4 de dezembro de 2014 | Artes, Literatura, Música | Texto: | Ilustração: Beatriz Leite
Embate entre a vida e a obra de artistas
Woody Allen é um dos maiores diretores da nossa era. Ele criou uma linguagem própria de falar sobre coisas da vida em seus filmes. Filosofias de vida no meio de uma conversa que parece entediante, mas para os mais atentos se torna uma lição de vida. Porém, em sua vida pessoal de Allen não é tão fascinante como em seus personagens e em sua direção e roteiro.  A  filha adotiva com sua ex-mulher,  Dylan Farrow, revelou ao mundo o que muitos já desconfiavam:  na mesma época em que Woody Allen foi homenageado no Globo de Ouro por sua obra, ela contava ao mundo via redes sociais os abusos sexuais que sofreu durante a infância por ele. Antes disso, Woody se envolveu em uma polêmica ao trocar Mia pela sua filha vietnamita adotiva, na época com 17 anos e casando com ela.

Não consigo mais ver nenhum filme do Woody,  até o recém-estreiado Blue Jasmine. Quando revi um filme que gostava muito, Noivo nervoso, noiva neurótica, não consegui assistir até o final por ter nojo da história pessoal de Woody Allen, que dirigiu e atuou no filme.  Woody não é o único artista que se envolveu em acusações machistas/homofobicas/transfobicas/racistas/pedofilas . David Bowie e John Lennon foram acusados de terem batido em suas esposas.  Iggy Azalea escreveu muitas vezes  frases racistas e xenofóbicas contra mexicanos, chineses e latinos em seu Twitter.  Pete Townshend, integrante do The Who, já foi acusado de pedofilia, assim como Roman Polanski, R. Kelly e Terry Richardson. Claudia Leitte já deu declarações homofóbicas.
Então, ao descobrir fatos ou ouvir rumores sobre a vida pessoal de famosos,  devo jogar todos meus CDs fora, parar de ver os filmes e apenas gostar de gente que nunca fez nada considerado problemático?
Mas o que é problemático e até que ponto isso influencia o trabalho do artista e como usufruir sua obra?
Enquanto você ama a obra de um artista, saber o que essa pessoa fez em sua vida pode influenciar sua visão sobre o trabalho dele/a. Estar inserido no ambiente artístico e adquirir fama funciona como uma lente de aumento: ações que passariam batidos com pessoas ao nosso redor são mega exploradas quando são protagonizadas por alguém famoso. Isso faz parte em deixar o artista num pedestal. Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, disse que não acreditava no amor do fã porque este amava a imagem que havia criado dele que não era a sua imagem real. É mais ou menos isso. Mas quais atitudes influenciam totalmente?
Temos coisas que, pessoalmente, não toleramos e isso atravessa como vemos um trabalho artístico.  Por exemplo, quando um artista aparece fumando maconha – para mim, que não tenho problemas com maconha, não me incomoda. Mas as vezes para você, pode ser horrível e diminuir a imagem pessoal do artista no teu ponto de vista. Continuar apreciando o trabalho desse artista ou não depende de como você interpreta aquilo que acontece na vida dos artistas.
Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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