21 de fevereiro de 2016 | Colunas, Música, Se Liga | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
A mulher no Hip Hop: Entrevista com Rebeca Lane
rebeccalane-SarahRoque

A primeira vez que ouvi a poesia das músicas da Rebeca Lane era mais um daqueles dias você fica pulando de artista, ou de música no Youtube em busca de descobrir algo que te acompanhe por uma (ou mais) semana inteira, que preencha um vazio musical, e/ou que você ouça até enjoar de tão bão! Bem, então foi assim, tava eu lá. E quem me conhece sabe meus abismos por rap cantado em espanhol, então cês já sabem, né? Me apaixonei.
Rebeca canta poesia entre beats. Além de rapera (rapper) é guatelmalteca, feminista, bruxa, loba, poeta, anarquista, e mais um milhão de coisas boas.
Primeira música que tive o privilégio de ouvir foi Bandera Negra, é só pedrada (foi a única forma que consegui pra descreve-la). Primeira vez que ouvi foi só arrepios, isso sem falar das outras.

Ela é muito boa, né?
Ela não só aborda a questão da mulher do Hip Hop, e sim uma infinidade de temas, isso dá pra perceber bastante nas outras músicas do álbum CANTO (que é maravilhoso e o meu atual favorito). E isso tudo falando de questões sobre mulheres, não preciso nem falar das críticas venenosas ao capitalismo.

Aqui o maravilhoso Canto:

Tive o prazer grande de fazer algumas perguntas pra Rebeca sobre a questão da importância da mulher na cena do Hip Hop. Segue aí:
Pra você, qual a importância da representatividade da mulher no Hip Hop?
“Nós mulheres somos necessárias dentro da cultura Hip Hop pra manter um equilíbrio de energias. Até agora, temos sido uma minoria, e isso faz com que nossa cultura tenha muitas atitudes agressivas entre nós mesmos, pois existe uma competitividade para ser “melhor” que os outros. Nós temos outros tipos de práticas e valores que são necessárias para o Hip Hop. Por exemplo, nós compartilhamos conhecimentos e temos formas mais cooperativas de nos relacionar umas com as outras.“

Como você vê essa cultura? E como vê o espaço da mulher dentro dessa cultura?
“Os espaços exclusivamente femininos na cultura Hip Hop são muito importantes pois na maioria dos espaços mistos as mulheres são invisibilizadas. Quando nós nos unimos podemos compartilhar nossas próprias formas de aprender, podemos compartilhar nossos problemas, e encontramos amigas com as quais podemos nos entender em muitos aspectos. Nesses espaços aprendemos sororidade, e encontramos força individual e coletiva pra lutar dentro dos espaços mistos por um espaço que seja digno para todas nós.”

Como você lida com a misoginia nesse movimento dominado por homens?
“Na verdade, no Hip Hop se encontra de tudo! Assim como existem companheiros que não aceitam nossa forma de nos expressar, existem aqueles que aprendem a respeitar-nos. Como todos os espaços em que estive. Para mim tem sido muito importante criar os espaços nos quais quero estar. Se não me agradam os que encontro, crio espaços onde nós mulheres possamos nos sentir cômodas.”

Como você teve contato com o feminismo, como foi esse encontro? Foi pelo Hip Hop?
“Encontrei o feminismo através do teatro. Nosso objetivo era mostrar o que as mulheres vivem na sociedade. Tanto nas montagens das obras assim como na coletividade entre mulheres, me encontrei com o feminismo. Depois comecei a fazer rap com letras de empoderamento para mulheres, o que me fez encontrar muitos espaços onde fui aprendendo sobre as diversas formas de viver o feminismo. Aprendo de todas.”

O que você gostaria de dizer pras meninas que querem entrar nesse meio? Dicas e tudo mais.
“O Hip Hop é uma cultura que ajuda mulheres a se empoderarem. Dance, cante, misture músicas, faça beatbox, faça graffiti. Aprenda com outras, se una a outras como você.”

Fica aí a voz de mais uma artista maravilhosa.

Redes sociais da Rebeca:
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YouTube

PS: Se você é uma menina que tem vontade de soltar a voz, solta! Toda experiência é um aprendizado, né? E no final, as coisas sempre tendem a dar certo.
E lembrem-se que temos GIGANTES referencias nacionais no rap: Issa Paz, Sara Donato, Luana Hansen e Mc Soffia são só alguns exemplos delas. 

Isis Naomí
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