4 de dezembro de 2014 | Edição #9 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Entrevista: Sou adotada, e agora?

 

Ser adotada é uma informação clandestina, algo que algumas meninas escondem para as pessoas mais especiais saberem. Claro que não são todas, há outras que falam sobre isso mais abertamente, mas existem aquelas que guardam muito bem isso .

Descobri que a entrevistada, com a qual convivi por um tempo, é adotada numa espécie de segredo. Ela me contou baixo numa conversa aleatória e foi um voto de confiança à nossa amizade, que já tinha um tempo. O fato de ela não contar para todos e não manifestar algum complexo em relação a isso mostra algo que ajudará a todas: aceitação e amor à sua família de coração. Chamei-a para falar um pouco mais sobre a adoção, suas dúvidas e seus sentimentos em relação numa entrevista. E como ela não conta isso a todo mundo, seu nome permanece em segredo.

 

Como ficou sabendo que era adotada?

Minha mãe me contou tudo quando eu ainda era criança.

 

Você tem vontade de conhecer os pais biológicos?

Minha mãe faleceu no parto e eu fui dada para adoção, sendo assim, nunca tive vontade de conhecer nem meu pai nem meus avós biológicos, já que eles não me quiseram quando eu nasci. Com relação à minha mãe, essa sim eu tenho curiosidade pra saber como ela era, mas o único contato que posso ter com ela é através das minhas orações.

 

Chegou a procurar algo sobre?

Quando minha mãe me contou que eu era adotada ela me contou tudo que sabia sobre meu nascimento e sobre meus pais, mas eu nunca procurei saber nada sobre eles e nem sobre os familiares deles.

 

Você pensa em uma vida com sua família biológica, numa espécie de ilusão de como seria?

Não, eu nem me imagino vivendo longe dos meus pais (não os chamo de pais adotivos, simplesmente porque não os vejo assim). Sem eles eu não seria metade do que sou hoje.
Você é feliz em ser assim?

Muito! Eles me deram carinho, educação, valores e tudo que uma criança precisa para crescer saudável e feliz. Eles não são perfeitos, mas eu sei que fizeram e fazem tudo que podem por mim.
Você já sofreu algum preconceito por ser adotada?

Não.

 

Você conta isso a todo mundo?

Não, talvez seja por isso que eu nunca tenha sofrido preconceito, já que muitas pessoas sofrem com isso.

 

Você tem tratamento diferente da sua família por ser adotada? Você sente isso?

Não tenho, nunca senti isso.
Como você compreende a adoção?

Amor. Amor por um ser que não saiu do ventre da mãe, mas sim do coração e de uma escolha feita pelos pais. Além de ser a solução para muitos casais que não podem ter filhos biologicamente.

 

O que te ajudou quando descobriu que era adotada? Algum livro\autor\cinema que indicaria?

O que me ajudou foi o amor que recebi, nada além disso. Não procurei ler nem assistir nenhum filme sobre isso, a adoção nunca foi um problema pra mim.

 

O que diria às meninas que sentem este tipo de conflito por serem adotadas?

Elas devem se sentir lisonjeadas porque foram escolhidas pelos seus pais, filhos biológicos não têm esse privilégio. E que se elas, diferente de mim, têm curiosidade de conhecer seus pais biológicos, que vão atrás e que procurem não sofrer se essa busca nunca terminar, pois elas têm pessoas que as amam, enquanto muitas crianças que foram abandonadas não tiveram e não têm essa mesma sorte.

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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