11 de setembro de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Entrevista: Marina León – ilustradora de histórias

tapa marina
Capa do livro “Harald y Regina” de Marina León

Marina León nasceu em fevereiro de 1993, Buenos Aires – Argentina. Com ascendência cubana e brasileira, cresceu na cidade portenha como uma criança bilíngue (aprendendo melhor o português com os famosos gibis da Mônica).  Desde os 11 anos estudou com o desenhista e roteirista argentino Eduardo Maicas. Aos 18 começou os estudos de design gráfico na Universidade de Buenos Aires  (onde está até hoje), além de ter se interessado pela aquarela, técnica que desenvolveu com o ilustrador Oscar Rojas.

Eu conheci Marina através de uma amiga, a querida Ana (quem contribuiu bastante para essa entrevista). Uma das primeiras coisas que me falaram dela foi sobre seu livro, o qual estava prestes a ser lançado  através de financiamento coletivo.  O livro é em homenagem a seus avós, Harald e Regina Malschitzky, nascidos no interior de Santa Catarina (eles completam 50 anos de casados agora em 2014!!).

A Marina é, além de uma lindíssima pessoa, uma artista que eu admiro muito. Essa entrevista não deixa de ser a minha própria homenagem a seu trabalho e um pequeno presente por toda essa força que ela teve para chegar onde chegou! Vamos lá?

[não deixe de dar uma espiada no vídeo!]

B.: Primeiro eu queria te perguntar do processo de criação. Houve algum roteiro, storyboard… Como foi até chegar no resultado final?

M.: A verdade é que foi um processo longo. Eu tinha uns protótipos de alguns anos atrás, porque eu já tinha pensado em fazer algo pros meus avós. Eu deixei isso guardado na gaveta até que meu avô ficou doente. Foi aí que eu pensei “bom, é agora que tenho de terminar isso”. Então foi aí que comecei a perguntar para eles em que ano se conheceram, comecei a pesquisar mais sobre a historia deles.

marina livro
Dedicatórias 

B.: E por que seus avós? Por que desde antes essa ideia de fazer algo para eles?

M.: Não sei… Porque eles são um máximo [risos]!

B.: E a identidade visual? Como você chegou a pensar no material que ia usar, estilo e esse tipo de coisa?

M.: Bom, a verdade é que eu escrevi o projeto em 2011. E estamos em 2014. Entao passou muito tempo, tem poucos desenhos do original que sobraram. A maioria foi mudando… De 2011 para 2012 eu já tava desenhando diferente, por exemplo. Foi assim,  eu estava desenhando nessa época, gostando disso e nem pensei tanto na identidade. Ao longo do tempo foi mudando até eu terminar. Ah!, mas pensei nas páginas e como juntar o texto com as ilustrações, se iam ter páginas duplas ou não… Esse tipo de coisa.

B.:  Nossa, foi um processo de anos, né?

M.: Foram muitos anos! Acho que não é o ideal, se você quiser fazer um livro demorar cinco anos para fazer [risos]. Espero que o próximo seja mais rápido!

B.: Sobre o processo do financiamento coletivo: como você chegou nisso, quais eram suas expectativas?

M.: Na verdade eu terminei o livro também porque apareceu um concurso. Eu já tinha deixado abandonado ha muito tempo o projeto, sabia que ia voltar a isso mas não sabia quando.  Aí apareceu esse concurso e eu pensei  que era uma boa chance para terminar porque o prêmio era que publicassem o livro. Terminei, enviei pro tal concurso e obviamente não ganhei… Mas foi assim que eu comecei a procurar editoras. Fui falar com um professor da minha faculdade que falou para eu mandar o livro a um outro professor, o qual tem uma pequena editora. Eu demorei muito para enviar, fiquei com vergonha. Essa editora  publica livros de pessoas já formadas, professores… Eu pensava “quem sou eu para enviar?”. Mas então eu escrevi e ele aceitou a proposta sugerindo que entrasse no Ideame [site de financiamento coletivo] para poder pagar a publicação (já que é uma editora pequena).

B.: E você tinha alguma ideia de como era o financiamento coletivo ou o Ideame?

M.: Eu não confiava muito nisso. Eu pensava que as pessoas ajudavam os projetos mais por pena ou algo assim [risos]. Mas nada a ver! Foi ótimo, deu certo. No fim, foi bem melhor assim. Muita gente conheceu o livro antes mesmo dele sair, confiando às cegas. Todo mundo entrou no projeto comigo! As pessoas torcem por você, isso é muito emocionante.

B.: E qual foi a coisa mais legal que você aprendeu com esse processo… O que ‘cê absorveu, o que mudou?

M.: É, pois é, eu acho que é super importante ter conseguido lançar o livro, mas mais como uma porta para outras coisas. Porque antes eu ia nas editoras com alguns desenhos e “ah ta, que lindo tudo ótimo, vamos te ligar.” mas não ligavam.  Agora que eu tenho um livro eu acho que é diferente para eles – não pro resto do mundo [risos], mas para as editoras, sim.

B.: Sim, agora você sente que as editoras te valorizam mais.

M.: É, porque eu posso saber desenhar mas ser um desastre para a entrega de um livro ou algo assim. É outra coisa realmente fazer e terminar um livro. Agora é um pouco diferente porque eu já tenho uma publicação.

B.: E agora esse processo de venda e lançamento… Como tá? Quantos livros foram publicados?

M.: Foram  145 livros pro Ideame e 200 para vender por aí.  Eu sei que no dia do lançamento venderam muitos, mas eu também não tenho muita informaçâo disso. Ainda que das livrarias eu só fico com 10%… O livro custa 100 pesos [moeda argentina] e eu fico com 10, é nada isso, então nem faz tanta diferença.

B.: Pra finalizar… Tem alguma coisa que voce gostaria de adicionar que eu não perguntei… Ou algo a comentar?

M.: Deve ter mas agora eu não vou lembrar… [risos]

Quer dar uma olhada nos trabalhos? Mandar um parabéns ou fazer mais perguntas (que eu não fiz)?

Ideame (PT): http://idea.me/proyectos/17975/harald–regina?siteLang=pt-BR

Portfolio online: https://marinaleon.carbonmade.com/

Facebook: https://www.facebook.com/marinaladeanteojos

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Beatriz H. M. Leite
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Beatriz H. M. Leite, 21, é paulistana e mora em Buenos Aires. Além de cartas não enviadas, coleciona cartões-postais e histórias dignas de novela mexicana.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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