17 de junho de 2016 | Sem categoria | Texto: | Ilustração:
Divulgação e ficção científica: dois lados da mesma moeda

Imagem: https://unsplash.com/photos/rmWtVQN5RzU

Muitas vezes, o que é mostrado na mídia e no entretenimento são reflexos diretos de como determinado assunto é entendido pela sociedade. Isso não poderia ser diferente quando o tema é ciência. Em uma pesquisa realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2007, 76% dos participantes responderam que se interessam por ciência. Será que isso é refletido na nossa produção cultural?

A ficção científica é o gênero que representa ou trata de assuntos relacionados à ciência no cinema, na TV, na literatura, nos quadrinhos. Quando pensamos sobre isso, podemos imaginar cenários futuristas, ETs, viagens espaciais, monstros como Frankenstein, desastres biológicos, etc. Você já viu elementos assim sendo utilizados na cultura de massa no Brasil? Pois é. Quase não existe ficção científica produzida no Brasil de maneira amplamente divulgada. Isso pode ser considerado reflexo da maneira como é feita divulgação científica no nosso país.

Pra muitos pesquisadores, a divulgação científica é uma subcategoria da comunicação científica, que é qualquer mídia produzida e que trate de ciência, desde artigos até filmes. A divulgação científica, especificamente, trata dos trabalhos que se propõem a levar o conhecimento científico além dos locais em que ele é criado. A coluna de Ciências da Capitolina, por exemplo, pode ser considerada um veículo de comunicação científica, enquanto a revista Science, que publica artigos de descobertas importantes é um veículo de comunicação científica, mas não necessariamente de divulgação.

A divulgação científica é importante porque ajuda a população a entender diversos aspectos da sua vida e a questionar, por exemplo, dietas miraculosas ou soluções bizarras para se livrar das formigas de dentro de casa.

Quando um assunto é de grande interesse da sociedade, seria de se esperar que existisse interesse de que houvesse produção cultural a respeito disso. Ainda assim, não existe uma grande oferta de ficção científica no nosso país. Franklin Rumjanek, da UFRJ, já mencionou em um de seus ensaios para a revista Ciência Hoje que uma possível explicação para isso seria que a divulgação científica que acontece aqui ainda é incipiente, em contraposto a do cenário místico (quantos filmes com aspecto religioso vieram à sua cabeça? Quantas novelas?).

A ficção científica é um importante instrumento de divulgação. É a partir dela que várias pessoas demonstram interesse em ciência, seja apenas como curiosidade ou como possível carreira profissional. Não seria muito mais legal que isso fosse feito de um jeito que refletisse o contexto do nosso país?

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

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