15 de abril de 2015 | Ano 2, Edição #13 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
E o tempo, hein? Será que chove?

Quando a gente fala em tempo, de cara pensa no tempo que passa. Mas o tempo meteorológico, na verdade, nem é tão diferente disso. Os estudos da atmosfera terrestre se baseiam, no fim das contas, em projeções temporais de vários fenômenos diferentes que se combinam de mil formas e criam o clima e tudo mais do jeito que a gente conhece.

Os egípcios já usavam a mudança na posição das constelações pra descobrir quando o rio Nilo estaria cheio ou não, e assim saber quando plantar. Na Grécia Antiga, Aristóteles escreveu um tratado chamado “meteorológica”, e por isso é considerado o “pai” da meteorologia. Ele já falava em ciclo da água e divisão do planeta em zonas climáticas, em 350 a.C.

A previsão do tempo como conhecemos foi sendo desenvolvida durante vários séculos. Só no início do século XX que surgiu a ideia de que é possível prever o tempo através de cálculos baseados em leis da natureza. A partir de 1950 esses cálculos passaram a ser feitos por computadores, e somente em 1960 foi lançado o primeiro satélite meteorológico, que disponibilizou as informações para o mundo todo.

Pra gente saber se vai ter que levar casaco pra rua ou se a vó tá sendo exagerada, pressão atmosférica, temperatura, umidade do ar e outros dados são coletados e analisados por supercomputadores, que geram previsões por probabilidade, e então um meteorologista analisa essas respostas e define a situação mais provável de acontecer.

Mas a meteorologia é uma área bem mais ampla, com várias subdivisões que vão se misturando (já que nada acontece sozinho). Dá pra separar os estudos por período de tempo, objetivo da análise (tipo meteorologia aeronáutica), pela técnica utilizada (com satélites, por exemplo), entre outros. Tem um vídeo do Neil deGrasse Tyson em que ele dá um exemplo disso, explicando a diferença entre tempo e clima (o vídeo é em inglês, mas é basicamente uma questão de escala temporal: o tempo é uma microescala, e o clima é uma análise a longo prazo).

Por ser uma área quase subjetiva e que depende de variáveis que não compreendemos totalmente, o meteorologista tem que saber quais dos dados rejeitar ou aproveitar, e isso que define um bom profissional.

Apesar de tudo isso, tem algumas coisas que ajudam a gente a entender o tempo onde quer que a gente esteja. Umas delas são óbvias, tipo ver se o céus está limpo ou não. Outras são mais específicas, tipo observar o formato das nuvens.

Existem vários tipos de nuvens, e algumas são um sinal claro de chuva, tipo a cumulus, aquela nuvenzona de desenho animado, que parece um algodão doce e costuma indicar pancadas fortes e curtas, e a stratus, que é tipo aquele tapetinho de nuvem no céu, e que pode ser sinal de chuva mais fininha e intermitente.

Outra coisa que a gente pode observar são as características gerais de onde estamos: desde o básico, como por exemplo a época do ano, o hemisfério, a zona térmica (se é tropical, temperada, essas coisas), e até se é perto do mar ou no meio do continente, ou se é na montanha, num vale, etc. Essas informações já dão pra gente uma ideia geral de como o tempo se comporta ali, e a partir disso já dá pra entender um pouco melhor o ambiente à nossa volta. É sempre interessante perceber como essas coisas se relacionam com os habitantes do local, a fauna, a flora, tudo isso. Numa viagem, por exemplo, a relação das pessoas com o clima costuma ser perceptível nos costumes, na culinária, e às vezes até em comportamentos específicos da população.

Muitas vezes a gente encara a natureza e seus fenômenos como coisas muito externas à sociedade contemporânea, mas a verdade é que, por mais que algumas pessoas tentem fugir disso, a gente está intrinsecamente conectado à forma como o planeta se comporta, e não o contrário.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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