5 de abril de 2017 | Poéticas | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Em nome da ordem
mulherzinhaaa

EM NOME DA ORDEM

amor
é coisa de mulherzinha
mas também a solidão
coisa de mulherzinha feia e/ou carente
bem como as lágrimas, a dança, os backing vocals:
todos coisas de mulherzinhas,
várias delas.

a poesia
é coisa de mulherzinha
os livros de receita
o preparo do almoço
a louça suja
todas as etapas são
coisas de mulherzinhas
e somente delas.

a mistura do vermelho e do branco
que estampa objetos diversos
e roupas de bonecas
é coisa de mulherzinha.
a ponta dos dedos,
o manuseio,
a agulha e a linha,
são meticulosamente coisas
de mulherzinha.

o medo é coisa de mulherzinha
o trauma é coisa de mulherzinha
e as dores
e as ervas.

tudo indica que não nos cabe
a palavra plena e primeira.

tampouco os superlativos:
expressamente proibidos
em nome da ordem.

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Helena Zelic
  • Coordenadora de Literatura
  • Ilustradora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Helena tem 20 anos e mora em São Paulo. É estudante de Letras, comunicadora, ilustradora, escritora e militante feminista. Na Capitolina, coordena a coluna de Literatura. Gosta de ver caixas de fotografias antigas e de fazer bolos de aniversário fora de época. Não gosta de chuva, nem de balada e nem do Michel Temer (ugh).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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