16 de setembro de 2015 | Ano 2, Edição #18 | Texto: | Ilustração: Jordana Andrade
Dividir para conquistar

Eu sempre me achei meio relapsa com certas coisas da minha vida, até porque sou muito desorganizada (por natureza ou por ser de Sagitário?), e só agora acho que estou conseguindo dar conta da bagunça que há uns tempos cultivei aqui. No colégio fui a ~boa aluna~, até que não era mais, virei a mediana, e por aí vai. Acho que quanto mais eu crescia, mais encontrava outras coisas que, pra mim, mereciam mais atenção do que decorar a fórmula de Bhaskara. Hoje eu consigo me manter sozinha, tenho um plano de carreira (coisa que eu nem me ligava em ter), uma lista de objetivos riscados e uma lista maior ainda de outros objetivos para riscar.

Acho que não me arrependo de quase nada e sou muito orgulhosa pelo que me tornei, mas sempre tem aqueles dias em que eu já acordo com a cabeça afundada no travesseiro, com a vontade de desistir proporcional a minha preguiça de simplesmente levantar e ir viver a vida. Isso antigamente acontecia com mais frequência porque queria resolver tudo ao mesmo tempo, ser a mais rápida e viver nesse ciclo exaustivo que o resultado são dias chorando ou olhando pro nada. Tela azul. 

Meio que na marra aprendi que não adiantava tentar ser o estereótipo da mulher multitarefa. Eu comecei a colocar os meus objetivos numa balança, levar em conta o que me faria feliz e realizada e parar um pouco com o pensamento de “tudo não presta, blergh” para cuidar mais de mim e finalmente acreditar no potencial das minhas decisões, sem me basear em ninguém mais além de eu mesma. 

Pega um papel e caneta e faz uma lista dos seus maiores sonhos, suas vontades e começa daí. Qualquer coisa. Pode ser morar sozinha ou passar no vestibular. Aprender a andar de bicicleta, publicar um livro…  Pode ser que role uma bad vibes na hora que você parar para ler o que escreveu. Um pânico por pensar que é impossível dar conta de tudo aquilo. Mas por que complicar? Pode ser que neste semestre você queira muito entrar em um curso x que tem uma concorrência super alta – socorro! Então senta, respira e pensa: o que você precisa fazer para conseguir acertar todas aquelas questões?  Organização e calma. Que tal começar arrumando um horário flexível de estudos e destrinchar tudo em minitarefas. Não tem que ser exaustivo, tem que ter o seu ritmo. Nossas conquistas são feitas de passinhos que damos um dia após o outro. Comemorar aquelas últimas três horas estudando assistindo aquele season finale depois de todo mundo e se sentir o máximo por ter conseguido!

Não precisa ficar na agonia de resolver tudo ao mesmo tempo. Cada pessoa tem um ritmo, cada coisa tem seu tempo para acontecer. Apressá-las só cansa mais e frustra. Pega de novo o papel e caneta e anota tudo que tem que ser resolvido amanhã. Só pode fazer um item depois de concluir o anterior. Calcule um prazo para concluir toda essa lista dentro do seu limite. Pode acontecer de você ter que ajustar o prazo, e isso é meio que inevitável e muito importante para saber até onde você consegue ir, além de proporcionalizar as coisas. Saber que tem itens que você pode, sim, deixar para amanhã e não tem problema algum nisso. O que me leva pra próxima dica: não se puna e não se julgue incapaz por descartar projetos ou mudar totalmente de planos. Recomeçar é a chance de se conhecer ainda mais. Não adianta ter uma lista de projetos concluídos se nada daquilo te fez feliz e somou algo na sua vida. 

Por fim, tem que saber a hora de desligar, a hora de se divertir e a hora de só parar e olhar pro teto. Eu, por exemplo, depois de oito horas sentada em um cubículo tentando me superar nas minhas pequenas metas diárias, preciso chegar em casa e assistir, pelo menos, dois episódios de Masterchef (vou começar uma nova temporada agora! haha) e sete horas de sono. Quanto mais importante a conquista é para você, maior é a sua recompensa por ter conseguido alcançá-la. Na minha lista tem o começo do meu novo curso na faculdade, aprender a fazer rosquinhas com cobertura rosa e parar de roer unhas. Esse último item, na verdade, acabei de riscar e só por isso vou rever todos os episódios de My So-Called Life.

Ana Gabriela
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Audiovisual

Ana nasceu na Bahia em 1992. Ainda não descobriu o que vai ser quando crescer, mas aprendeu que isso não é motivo pra preocupação. Quanto mais tempo se descobrindo melhor. Gosta de ler a internet, escrever listas sobre tudo, de gatinhos e da sua cama.

  • Pausa Para Pitacos

    Ana, super me identifiquei com tudo o que vc disse.

    Acho que a desorganização é coisa de sagitariano mesmo viu… Pq eu sou muitoooo!

    Eu tento me organizar… E quando consigo, fico perdida. Me acho na bagunça, e fim.

    E há poco tempo fiz o que vc sugeriu. Sentei, respirei fundo, e perguntei a mim mesma – e aí, o que tu quer da vida, moça? E desde então, venho lutando por essas pequenas coisas… Desde beber mais água (isso tem sido uma luta diária) até a tentar um novo curso. Numa dessas, resolvi criar um blog. E cá estou! Rs….

    Adorei tua crônica!

    Beijos!

    Fabíola Carvalhais

    http://www.pausaparapitacos.blogspot.com.br

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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