5 de abril de 2015 | Estilo | Texto: | Ilustração: Laura Viana
Esquenta para o inverno

Primeiramente, acho de bom tom na nossa relação com você, leitora, pedir desculpas por esse título, que está certamente entre os mais cretinos que esse respeitável veículo de comunicação online já publicou. Perdão, mas fez-se necessário, afinal, não se joga fora um trocadilho desses. Espero, do fundo do coração, que nossa amizade e confiança não sejam abaladas.

Feita a retratação, vamos ao que interessa: já é abril, já é outono, e, apesar de a temperatura ainda se manter algo em torno de mínima 25°C, máxima Saara, se tudo seguir como prevê o roteiro – e não de acordo com esse eterno shuffle que é o aquecimento global -, logo seremos visitados por nosso amigo frio.

E, se você é ansiosa como eu, já deve estar planejando sua vida para julho: cobertor, comida, roupas legais. Assim, enquanto o frio não chega oficialmente, a gente selecionou essa série de dicas para você ir se preparando pro que vem por aí, das roupas à pele ressecada, passando, obviamente, pelos doces. Só não vá se decepcionar se a mudança climática nos der um verão de um ano inteiro, certo?

 

Hora de correr atrás dos casacos e suéteres baratos

Amiga, sabe o que todo mundo procura no inverno? Sim, isso mesmo, roupa de inverno. Assim, se você planeja fazer as compras pro frio em brechós e lojas mais baratas, já tá na hora de começar a garimpar: em junho, te garanto que só vai ter vestido de alcinha.

A dica de ouro é sempre “compre na contra-estação”, afinal, é a melhor época para conseguir aqueles casacos gigantes que duram uma vida inteira por um preço que não exija a venda de órgãos internos. Mas como poucas de nós somos tão organizadas e livres de ansiedade (falo mais por mim que por vocês) o suficiente pra comprar algo com seis meses de antecedência, já dá pra conseguir coisas legais por preços pé-no-chão nesse período outonal de transição.

Além disso, é sempre boa ideia ter uns pares de meia-calça estocados, já que elas são a peça perfeita para esse momento de transição climática, permitindo que você continue usando as saias e shorts do verão, só que quentinha.

 

Planejando o look

Trocas de estação são sempre muito legais por esse motivo meio bobo: a gente passa tanto tempo usando um tipo de roupa, que acaba ficando super animada planejando como vai ser usar o outro tipo. E, por mais tosco que seja, isso é divertidíssimo!

Uma coisa que acho muito bacana é o fato de que as semanas de moda na Europa e EUA, que são as que mais definem tendências, acontecem ao mesmo tempo em que estamos na estação mostrada nas passarelas, já que as temporadas ocorrem em estações trocadas – com as coleções de outono sendo mostradas na primavera, por exemplo -, mas como estamos em estações opostas ao norte, acabamos sincronizados. Confuso, deu pra entender? O que tem de legal nisso é que já dá pra antecipar e incorporar as ideias que te agradarem no que foi mostrado por lá, sem ter que esperar mais uma eternidade até que sejam apresentadas pelas marcas daqui.

Mas é claro que nem só de tendência institucionalizada sobrevive seu estilo pessoal, afinal, ele é seu estilo pessoal. Eu mantenho minhas pastinhas de fotos de referências das mais variadas fontes sempre atualizadas, e toda vez que fico enjoada do que tenho usado, faço uma pesquisa no que tem por lá pra dar uma renovada.

 

Matrícula no intensivão de tricô

Acredite em mim, você vai agradecer por essa dica depois de todos os cachecóis novos que ela te proporcionará – eu, pelo menos, nunca sai do cachecol, mas acredito no seu potencial, então faça por mim os suéteres que nunca farei.

Os pontos básicos são molezinha de aprender via youtube, e certamente deve haver alguma avó ou tia por perto para te orientar nos mais complicados. Quando menos esperar, você terá se tornado a pessoa que tricota no transporte público (aquela mesmo a quem você antes julgava tanto), e estará muito feliz assim. Sério, esse negócio é terapêutico, dá pra reavaliar sua vida inteira em meio xale!

 

Estação nova, guarda-roupa novo

E digo isso na forma não-consumista da coisa. Mamãe tem uma regrinha (com a qual eu nem sempre concordo) de que, quando entra roupa nova no armário, sai roupa antiga. E essa é uma boa hora para dar uma olhada no que você tem guardado que não usa mais e let it go, let it go. Vale doar para quem não tem, trocar com alguma amiga, vender por um precinho camarada na internet para dar uma ajuda nas finanças. O que não dá é pra ficar com o armário cheio de coisas que você não usa – afinal, recorro novamente à sabedoria materna, guarda-roupa não sente frio.

 

Lábios rachados, esse ano não

Se sua pele, como a minha, parece que vai cair aos pedaços a cada inverno, também já tá na hora de começar a reforçar a hidratação, tanto interna quanto externa. Com as temperaturas mais baixas, a gente costuma se esquecer de beber água, e isso não deixa nosso corpo lá muito feliz: é a ajuda de que o vento frio precisa para ressecar ainda mais os lábios, narizes e bochechas por aí.

Além de optar pela água de coco e não pela vodka (e, levando em conta que nosso público é adolescente, sugiro a você, leitora, que o faça sempre), agora também é a hora de colocar os hidratantes em ação. A gente até tem um post inteirinho só sobre lábios saudáveis, dá uma lida!

 

Onde se aquecer?

Muda a temperatura, mudam os rolês. O rolê outdoor fica out, o rolê indoor fica in, e a qualidade das piadas nesse post segue ladeira a baixo. Bobagens a parte, é realmente hora de começar a transferir os planos para espaços internos, já que o vento e a chuvinha fina-porém-irritante costumam ficar mais generosos nessa época. A dica mais clichê impossível, mas certamente a mais gostosa? Cinema. Mas vale também aproveitar para conhecer teatros e museus (mesmo que esses últimos sempre contem com aquele ar condicionado ártico), ou pra ficar em casa terminando os livros parados na estante e os filmes que lotam o HD.

Na verdade, dá para fazer quase as mesmas coisas que no verão – só talvez não seja boa ideia ir dar um mergulho na piscina ou tomar sol no parque -, mas é uma época perfeita para se dar o direito de aproveitar a preguiça e a vontade de ficar em casa fazendo nada.

Além disso, como meu estômago é meu guia, costumo também já planejar também a transição culinária mapeando todos os cafés onde quero comer e ficar quentinha ao longo do inverno, o que nos leva ao próximo item.

 

Estoque de delícias

Não, gente, ainda não tá na hora de começar a assar bolo pra julho. Bolo estraga e é bom de comer fresquinho, então calma lá! Mas bolo pra agora tá liberado, que toda hora é hora de assar e comer bolo, né?

Assim como os cafés e docerias pela cidade, a graça aqui está em planejar. Depois de meses de alimentação baseada em de sorvete e suco, finalmente é possível começar a olhar as receitas de tortas e sopas com toda a água na boca que essas beleza merecem, então já dá pra ir pensando em como serão culinariamente os meses vindouros. Para consulta, recomendo as dicas da nossa maravilhosa editoria de Culinária+FVM e a comida caseira das receitas do Technicolor Kitchen e do La Cucinetta.

Mas o que dá sim pra começar a estocar são os chás, que têm prazo de validade mais longo, e aquele chocolate de emergência – mas quem nesse mundo estoca chocolate em vez de comê-lo imediatamente, eu te pergunto?

 

Agora é só agarrar o xale (que você mesma tricotou, claro), os doces, preparar a watchlist e esperar o frio bater à porta. Tem alguma dica invernal? Divide aí com as amigas nos comentários!

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Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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