26 de março de 2015 | Edição #12 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Quando a paz guiar os planetas: a Era de Aquário
Ilustração: Clara Browne

A Era de Aquário é o que chamam na Astronomia de uma Era Equinocial, e tem a ver com a rotação da Terra e a posição do Sol no céu no dia do equinócio de março. São 12 eras, uma pra cada constelação zodiacal. Essas eras duram cerca de 2 mil anos, e existem várias controvérsias a respeito do momento exato em que ocorrem as transições.

Parte do motivo para isso é uma divergência na forma como astrônomos e astrólogos fazem os cálculos: astrólogos dividem as 12 casas igualmente, enquanto astrônomos levam em consideração as variações de distância entre as constelações. A Era de Aquário, por exemplo, para alguns só vai chegar lá pro ano 2400. Para outros, chegou na década de 1960. Uma das datas mais citadas é 4 de fevereiro de 1962, quando teria havido uma conjunção de planetas que teria anunciado esse momento de passagem.

Toda troca de eras, astrologicamente, traz consigo mudanças. Por diversas características do signo zodiacal de aquário, essa próxima era é considerada uma de transformação, que trará paz e harmonia, evolução espiritual, entre outras coisas. Tem todo um caráter meio místico associado à Era de Aquário, que é muito associada ao movimento new age, e ao movimento hippie.

O New Age propõe um novo modelo de consciência moral, psicológica e social e, junto com o movimento hippie, que tinha ideias semelhantes, trouxeram desconforto para muitos nas décadas de 60 e 70, em parte por baterem muito de frente com as ideologias da sociedade no momento. O mundo estava num momento pós-guerra, e todo o horror e violência do conflito, especialmente para os mais jovens, não se justificava da forma que a sociedade queria acreditar.

Depois da Primeira Guerra Mundial, a sociedade teve uma resposta voltada para a racionalização – a melhor forma de contornar aquela barbárie seria entendendo e pensando sobre ela, e um mundo mais “certinho”, de certa forma, ajudaria nisso. Depois da Segunda Guerra, a resposta foi mais pra outro lado: poxa, a gente pensou tanto, achou que tinha resolvido e ainda assim aconteceu de novo uma guerra que matou milhões e destruiu países e famílias etc? Então racionalizar não ajuda tanto assim, né. Talvez a saída esteja mais voltada para o emocional, para o abstrato. E essa coisa de sentimentos, emoções, na nossa sociedade tão cartesiana, tende a ser encarado com muita estranheza. Pessoas muito emotivas são consideradas na sociedade como desequilibradas (especialmente as mulheres, né), então movimentos que pregam que a sociedade deva investir mais nesse lado eram uma quebra muito grande na norma.

A juventude já tem uma tendência a não ser levada a sério: é considerada imatura e tratada muitas vezes de forma condescendente. Quando ela se levanta contra as normas vigentes, essa subestimação é ainda maior. Esse movimento que ganhou forças com a possível entrada da Era de Aquário era visto como bobagem, desvarios de jovens que acham que entendem do mundo.

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Um dos maiores exemplos desse movimento é o filme/musical Hair, que inclusive ajudou a espalhar essa nova ideologia pelo mundo. Usando a Guerra do Vietnã como pano de fundo para mostrar a barbárie e a incoerência dos conflitos e de como a sociedade se comporta, o filme faz sucesso até hoje, com sua mensagem de harmonia, paz, amor e confiança.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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