22 de fevereiro de 2016 | Ano 2, Edição #23 | Texto: | Ilustração: Ana Maria Sena
Escapismos prazerosos: como equilibrar a nossa rotina?

Um dos meus maiores prazeres é comer algo delicioso enquanto assisto alguma série. O problema é que às vezes sento para ver um episódio de uma série e acabo assistindo uma temporada inteira em apenas uma noite. Fazer isso de vez em quando é legal. O problema é quando esse pequeno prazer vira um escapismo. Outro tipo de escapismo prazeroso sem muito peso na consciência é aquela olhadinha no celular antes de dormir que dura aproximadamente uma hora e meia. Ou abrir o leitor eletrônico para ler um artigo importante para o mestrado e acabar lendo metade de um livro infanto-juvenil maravilhoso sobre uma garota com uma doença terminal que com certeza me causará fortes emoções, mas dificilmente será cobrado em alguma das minhas obrigações futuras. Ou passar na farmácia para comprar um remédio e acabar comprando três esmaltes novos que não estavam dentro dos meus gastos.

A verdade é que os pequenos prazeres podem se acumular no dia a dia e interferir na minha rotina e metas pessoais. Afinal, preciso estudar, trabalhar, escrever para a Capitolina, me exercitar e tenho certa preocupação com minha alimentação. Mas ter prazer no cotidiano e simplesmente eliminar essas atividades da minha vida não é necessariamente a única solução. Toda semana reflito sobre quais são as minhas obrigações e quais são as coisas que gostaria de fazer. Dentro dessas duas categorias, sem fugir muito, posso incluir um tempinho para meus pequenos prazerem sem cair no escapismo (uma das coisas que tem me ajudado muito a fazer isso é o bullet journal).

Uma das soluções que encontrei foi muito influenciada pela Luiza Vilela, coordenadora da sessão FVM. Não queria eliminar assistir séries comendo coisas gostosas da minha rotina, mas me preocupo com a minha alimentação. Então, toda semana tento cozinhar uma refeição gostosa que vou poder comer por pelo menos mais uma refeição durante a semana. Às vezes deixo de sair ou fazer alguma outra coisa para me dedicar a isso. É terapêutico, aprendo a cozinhar, ajuda o orçamento de casa (comer fora pode ser caro!) e posso comer enquanto me atualizo no episódio mais recente de Broad City.

Essa é uma solução para um mar de escapismo. Organização pessoal é difícil e às vezes pode ser chato. Existem outras coisas que tive que mudar, fora as que ainda preciso mudar. Sei lá, aquela “fazeção de hora” conferindo o Snapchat/Instagram/Twitter/Facebook é realmente um prazer ou é só escapismo? Será que não seria mais prazeroso conversar por Skype com uma amiga que mora longe? No fim, acho que a gente melhora e até aprende (!) a se organizar melhor, terminando a semana satisfeitas tanto com os prazeres quanto com as nossas obrigações.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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