21 de maio de 2016 | Relacionamentos & Sexo, Sem categoria | Texto: | Ilustração:
[ENTREVISTA] SE DESCOBRIR TRANS: COM LUX RIBEIRO E OLIVER COSTA
[ENTREVISTA] SE DESCOBRIR TRANS: COM LUX RIBEIRO E OLIVER COSTA

Como descobrir quem se é? Descobertas assim nem sempre são tão simples, podem implicar numa porção de coisas. Eu entendo um bocado dessa sensação, acho que muitas de nós também, mas as experiências nunca são as mesmas. Semana passada, encontrei meus amigos, Lux (21 anos, travesti) e Oliver (21 anos, trans não-binário) pra conversar e ouvir o que eles têm a dizer sobre SE DESCOBRIR TRANS.

Abaixo, segue uma das vivências mais legais que eu tive aqui na Capitolina. Foi uma conversa muito bacana, em que aprendi e me identifiquei com muito. Espero que vocês também gostem!

Revista Capitolina: Como foi se descobrir trans? Contem suas experiências.

Oliver: Pra mim, me descobrir trans só foi possível depois que eu descobri que não precisava ser binário, porque nunca me senti homem. Aí, na minha cabeça, como só tinha homem e mulher, então, se eu não era homem, eu era mulher. Em algum momento entrei num grupo de Facebook e quando eu entrei postei lá, dizendo que era cis e tava lá pra aprender, entender, respeitar e não falar besteira. Eu fui lendo, achando legal, mas ainda tinha certeza de que era cis. E tem essa pessoa que é minha amiga que sempre que fica bêbada se chama de Rosana. Aí Rosana pra lá, Rosana pra cá e eu falei “Tá bom, então hoje quero ser Rodrigo”. Só que quando eu fui Rodrigo, gostei bastante, achei bem mais legal do que eu esperava achar. Às vezes quando eu ficava bêbado era Rodrigo de novo, e fui curtindo, comecei a pensar nisso de uma forma diferente, enquanto isso continuava lendo os textos do grupo. Teve um dia em que conversei com um amigo, falei, falei e falei e notei que de alguma forma eu já estava trabalhando isso em mim. Aí fui na TRANSemana, que é uma semana de visibilidade trans que rola entre a UFRJ e a UERJ. Entrei numa palestra, vi aqueles caras trans e aí que caiu a ficha e decidi: ou eu vou me enganar ou eu vou fazer alguma coisa com isso. Então teve a festa da TRANSemana e desenvolvi isso um pouco mais, conversei com a galera, fui pensando em nome, as pessoas foram sugerindo e eu fui desenvolvendo a ideia em mim. Essa foi a descoberta, mas ainda teve o processo de contar pras pessoas, pra família e tudo mais.

Lux: Desde quando eu era criança já era muito afeminada, e minhas amigas diziam coisas como “Você tá querendo ser mulher”. Mas, por causa da socialização e da misoginia, eu negava e ficava triste porque, na época, eu achava que ser mulher era uma coisa horrível, que feria a masculinidade que me era imposta. E como eu sempre aceitei meu próprio corpo, ser trans ou travesti não me parecia uma possibilidade, porque a ideia que eu tinha era de que ser trans era odiar o próprio corpo. Entrei na faculdade e até então tinha aquela visão muito tradicional de trans — na minha cabeça, não existia homem trans, mulher trans era quem fazia cirurgia e travesti era quem se prostituía. Aí entrei nesses grupos de Facebook também, pra entender melhor o que se passava comigo, porque eu já sabia que tinha alguma coisa estranha. Fui conhecendo, me senti contemplada pelo não-binarismo e me dizia agênero porque não me identificava com as imposições de papéis de gênero, além de nunca ter sido aquele estereótipo de feminilidade — não gosto de rosa, não gosto de roupa muito apertada, salto, esse tipo de padrão opressor. Só que aí eu fui me empoderando, saí da casa da minha mãe (ela nunca me aceitou, até hoje), comecei a usar roupas em que me sinto mais à vontade, falei com pessoas próximas de mim, mas muitas delas tinham e têm até hoje dificuldade em me chamar no feminino ou não me chamar pelo nome de registro. Foi um processo muito demorado, e acho que só esse ano eu comecei a ter mais clareza da minha própria identidade pra conseguir pensar nisso de uma forma concreta e passar externamente. Hoje em dia as pessoas estão se esforçando muito mais, porque eu me coloquei e impus a forma como queria ser tratada. Conversei com a minha melhor amiga, e meu ex também me ajudou muito a me aceitar.

O: Essa coisa da identidade é um processo muito difícil, até porque transmasculinidade quase ninguém sabe o que que é, e eu sinto que pra mim podia ser muito mais fluido e tranquilo do que tem que ser porque, se eu tô exigindo da sociedade que ela me chame diferente, então parece que eu tenho que, em troca, usar binder*, por exemplo. E eu não quero ter que usar, sabe! Parece que eu fico devendo alguma coisa. Às vezes, eu tô andando sem binder na rua e fico com medo de encontrar alguém e pensando “Caramba, e agora? Será que essa pessoa vai continuar me respeitando?” Eu não sigo nenhum estereótipo de masculinidade, não me identifico com isso e inclusive sinto saudade de usar vestido de vez em quando, e aí? Eu não posso mais usar porque senão as pessoas vão me respeitar menos?

L: É, porque aí vão ficar perguntando “Ué, mas você não era trans? Desistiu? mudou de ideia?”, quando não, gente, eu só queria usar um vestido, ué.

O: É, é só uma roupa, poderia ser outra também. Você vai se cerceando muito, precisa performar o seu gênero de uma forma que as pessoas entendam como válida.

L: E, às vezes, você mesmo se sente desconfortável de estar performando aquela coisa que não te contempla, limita sua liberdade, seu dia a dia, ter que pensar “Nossa, mas será que se eu usar essa roupa aqui vão me chamar certo?”.

O: E assim, hoje, a identidade que faz mais sentido pra mim é cara trans não-binário. Mas isso é tão cheio de possibilidades, e eu fico sempre meio confuso em assumir “Ah, é essa a minha identidade”. A respeito do nome pra identidade, o não-binário foi o que mais contemplou até hoje e eu acho que não é nem a palavra em si, mas o fato de eu realmente não ser mulher e realmente não ser homem, do fundo do meu coração. E eu quero, sim, que me chamem no masculino e isso é muito complicado porque, por mim, eu não me cercearia de forma alguma. Não quero que o nome seja Oliver pra eu poder usar tais roupas. Quero continuar a poder usar todas as roupas que eu quiser na vida e, sei lá, se eu quiser usar uma blusa justa, deixar o cabelo crescer, pintar minha unha, usar maquiagem. É bizarro porque mesmo quando eu faço meu máximo pra tentar parecer com o que querem que eu me pareça, não pareço e não vou parecer. Foi muito difícil pra mim entender isso, porque eu botava na minha cabeça que “Tô de binder, tô de bermuda larga, tô com tal tênis, agora tá ok”, mas na verdade não, eu não vou atender às expectativas dos outros, então vou fazer o que é melhor pra mim.

L: De todas as maneiras as pessoas te deslegitimam, né.

O: É, não tem nada que eu faça pra sociedade achar “tranquilo” o meu gênero.

L: Tem uma coisa que sempre acontece quando eu vou pra faculdade — às vezes, eu só quero usar um moletom, uma roupa mais larga e confortável e vou assim, né. E quando chego lá, as pessoas falam “Nossa, mas você tá homenzinho hoje”, mas não, não tô, eu só tô com preguiça, a fim de usar qualquer roupa!!

O: No fundo é isso, você não pode usar qualquer roupa, é uma liberdade que a gente quase não tem. Quer dizer, tem horas que eu não tô nem aí e boto sim a blusa justa com aquele short que eu gostava tanto que é curtinho, e qual o problema? Aí o que eu fiz — eu peguei a blusa justa e pintei o símbolo trans nela, então agora eu me sinto um pouco melhor quando uso ela na rua, que aí quando eu esbarro com as pessoas eu já fico “Ãaaa tá escrito aqui!! Não vai vacilar, né” *risos*. Eu fiz esse stencil e pintei em algumas blusas, e tem algumas horas que eu só me sinto confortável pra usar elas, porque tá estampado aqui!! Eu sou trans, sim, por favor só respeita isso, me veja como eu sou.

L: Mas tem muitas pessoas trans que se utilizam desses estereótipos em prol da própria segurança. Eu acho que para um cara trans, quanto mais ele é lido como homem, menos ele fica vulnerável a vários tipos de violência. E mulheres trans e travestis também — se você é passável como mulher, é praticamente ganhar na loteria. Claro que ainda fica exposta a outros tipos de opressão, mas menos a vários tipos de transfobia que pessoas como eu — que não têm “passabilidade cis” — sofrem, do tipo de te xingarem na rua, gritarem e tudo. De ter medo de morrer quando você só vai até a esquina da sua casa. Por isso, muitas mulheres trans colocam quilos de maquiagem — pra ficar mais “feminina” e as pessoas não perceberem que são trans.

O: Sim, exatamente, muitas vezes é uma questão de segurança de vida. Isso do homem trans que você disse é, na verdade, o grande medo de que alguém descubra. Vários homens trans que são passáveis estão numa situação de segurança enquanto as pessoas entendem eles como homens, e se elas entenderem que eles são trans não vão mais entendê-los como homem e aí eles ficam vulneráveis a muitas violências. Acho que isso é uma grande culpabilização da vítima.

RC: Mesmo sendo não-binário, como é que se chega nessa escolha pela troca do pronome, de passar a entender isso como parte de você?

O: Primeiro, foi tudo muito novo. Começou como um grande turbilhão, porque eu nunca tinha pensado nessa possibilidade na minha vida. Eu tinha muita certeza das coisas (de que era mulher) até descobrir o contrário. Então quando me descobri, fiquei muito tipo “Uou, onde é que eu fico nisso tudo? O que eu faço com essa informação?”, e agora a vida fazia sentido de outra forma, várias coisas se encaixaram melhor e minha sexualidade começou a fazer muito mais sentido depois que descobri que não era mulher. E aí, o pronome veio também como uma forma de cobrar as pessoas que me entendessem. Eu poderia ter ficado com outro pronome talvez, mas as pessoas já têm muita dificuldade de me reconhecer na vida e essa troca do pronome veio com uma identificação, mas acho que também tem a ver com uma coisa de reconhecimento. Na verdade, eu acho sempre muito complicado falar disso, porque tenho medo de dizer que parte da minha escolha de pronome tem a ver com me reconhecerem trans, porque aí eu não sei mais se vão me chamar certo. Eu tô sempre numa linha tão tênue de reconhecimento, que isso é uma coisa muito delicada pra mim. Eu fico sempre com muito medo de dizer que pode, sim, ter feito parte de um processo e quase uma estratégia pra reconhecimento porque no fundo, o pronome não é nada, é só um jeito de chamar. Se tivesse como não ter pronome, talvez eu gostasse mais. Como não achei uma opção acessível dentro da nossa língua, entre masculino e feminino, eu prefiro masculino. Mas é todo um assunto muito delicado.

RC: Entendi, mas também isso é como você quer se chamado e acabou, ninguém tem que ficar questionando isso, né?

O: É porque, na verdade, eu me questiono internamente. Mas são aquelas coisas que eu penso muito só comigo, porque como é que eu vou poder falar isso pra alguém? Eu não posso falar, não posso contar pras pessoas que escolhi esse pronome e não é porque eu senti isso desde sempre e é a “minha essência” etc. Porque ou é a minha essência e isso sou eu mais do que tudo, ou não é sério o suficiente pras pessoas respeitarem. Então é um campo minado. Você tem que ser muito calculista e fazer os movimentos certos, porque combinar o “ser eu” com o “ser reconhecido” é muito difícil. Pra eu poder me manifestar da maneira que eu me sinto melhor, ou eu não tenho reconhecimento, ou eu tenho que fazer isso de uma forma muito calculada pra que usar as roupas que eu quero, por exemplo, não invalide meu reconhecimento. É quase como “ou eu jogo tudo pro alto e faço tudo que eu quero sem dar a mínima pro que vão dizer, ou eu entro na paranoia de procurar uma maneira de existir numa boa”.

L: A princípio, eu não tenho problema com pronome nenhum. Tudo bem se me chamar no masculino ou no feminino, só que quando você fala “pode me chamar no masculino” as pessoas só vão te chamar no masculino. Só. Elas entendem que tudo bem, e daí pra frente começam a te chamar pelo nome de registro e esquecem tudo que você já conversou com elas. Em quem eu já conheço há muitos anos, eu só dou um toque e peço pra me chamar no feminino. Mas se eu tô com o meu irmão em casa ou minha melhor amiga, eu não me importo de jeito algum. Só que gênero é uma coisa social, né, em casa eu não tenho gênero nenhum e sou só eu. Mas socialmente, eu me importo que as pessoas me chamem no masculino e pelo nome de registro porque fica uma situação chata, e tem toda a coisa da identificação e do reconhecimento e de ter seu gênero legitimado. Quando as pessoas te chamam pelo nome de registro, elas não estão te respeitando. Não é como se eu achasse que o pronome feminino “reflete o que eu sou por dentro”, não é assim, isso não existe, um pronome é um pronome. Me sinto mais à vontade sendo tratada no feminino socialmente, mas não existe esse essencialismo. Não me importo que me chamem no masculino, mas, assim, né, não vamos avacalhar também.

RC: Oliver, eu sei que entre os seus amigos rolava uma brincadeira de beber a cada vez que erravam o pronome e eu achei isso incrível *risos*. Vocês podem falar um pouco mais sobre como foi contar pros amigos? Quais dificuldades vocês enfrentaram?

O: Essa brincadeira foi um método, uma estratégia pra descontrair dessa coisa do erro e também me sentir mais à vontade pra apontá-lo, porque, toda vez que alguém erra o pronome fica na minha cabeça “Errou. Errou. Errou”. Às vezes sinto que foi um erro inocente e fico tranquilo, mas tem as pessoas que erram de propósito e dá pra sentir a diferença. E as reações também, tem pessoas que erram e ficam “Desculpa, desculpa, desculpa, sério, desculpa”.

L: Eu fico com vontade de rir quando as pessoas fazem isso!! “Mas ele-ELA, ELA, ELA, ELA!!!!”, e eu fico só “Cara, tá tranquilo, relaxa”.

O: Às vezes até já esqueci, passa meia hora e a pessoa ainda tá “Nossa, desculpa, nunca vou me perdoar, desculpa”, mas poxa, só esquece, relaxa *risos*. Então, você vai sentindo. Mas tem várias pessoas que me impressionaram com o quão difícil foi quando eu me assumi. Tinham pessoas muito próximas que eu não podia nem imaginar que elas pudessem achar ruim ou não me aceitar de alguma forma. Pra mim não fazia sentido — “Ué mas a gente não é amigo?”. Eu sou a mesma pessoa, eu não saí de um casulo e emergi como uma nova pessoa, é só uma coisa que mudou.

L: Mas difícil de que forma? De não entender ou de errar tudo sempre?

O: Teve gente que disse que eu estava querendo chamar atenção, e foi uma pessoa próxima, sabe, coisa de na minha frente me chamar pelo pronome certo mas era só eu ir embora que fazia tudo errado. Aconteceu mais de uma vez comigo, de não acreditarem e dizerem “Mas você? Mas tal pessoa é muito mais masculina que você”, sendo que não é por aí, não pense que meu gênero vai ter a ver com os estereótipos do que deve ser cada gênero. Então era esse tipo de dificuldade, esse tipo de questionamento. Assim, tem várias coisas ditas “de mulher” que eu não gosto, então dessa maneira “faria sentido” eu não ser mulher, mas tem várias coisas que eu gosto também, então essas coisas não estão diretamente relacionadas. Eu não tinha problema com meu nome de registro até as pessoas me fazerem ter, porque começaram a usá-lo de maneira que me era nociva. Hoje em dia eu tenho medo das pessoas saberem meu nome de registro e me chamarem na rua porque, na teoria, eu não tenho nenhum problema com ele, mas as pessoas fazem o que elas querem com as coisas que elas sabem. Tiveram pessoas que foram ótimas também, que me apoiaram e foram muito importantes, mas muitas que foram difíceis e foi muito mais chato do que eu imaginei que pudesse ser.

L: Como eu sempre fui uma pessoa muito tranquila em relação a pronomes e essas coisas, acho muito chato ter que sentar e explicar “olha, eu sou assim e assado, prefiro ser chamada de tal jeito etc.”, então tive essa conversa com poucas pessoas na minha vida. Quando me perguntam eu falo, lógico, mas normalmente não. Foi uma mudança muito mais de dentro pra fora do que de fora pra dentro. Eu mudei meu nome no Facebook, já fiz várias postagens em relação a ser trans, pedi pras pessoas usarem pronome feminino e aos poucos elas foram pegando essas coisas. Então comigo não teve essa parte de contar pras pessoas, ainda tá sendo um processo um pouco devagar porque não quero me forçar e nem forçar as pessoas a nada também. Acho isso chato, acho que pode acabar desfazendo laços e não que não seja importante, mas ir fazendo aos poucos foi só um jeito que achei melhor pra mim e, até agora, tem sido muito positivo. Nunca aconteceu isso de trocarem de propósito pelas costas, as pessoas que trocam o pronome é na minha frente e sem querer. Mas é tranquilo entre aspas né, há situações em que você fica desconfortável, mas aí você conversa. Esse processo de contar e da aceitação foi de boa pra mim. Até porque, antes de eu contar e começar a assumir, fui tirando várias pessoas tóxicas da minha vida pra ser uma coisa mais segura, mais confortável pra mim.

O: Teve um momento em que eu fiz textão no Facebook, tentei dar uma resumida geral em tudo e aí que foi meio que a minha despedida do meu perfil antigo e deixei o link novo pra quem quisesse adicionar. Foi minha maneira de entregar pro mundo — quem quisesse saber, ia ler lá e pronto, eu não devia mais nada a ninguém.

RC: Tem mais alguma coisa que vocês gostariam de dizer às leitoras da Capitolina?

L: Uma coisa que é importante é que, atualmente, sempre que as pessoas falam sobre ser trans elas dizem “Desde criancinha eu senti que eu era”, mas eu não senti. Sempre fui uma criança feliz, eu estava feliz com o meu gênero masculino, só não estava feliz com todos os estereótipos que queriam que eu atendesse sendo homem. Coisas do tipo gostar de futebol, que eu nunca gostei, mas até então ser homem era de boa. Pra mim, a construção de gênero foi uma coisa bastante social e não foi muito tipo “minha essência” ou “senti que era isso”, foi uma construção do tipo “Eu sou lida dessa forma, eu me sinto dessa forma, isso me contempla mais”, entendem? É que as pessoas usam muito essa coisa de essência, de sentir, e nem sempre vai muito por esse caminho. Existe uma pluralidade de transgeneridades e cada um constrói sua identidade da sua forma, então não precisa se afobar, não é ou-isto-ou-aquilo.

            O: É importante ressaltar isso, porque vem de formas muito diferentes. Pra mim também não teve nada a ver com essência, foi muito social mesmo. Em algum momento, eu acho que encontrei alguma coisa que contempla mais como eu me sinto na vida. Isso de não ser homem nem mulher é a negação que mais me define, porque eu não consigo me ver como uma afirmação.

Muito obrigada, queridos! Adorei conversar com vocês <3

* binder = acessório utilizado debaixo de roupas para esconder os seios.

 

  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Eu ainda tenho muita dúvida na diferença de o que é ser trans e o que é ser travesti e morro de vergonha de explicitar, mas será que alguém poderia me ajudar com isso?

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