26 de setembro de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Empatia com quem está mal

Quem nunca ouviu esta história de não poder ficar do lado de gente com “energia negativa” porque assim irá atrair este tipo de energia para você e estragar sua felicidade? Afinal atrai, né? Na energia negativa estão incluídas pessoas que reclamam sempre, tristes, negativas, depressivas, violentas etc. Neste momento não classificamos estas como pessoas, apenas como coisas ruins que não podemos ficar perto para não nos contaminarmos.

Sempre ouvi de pessoas depressivas ou com algum transtorno psicológico parecido como os amigos se foram, como se viram sozinhas e com poucos podia contar. Você só se dá conta de certas coisas quando isso acontece contigo, né? Passei por um momento desses, de desânimo e tristeza (não depressão) em relação a certas coisas. O que fiz, algumas vezes, foi falar com uma pessoa, alguém que achava que poderia contar certas coisas que entenderia. Depois de alguns “isso é besteira, você não está sentindo isso, basta fazer certas coisas que tudo vai melhorar”, ela já não estava mais lá. Sabia disso porque caso eu desabafasse sobre algo, palavras e respostas secas vinham. Sem muito amor ou abraço quente. Era quase um “me deixa no meu canto, por favor”.

Isso não aconteceu apenas comigo, contigo provavelmente já aconteceu. Quando algum amigo com o qual tem certeza que pode contar sumir após algumas conversas sobre tristeza. Claro, tem a nossa cabeça que é necessitada de atenção e unidade o tempo inteiro, então quando não a recebemos ficamos mal e achando que a culpa é nossa. E temos nosso medo, baseado na história que contei acima, de ser um peso a quem pouco tem a ver com isso. Mas até onde isso é real e não é?

Para começar, não somos pessoas tóxicas porque estamos tristes e precisando de um abraço. É necessário que todo mundo pare de classificar assim quem está neste estágio. Isso aumenta a culpa sobre os sentimentos não perfeitos e fazem com que seja criado uma capa protetora, quando na verdade é necessário colocar tal sentimento para fora. Porém será que precisamos mesmo colocar todo nosso peso em uma pessoa só? Que tal colocar um pouco do nosso sentimento em outros lugares, como em desenhos, textos, música, psicólogo etc? Claro, necessitamos sempre de alguém para contar, mas as outras pessoas também têm seus problemas e às vezes elas se afastam não porque não nos querem mais, mas sim porque também estão passando por um momento emocional não tão bom. E como ajudar o outro se nem mesmo o interior está de boa?

Para quem está do outro lado, da pessoa que está dando suporte para aquela que está carecendo, nunca, mas nunca mesmo, se afaste dela. Primeiro porque se afastar só faz piorar a condição na qual a pessoa está. É necessário estar ali. Saber ouvir, o que falar, abraçar quando precisar, estar presente. Para uma pessoa triste contar com este apoio é mais importante, às vezes, do que a pessoa fisicamente ali. E se por um acaso você não pode ajudar mais do que deve, avise a ela de uma maneira que fique entendido e que não seja ruim. Mostre suas condições. Se mostre presente. Isso salva, literalmente, vidas.

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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