19 de setembro de 2015 | Literatura | Texto: | Ilustração:
Escritoras do Mês: entrevistas com Julia Quinn e Sophie Kinsella!
Eu e minha miga: Julia Quinn

A Bienal do Livro Rio deste ano contou com a presença de vários nomes internacionais de peso e nós tivemos a chance de conversar com duas autoras que atraíram centenas de fãs ao Riocentro nos dois sábados do evento. Ambas são referências nos gêneros em que escrevem e já tiveram suas obras traduzidas para dezenas de idiomas. Estamos falando de Julia Quinn (a moça que está à direita, ao meu ladinho, na foto acima <3) e Sophie Kinsella!

 

JULIA QUINN

Após se formar em Harvard em História da Arte, a americana Julia Quinn – pseudônimo utilizado por Julie Pottinger – decidiu mudar de área e tentar ingressar na faculdade de medicina. Para isso, ela precisaria ainda estudar por mais dois anos, durante os quais acabou escrevendo dois romances de época. Pouco depois de ser aceita na escola de medicina de Yale, recebeu a notícia de que seus livros haviam sido vendidos após uma disputa em leilão entre duas editoras, o que a fez adiar ainda mais o início da faculdade. No fim das contas, ela acabou desistindo da medicina e se dedicando à escrita em tempo integral.

 

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Julia Quinn dando autógrafo na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro (Foto: Roberto Filho)

Seus romances se passam na Inglaterra no início do século XIX e são sempre focados no desenvolvimento de relações amorosas entre casais. Quinn é uma feminista declarada e sempre tenta equilibrar as restrições da época com ideias de empoderamento feminino, portanto suas mocinhas são moças fortes e inteligentes, que de fato tomam para si o protagonismo de suas histórias.

Outro aspecto interessante em seus livros é o relacionamento entre personagens femininas. “Acho que é importante mostrar companheirismo entre mulheres, seja com uma amiga, uma irmã, uma mãe ou uma prima. Em muitos romances você vê uma mocinha que é perfeita enquanto todas as outras mulheres no livro são más. Quero mostrar que é normal mulheres serem amigas.”

Na última conferência da Romance Writers of America (a organização de autoras românticas dos EUA), Quinn foi oradora convidada. Uma das falas mais citadas de seu discurso foi sobre a tendência geral que se tem em supor que se um grande número de pessoas – especialmente mulheres – gosta de alguma coisa, essa coisa deve ser uma porcaria. “Não estou tentando escrever o Great American Novel (literalmente o Grande Romance Americano, um conceito difundido nos EUA sobre um livro que seria representativo de toda a cultura americana de sua época). O que estou produzindo é entretenimento inteligente e muito bem escrito. E há valor nisso.”

Quinn concorda que há uma certa misoginia envolvida no preconceito contra livros românticos – os “livros de mulherzinha”. E complementa: “Quando algo é sobre amor ou emoção, como os romances românticos são, as pessoas em geral não levam tão a sério quanto fazem com coisas mais ‘profundas’.”

No Brasil, foram lançados até agora os seis primeiros livros da série Os Bridgertons (são oito no total), mas o sucesso de Julia Quinn foi tão grande que sua editora já confirmou a publicação de todos os seus outros romances.

Nossa outra entrevistada também sofre com preconceito literário contra o seu gênero, a começar pelo nome (“chick lit” significa literalmente “literatura de mulherzinha”). Embora o estilo seja diferente – os livros dessa vez lidam diretamente com temáticas modernas e têm um apelo humorístico maior – o público-alvo é o mesmo. E se algo é amado por milhões de mulheres no mundo todo, só pode ser uma droga, certo?

 

SOPHIE KINSELLA

Sophie Kinsella é na verdade o pseudônimo que a britânica Madeleine Wickham utiliza para publicar seus best-sellers do gênero chick lit  – ou, como nós agora preferimos chamar depois da entrevista, wit lit (algo como “literatura inteligente”). Ela já publicou vários romances com seu nome de nascimento (no Brasil já foram lançados Louca para casar e Drinques para três), mas foi como Sophie Kinsella que ficou conhecida mundialmente com sucessos como O segredo de Emma Corrigan e, principalmente, Os delírios de consumo de Becky Bloom.

Formada em economia, antes de se dedicar à ficção, Kinsella chegou a trabalhar com jornalismo financeiro, assim como a protagonista de sua série mais famosa. Para quem não conhece, a série Becky Bloom trata da vida de uma jornalista financeira que é também uma compradora compulsiva e que portanto não consegue organizar as próprias finanças.

Kinsella veio ao Brasil para o lançamento de À procura de Audrey, seu primeiro romance do gênero jovem adulto, e também Becky Bloom em Hollywood, o sétimo livro da série. Você pode conferir a entrevista que eu e a Carolina Walliter fizemos com ela no vídeo.

Mariana Fonseca
  • Coordenadora de Saúde
  • Colaboradora de Literatura e do Leitura das Minas

Mariana tem 25 e se formou em medicina. Carioca, ama viver no Rio de Janeiro, mas sonha em voltar para a Escócia. É feminista deboísta e acredita que todo mundo merece chá.

  • Bia Santana

    Arrasaram na entrevista, meninas, parabéns! Julia e Sophie são maravilhosas!
    Bienal foi tudo de bom!!!!! Falta muito pra 2017?? XDD

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