19 de abril de 2015 | Ano 2, Edição #13 | Texto: | Ilustração:
Era uma vez…

Lá no meio da via láctea, num canto do universo, estamos nós, no nosso planetinha. Terceiro mais próximo do sol, a Terra tem características únicas no nosso sistema, pelo menos até onde sabemos. A principal delas é que, atualmente, abriga formas de vida.

Temos cerca de 4,6 bilhões de anos, segundo a teoria evolucionista.

Esses anos são divididos pela escala de tempo geológico, que foi criada para ajudar a gente a entender o planeta. A geologia é uma das chamadas ciências da Terra e estuda a história e vários aspectos físicos e propriedades do nosso mundo. Ela é responsável, por exemplo, por essa escala de tempo, que divide o tempo de vida do planeta em etapas.

superéon –> éon –> era –> período –> época –> idade

O superéon pré-Cambriano é o mais antigo, e o responsável por quase 90% do tempo de existência da Terra, mas a gente tem poucas informações sobre ele. Só nos últimos 50 anos é que começaram a encontrar fósseis e outras coisas dessa época, e mesmo elas estão bem danificadas – o que não é estranho, né? Faz tempo à beça.

O éon Fanerozoico, que vem logo depois do pré-Cambriano, é o de maior abundância de vida, e vai até os dias de hoje. Dentro desse éon, tem três eras: o Paleozoico, o Mesozoico e o Cenozoico. As eras são caracterizadas pela forma como os continentes e os oceanos se distribuíam, e também pelos seres que viveram nelas.

O Paleozoico aconteceu entre uns 542 a 245 milhões de anos atrás. Ele é dividido em seis períodos, e durou quase metade do éon Fanerozoico. Nessa época, a crosta se dividia em seis massas continentais principais. Na fauna, dois grandes eventos aconteceram: no começo, a chamada “explosão cambriana”, na qual surgiram vários filos (uma das classificações mais amplas de animais) e no final, uma extinção maciça que dizimou 90% das espécies da época. Os dois não têm explicações claras que a gente conheça.

O Mesozoico veio em seguida, e teve três períodos. Um deles é o mais famoso do nosso planeta: o Jurássico, ou a época dos dinossauros. Foi nessa era que a Pangeia, o supercontinente que unia todas as massas de terra da Terra, começou a se separar. Por causa disso, o clima mudou bastante, o que causou várias alterações na fauna e na flora. O mar começou a subir e dividiu os continentes, e com isso a umidade nesses lugares, onde antes não tinha água, aumentou um monte. No Mesozoico que surgiram as primeiras flores. Também apareceram os primeiros mamíferos e aves, mas quem mandava mesmo eram os répteis, que evoluíram pra caramba nesse momento.

O Cenozoico se iniciou a 65 milhõs de anos atrás. Foi então que a crosta da terra assumiu forma atual, e surgiram as grandes cadeias de montanhas: os Alpes, os Andes, o Himalaia. Com os continentes já se dividindo praticamente da forma como conhecemos hoje, a fauna e a flora, antes conectadas num supercontinente, começaram a evoluir mais separadas. Por isso que a gente tem, por exemplo, na Austrália, uns bichos muito diferentes: o continente se separou do resto há mais tempo, e só foi ter contato com a outra parte de novo quanto os humanos começaram a ir pra lá e pra cá.

A Idade do Gelo, que parece uma coisa que aconteceu lá nos primórdios da história da Terra, ocorreu na verdade entre 2 e 11 milhões de anos atrás. Os seres humanos, então, só aparecem lá pra 450 mil anos atrás. Quase nada, se comparado à história do planeta.

Supercontinentes

O mais conhecido é Pangeia, mas já existiram vários. Sua formação é um processo cíclico, que se repete na história do planeta. Os supercontinentes surgem por causa de eventos no manto do planeta, que vão gerando o movimento das placas tectônicas – aquelas divisões na camada mais externa do planeta sobre as quais a gente aprende em algum momento nas aulas de geografia – e fazem com que as massas de terra se movimentem e eventualmente se “unam”.

Essa atividade é que fez com que o mundo seja como a gente conhece hoje. Não só os continentes, como as montanhas e até os oceanos atuais se formaram durante milhões de anos de movimentação pra lá e pra cá da crosta terrestre. O oceano atlântico, por exemplo, é super jovem: tem só 130 milhões de anos, já que só se formou quando a Pangeia, o último supercontinente, começou a se separar. Algumas formações de hoje em dia já são mais antigas, tipo os Andes e o Himalaia, por exemplo. Assim como o Grand Canyon: a forma que a gente conhece hoje é bastante recente, começou a se formar uns 17 milhões de anos atrás. Mas o que ele tem de interessante mesmo é que o Rio Colorado foi erodindo as rochas na região, e o movimento de placas na região foi expondo camadas e mais camadas de rochas mais antigas, que trazem um monte de informações sobre outras eras. Isso é o que chamam de estratigrafia, que é o estudo dessas camadas de rocha pra descobrir informações sobre os eventos que as formaram.

A estratigrafia, junto com outras áreas, como a paleontologia, a própria geologia e várias outras, é o que ajuda a gente a entender como funciona o planeta em que vivemos – e também explorá-lo: essas áreas são superimportantes pra extração de petróleo, por exemplo. Assim, além de matar a curiosidade e conseguir recursos, de repente conseguimos prever pra onde vão as coisas agora. A intervenção humana altera bastante coisa, até mesmo o clima. Mas até pra saber o que estamos alterando, precisamos saber como deveria ser. Os processos que acontecem na Terra são muitos, e muito complexos, e provavelmente a gente nunca vai entender completamente. Mas é importante se preocupar com isso, pra gente não destruir tudo só por achar que vai ficar tudo bem, ou que isso não tem importância. No fim das contas, essa é, pelo menos por hora, nossa única casa. Melhor cuidar direito, né?

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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