Especial férias: viajar sem sair do sofá
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Ilustração: Clara Browne.

Ilustração: Clara Browne.

Livros são um ótimo meio para viver novas experiências e conhecer outras realidades sem precisar sair de casa e gastar muito dinheiro – na verdade, você nem precisa gastar dinheiro se contar com a ajuda de uma boa biblioteca. Por isso, nós, colaboradoras de EVP, resolvemos escrever um pouco sobre livros legais de ler nas férias, para fugir de qualquer leitura obrigatória, viajar dentro do próprio quarto e escapar de possíveis momentos de tédio.

Taís  – Orange is the new black, de Piper Kerman

Orange is the new black (o laranja é o novo preto) é um livro de memórias escrito por Piper Kerman que inspirou a ótima série da Netflix. Me apaixonei por esse livro, porque é daquelas histórias que te suspendem da sua realidade e te levam para um outro mundo. No caso, esse outro mundo, é uma prisão norte americana e, embora isso pareça um cenário horrível, descobrimos com Piper que nesse lugar existem também possibilidades de alegria e afeto. Li esse livro em um momento que estava bastante entediada, então, foi como um sopro de fôlego. Primeiro, porque comecei a pensar na quantidade absurda de coisas que eu poderia fazer, nos confortos maravilhosos que me cercam – desde usar a roupa que que eu quiser até tomar um longo banho em privacidade – e todas as possibilidades de prazeres que às vezes nos esquecemos por que estamos habituados. É comovente o esforço de Piper para encontrar um modo de vida possível e minimante feliz em um lugar frio e cruel como a prisão. em Mas Orange is the new black é inspirador principalmente pelas amizades que Piper constrói ao longo dos seus quinze meses presa.Kerman não sai intacta depois que cumpre sua pena, porque durante esses meses ela é completamente atravessada e transformada pela vida das outras mulheres com quem dividiu o tempo na prisão entre dificuldades e pequenos prazeres.

Bárbara Os elefantes não esquecem, de Agatha Christie

Encontrei esse livro na estante de casa depois de ouvir a mãe da minha melhor amiga falando o quanto adorava os livros de Agatha Christie (ela tinha uma coleção gigante!). Eu tinha, sei lá, uns 11 anos e decidi experimentar pra ver se gostava. O livro é um romance policial e, claro, a essa altura nem lembro direito o que acontecia na história. Só sei que foi o primeiro de muitos livros de romance policial que li e me diverti de verdade ao longo da adolescência tentando adivinhar o assassino antes do Poirot (o detetive mais famoso de Agatha Christie, um homem belga com cabeça em formato de ovo). Em alguns livros consegui resolver o mistério, mas, às vezes, o personagem era bem mais esperto (e eu estava muito preocupada em não sentir que a qualquer momento um assassino em série ia aparecer em todas as esquinas por onde eu passava).

Clara Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Maleey

Ganhei essa série de quadrinhos (no Brasil, está editada em três volumes) em um natal. Comecei a ler na noite do dia 24, depois que meus parentes foram embora. Terminei os três volumes antes do almoço do dia 25. E isso não é porque leio rápido nem nada: é porque Scott Pilgrim contra o mundo é um dos melhores quadrinhos que existe. É tão bom que até deu num filme, estreando o Michael Cera e tudo mais. Mas não se deixe levar pela preguiça de ler: o quadrinho é bem melhor. Isso porque entra bem mais a fundo na história de cada personagem.

A história é razoavelmente simples: Scott, um garoto de 24 anos, conhece Ramona, uma garota misteriosa que é entregadora da Amazon e sabe andar pelo subespaço. Eles começam a sair, mas Scott só pode namorar Ramona se vencer os 7 ex namorados do mal que ela tem. Mas, na real, o livro vai muito além do relacionamento deles. Ao mesmo tempo em que vemos (literalmente, pois é um quadrinho) a relação entre Scott e Ramona se desenvolver, aprendemos sobre todas as personagens (que são muitas) e suas histórias. Conhecemos os antigos namoros da Ramona, assim como os de Scott – e isso também é uma forma de conhecê-los como pessoas, ou melhor, personagens. Mas o quadrinho não fica só no passado: ao mesmo tempo em que tomamos conhecimento do que se foi, a vida das personagens vai para frente. A banda de Scott e seus amigos passa a gravar seu primeiro álbum, antigos amigos os visitam, outros decidem voltar à cidade natal, namoros começam e acabam, Scott precisa arrumar um emprego e assim por diante. As vidas das personagens tomam rumo da mesma forma que as nossas. A diferença é que, ao mesmo tempo que tudo se parece com a nossa realidade, no mundo deles, existem portas para o subespaço, pessoas que viram moedas se você ganhar delas em uma luta (como nos vídeo games) e vegans têm poderes mágicos.

Ana PaulaO Silêncio da Chuva, Luiz Alfredo Garcia Roza

Adoro ganhar livros de presente. De todos os livros que já ganhei, entretanto, esse é especial. Foram as bibliotecárias do meu colégio que me deram de presente, no último dia do terceiro ano do ensino médio. Elas disseram que era um prêmio por ter sido a pessoa que mais pegou livros emprestados no ano…mas acho que todas as envolvidas na transação sabiam que isso era uma mentira. Estava mais para um prêmio inventado, um presente de formatura e uma nova sugestão de leitura, daquelas de pessoas que gostam de ler tanto quanto você. Foi minha iniciação em policiais – os polars, como chamam os franceses. E que iniciação! Seguir o Delegado Espinosa em suas aventuras pelo Rio de Janeiro me fez querer encontrá-lo a caminhar em uma tarde qualquer pelo Bairro Peixoto. Parece que alguma coisa fantástica acontece quando você conhece os lugares que aparecem nos livros que lemos. Por mais que mundos inventados sejam muito interessantes e que histórias que se passam no além-mar tenham um milhão de encantos, conhecer de longa data a padaria onde o personagem principal do livro toma café da manhã parece aproximar-nos ainda mais da história. E com isso passamos também a viajar pelos bairros, por onde antes passávamos sem nem dar bola, mexendo no celular do alto da cadeira do ônibus. Depois de ler aquele  Garcia-Roza, logo que entrei de férias, emendei em três outros da mesma série do Delegado Espinosa. Também passei a ver vários personagens em Copacabana, viajando sozinha no meu próprio mundo-quase-real da ficção policial.

Outras sugestões:

O diário da princesa

Literatura fantástica 

Mais quadrinhos! 

 

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Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

Bárbara Carneiro
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
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Bárbara Carneiro mora em São Paulo, curte narrativas cíclicas, tem como gosto mais constante a cor amarela e cria um cacto no jardim.

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Ana Paula Pellegrino
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Ana Paula tem vinte e poucos anos e a internet opina demais sobre sua vida. Mora com sua família no Rio de Janeiro. Prefere ficar em casa tomando chá sem açúcar a sair para lugares barulhentos. A não ser que o programa envolva comprar roupas. Ou livros. Apesar de destrambelhada, faz ballet; segue tumblrs de yoga e pensa demais. Ana Paula, mesmo sendo estranha, é feliz.

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