamento (inclusive com medicamentos) só acontece se ela é muito comum e leva o paciente a quadros de angústia.

Vale também mencionarmos a narcolepsia, porque a paralisia do sono pode estar associada a ela. Nessa doença, a pessoa é levada a ter sonolência excessiva ao longo do dia, alucinações no início ou no fim do sono e momentos de fraqueza muscular ou quedas quando está sob forte emoção. Esse distúrbio é raro e pode ser diagnosticado por médicos, isoladamente da paralisia.

Um pouco +

O fotógrafo Nicolas Bruno tem paralisia do sono desde os quinze anos de idade e, a partir da própria experiência, criou uma série fotográfica em que nos dá um pouco da dimensão desse distúrbio. (via Catraca Livre)

Bárbara Carneiro
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Ilustradora
  • Fotógrafa
  • Colaboradora de Esportes

Bárbara Carneiro mora em São Paulo, curte narrativas cíclicas, tem como gosto mais constante a cor amarela e cria um cacto no jardim.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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