10 de janeiro de 2015 | Relacionamentos & Sexo, Sem categoria | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
E quando eu não sou desejada por quem eu desejo?

Uma hora ou outra na vida, você ouvira uma reclamação de algum conhecido de algo que todo mundo passará ou já passou em algum dia: quem eu quero não me quer.  Num determinado momento, quando você se vê gostando de alguém e esta pessoa não te corresponde (ou não mesmo nível, ou só um pouquinho) este questionamento atormenta. Perguntas sobre a personalidade (não sou legal? Será que sou chata? Sou muito efusiva? Falo muito alto?) ou sobre o corpo (Sou feia? Sou baixa demais? Sou gorda? Sou peituda? Tenho pouco peito?) surgem em forma de fantasma, que insiste em aparecer toda vez que o(a) dito(a) cujo(a) brota nas nossas vidas.

O querer tem a ver, aqui, com a vontade mutua de estar junto, do gostar.  É um desafio fazer alguém se senti confortável com sua presença, até porque isso vem com o tempo. Gostamos do outro por motivos que ninguém pode entender. O abraço, o papo e a forma como ela se veste podem ser critérios importantes, por exemplo. Claro que nem todo mundo que tem ou teve algum tipo de relacionamento contigo se apaixonou à primeira vista, há casos em que isso é uma construção e envolve algumas quebras de paradigmas. Mas até ai é fluido, é apropriado. Quando alguém não está tão afim (veja bem, isso é em qualquer relacionamento) e o nosso amor é unilateral, uma vontade de ser correspondida aparece e isso acaba se tornando uma competição.

O problema disso é que apenas um sai ganhando. Encarar qualquer tipo de relacionamento como uma corrida não é saudável para quem quer que o amor retribuído igualmente. Ninguém entra num jogo para perder, certo? E aí, algo que precisa ser natural e uma descoberta incrível,  acaba virando um placar de algo frio. Despertar desejo em alguém, seguir o manual de instruções para que este se interesse e te deseje por perto, vira algo relacionado a poder. E a linha de chegada vira um troféu, que provavelmente você vai colocar numa prateleira e pra esbanjar.

Algo importante que TEMOS que saber é que ninguém é obrigado a gostar de ninguém. A pessoa gosta de você porque sim. E forçar isso se torna chato para ambos envolvidos. Na verdade, ninguém quer ser forçado a nada, e tentar convencer o outro de que você vale a pena torna tudo mais cansativo, porque quem já tem uma ideia formada na cabeça, nesse caso, não vai mudar porque você o “convenceu”do contrário. Pode até se conformar, mas isso não dura.

E se por um acaso acontecer de você querer alguém que, no momento, não pode estar com você, assim como você queria que acontecesse, saiba que tem um monte de gente no mundo que podem ser mais interessantes que esta de agora. Eu sei, é difícil ser convencida disso quando o seu foco está naquele ser, mas você precisa olhar a sua volta. Quantas pessoas legais estão sendo deixadas de lado quando se escolhe UMA ÚNICA a ter algum tipo de relacionamento, que justamente não te quer? Entenda também que talvez o que você quer é TER a pessoa, exercer um domínio sobre ela. Mas será que isso é saudável para ti? Será que esta criatura vale tal esforço? E mais ainda, será que você precisa suprir algo dentro de si que está pessoa aparentemente pode preencher? O que seria então? São perguntas que devemos nos fazer antes de embarcar na conquista de algo que pode nos prejudicar. E lembre-se: se a pessoa em questão não te querer (seja como amigo, seja como namorado), você precisar se querer, se amar, se bastar. Convencer as pessoas de que somos dignas de sua companhia não é saudável para nós. Precisamos saber que somos mais que isso. E que amor não é uma competição, mas a gente ganha.

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

  • Carolina

    Texto incrível. Sugiro outro em sequência a esse: autoestima, amor próprio e culpabilização por não ter essa correspondência. Nos sentimos insuficientes para manter qualquer tipo de relação quando isso acontece.

  • Ewellyn Araujo

    Adorei, muito obrigada por estas palavras! Vou indicar às minhas amigas!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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