8 de fevereiro de 2015 | Ano 1, Edição #11 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
É preciso pertencer: a importância das redes de apoio

Às vezes, até parece que a gente está sozinha. O mundo pode machucar de vez em quando. Aquela hora em que a gente está andando na rua e passa um cara assoviando, falando baboseira, assediando. Aquela hora em que alguém inventa alguma lorota na escola e isso acaba afastando as pessoas da gente, logo a gente que nem tinha feito nada, logo a gente que tava de boa no cantinho vivendo a vida. Aquelas horas em que a gente precisa contar com alguém.

É isso mesmo. A gente precisa contar com alguém. Não dá para passarmos a vida achando que podemos nos virar sozinhas o tempo todo. E não estou falando de se virar sozinha fazendo o próprio almoço, não é esse tipo de “se virar sozinha” – esse tipo, pelo contrário, é necessário! Eu estou falando de poder chorar no colo de uma amiga, ao invés de sozinha limpando catarro na barra da camiseta. Ou pelo menos nem sempre sozinha. É difícil? É. Acontece que, desse jeito, no final das contas tudo fica mais fácil.

Infelizmente, é recorrente que as meninas criem rivalidades entre si e não se unam. Fica um monte de panelinha para tudo quanto é canto, e todas elas falando mal umas das outras. Muitas vezes, nem sabem direito o porquê de não se gostarem. Um pequeno mal entendido pode se tornar uma intriga monstruosa e assim vão para o lixo os possíveis anos de uma amizade que poderia ter nascido, crescido, frutificado. Por isso, é importante dar uma chance: porque é só quando permitirmos que os laços se criem que teremos amizades fortes, confiáveis, que abraçam a ajudam. Aí, rapidamente, o sentimento de solidão acaba indo embora. Quanto mais redes de apoio nós criarmos, menos sozinhas estamos no mundo.

Mas como assim, rede de apoio?

Esse assunto já apareceu na Capitolina algumas vezes. Uma vez foi quando a Priscylla escreveu o Guia de término de namoro: aprendendo a lidar com um coração partido. Outra vez foi durante a entrevista com a Camila Furchi e a Mayra Rhayane, quando elas contaram que, para enfrentar a lesbofobia da sociedade, foi preciso se fortalecer e criar redes de apoio, ou seja, pessoas com quem se pode contar. A gente acha que não, mas na verdade existem no mundo diversas pessoas que entendem a gente. Que passam por situações semelhantes, que sofrem com histórias parecidas com as nossas, ou então que se solidarizam o suficiente para nos apoiar também. O mundo é grande. Grande o bastante para encontrarmos nele os nossos pares, as pessoas que nos entendem, nos ajudam e, acima de tudo, nos fortalecem. Sozinhas, é impossível sermos fortes. Ou pelo menos absurdamente difícil. Mas e quando a gente se junta? Vou recordar aqui de uma frase que li pela internet e que é muito bonita (se alguém souber a autora, me conta!): “as mulheres são como as águas. Crescem quando se encontram”.

Então isso significa que ter amigas que nos apoiam já é uma atitude feminista? Exatamente! E mais: significa não apenas que temos pessoas com quem contar, mas que também nos tornamos, nós, a rede de apoio de alguém. Isso tem a ver com a ideia de solidariedade feminista, que é crucial para que cresçamos e ajudemos umas às outras a sermos, juntas, mais fortes. É inigualável o sentimento de que, finalmente, pertencemos a algo. O mundo é repleto de vários mundos, com diversas comunidades e redes. Sempre tem alguma para a gente criar laços, ser acolhida e acolher.

E, se enfim entendermos que a enorme maioria das rixas entre mulheres são bobas e destrutivas para nós mesmas, talvez nesse momento nossa abertura só cresça. E as redes se tornem infinitas. As mulheres têm uma força infinita!

Helena Zelic
  • Coordenadora de Literatura
  • Ilustradora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Helena tem 20 anos e mora em São Paulo. É estudante de Letras, comunicadora, ilustradora, escritora e militante feminista. Na Capitolina, coordena a coluna de Literatura. Gosta de ver caixas de fotografias antigas e de fazer bolos de aniversário fora de época. Não gosta de chuva, nem de balada e nem do Michel Temer (ugh).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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