26 de maio de 2015 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
Estudando fora

Já passou pela sua cabeça a ideia de estudar fora do Brasil? “Ah, claro que não! Deve ser muito difícil! E deve ser bem caro! E como vou estudar em uma língua que eu não conheço?” Pois bem, existem muitas oportunidades, lugares, programas e bolsas para te ajudar a realizar isso! Resolvemos montar uma espécie de guia para que você saiba por onde começar e não se perder no meio do caminho. É importante dizer que o processo como um todo é bem demorado, então, em geral, o melhor a fazer é se organizar com antecedência, tendo os prazos em evidência para não perder processos por causa disso.

 Escola fora do país

Se você gostaria de estudar fora durante a escola, pode ser um pouco mais difícil, mas existem algumas opções. Existem os modelos “mais tradicionais”, em que você efetivamente cursa um ano (ou uma série) ou parte dele em uma escola ou high school – o ensino médio – e mora na própria residência estudantil ou em uma casa de família. Existem algumas empresas que facilitam todas as burocracias por você. Há também modelos que juntam experiências: a da vivência escolar com a vivência de um trabalho voluntário e que são gratuitas! As escolas da UWC prezam pela diversidade de estudantes e do ensino, promovendo um intercâmbio cultural e de experiências entre os alunos. Você pode aplicar para os diferentes programas e para as bolsas oferecidas para estudar na África, Américas, Ásia e Europa.

 Para onde ir?

 Você deve considerar vários fatores antes de tomar uma decisão. O primeiro deles é a sua área de estudo ou de interesse. Alguns países ou regiões são conhecidos por terem excelência acadêmica em diversas áreas, como Estados Unidos ou a Europa. Mas e se você estuda – ou gostaria de estudar – literatura chinesa? Ou a história do apartheid na África do Sul? A escolha por uma instituição deve considerar o que você busca e não somente se ela é globalmente conhecida ou tem um status X ou Y. As pessoas talvez digam “Ah, mas essa universidade é tão famosa! Você tem que ir estudar lá.” Nesse momento, o mais útil a fazer é pesquisar bastante sobre o programa, sobre as disciplinas que você irá estudar e, principalmente, sobre os professores, afinal, um deles pode pesquisar exatamente o que você gostaria de aprender e estar junto dessa pessoa vai ser muito mais enriquecedor do que apenas ter um “carimbo” de uma universidade no seu currículo.

 Outro fator a ser considerado é o local onde essa universidade fica. Talvez você tenha o desejo de morar na cidade X por um tempo e essa seria a oportunidade perfeita. Nessa hora, use as ferramentas mágicas da internet: guias de viagem, blogs de viagem, ferramentas para visualizar as ruas e tentar um passeio virtual pela cidade. É sempre bom se munir com o máximo de informações sobre aquele lugar, caso você não o conheça. Como as universidades, talvez ir para uma grande cidade, que todos conheçam, não seja a melhor opção para você. Por isso, considere quais são os seus objetivos e onde você vai conseguir realizá-los melhor. Se você estuda Belas Artes e visitar muitos museus é importante, considere isso. Se você estuda a produção de biodiesel a partir de algas, conhecer um laboratório que pesquise esse assunto deva estar nas suas prioridades.

 Existem bolsas?

 Existem várias oportunidades de bolsas dependendo do seu nível de estudo – graduação, pós-graduação – da sua área de estudo e da universidade que você escolha. Fizemos aqui uma seleção (não exaustiva) de algumas opções para que você conheça o que existe por aí.

A opção mais conhecida é o programa Ciências sem Fronteiras. O programa for criado em 2011 com o objetivo de auxiliar estudantes em nível de graduação e pós-graduação a realizar parte ou a totalidade de seus estudos no exterior. O foco do programa é voltado para as ciências, tecnologia e inovação e, por isso, atende áreas como engenharias, computação, biologia, farmácia, energia, entre outras. Veja aqui para saber mais sobre o programa e como aplicar.

Outra opção interessante são as bolsas da Fundação Estudar. A Fundação tem incentivos para muitos destinos diferentes e tanto para graduação quanto pós-graduação. Um dos diferenciais é o foco das bolsas, que além de fornecerem um apoio financeiro, proveem orientação profissional e formam uma comunidade de jovens líderes, construindo uma rede de apoio profissional que vai além do período de estudo no exterior.

 A Comissão Fullbright é uma instituição que atua nesse sentido também, mas restringe-se a bolsas e programas para os Estados Unidos. Há bolsas para vários níveis de ensino e várias modalidades. A organização reúne diversas oportunidades e, por isso, abrange muitas áreas diferentes, não somente ciências exatas, por exemplo.

 Como falamos antes, não se restrinja quanto ao lugar que deseja estudar: existem muitas opções de bolsa também para países menos “óbvios” como a China. O Instituto Confúcio é uma das instituições que pode te ajudar. Há vários escritórios no Brasil, ligados a diversas universidades como a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de Brasília (UnB), Universidade de Pernambuco (UPE), entre outros.

 Existem também bolsas próprias das universidades. Em geral, essas oportunidades são parcerias das universidades com outras fundações, que têm interesse em divulgar suas estruturas e produções acadêmicas, financiando alunos para estudarem em seus países de origem. O Santander Universidades é uma dessas fundações, e eles disponibilizam diversas bolsas para universidades públicas e também para privadas para países na América Latina, Europa e Ásia. Busque o setor de intercâmbio ou de convênios internacionais de sua universidade para saber mais sobre os programas disponíveis e o passo a passo para se candidatar.

 Alguns passos antes de começar

 Antes de aplicar é necessário pensar sobre o idioma em que o curso é oferecido. Há várias opções para se preparar – e não gastar muito – e atingir o nível requerido para seu curso. O programa Inglês sem Fronteiras, por exemplo, estimula o aprendizado da língua inglesa, democratizando seu acesso, apesar de manter-se restrito a alunos vinculados a alguma instituição de ensino superior. Há muitos recursos online e gratuitos, não só para a aprendizagem de inglês, mas também de outras línguas, como francês.

Tempo pode ser seu pior inimigo em um processo para estudar fora. Isso porque são muitas as burocracias necessárias: montar um dossiê, pedir uma (ou mais) cartas de recomendação, fazer traduções de documentos em português, solicitar cópias de documentos na sua universidade… Ufa! Isso sem considerar que muitas vezes isso será necessário em dobro: um dossiê para a universidade que você está aplicando e outro para bolsas. Tente sempre se organizar em relação a prazos, fazendo tudo com o máximo de antecedência para não ter muitos sufocos nesse caminho.

Estudar fora é uma experiência incrível e muito enriquecedora. Por mais que pareça algo restrito, pois é muito custoso, há muitas oportunidades para fazer isso sem gastar tanto assim, contando com o apoio de bolsas e financiamentos. Não tenha medo de se jogar nessa viagem, que pode ser empoderadora e libertadora.

Debora Albu
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão

Debora é mestra em Estudos de Gênero e é formada em Relações Internacionais. É carioca, apesar de ter passado uma temporada da vida em Paris e todo mundo a chamar de "francesinha" - por vezes acredita ser verdade. Faz parte da gestão da Agora Juntas, um rede de coletivos feministas no Rio de Janeiro. É ciberativista e feminista antes mesmo de entender o que essas palavras significam.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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