23 de setembro de 2014 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração:
Estudo & Profissão: Apresentação #4
Ilustração: Clara Browne.

Ilustração: Clara Browne.

Depois de quase seis meses de revista completos, o time de EVP faz uma pausa nas pautas sobre escola, vestibular e profissões para apresentar a nossa mais nova integrante, a Fernanda Brandão. A gente estava sentindo a necessidade de falar mais sobre vestibular e a maioria de nós já passou há algum tempo dessa fase, então convidamos a Fernanda, que está prestando as provas este ano, para falar a partir da proximidade dela com essa experiência. Se você começou a acompanhar agora ou quer dar uma relembrada no perfil das atuais oito integrantes de EVP, clica aqui, aqui e aqui para ver nossa apresentação. Se tiver alguma dúvida, sugestão ou comentário, não hesite em nos contatar! E agora chega de papo e vamos conhecer a Fernanda!

Eu nem me lembrava mais do meu primeiro dia de aula, até ano passado. Estudei desde da classe de alfabetização, o antigo C.A., em colégio tradicional do Rio de Janeiro e como a maioria dos meus coleguinhas da pré-escola estavam indo para esse colégio maior, eu não demorei muito para me adaptar. Muitas pessoas desde cedo questionavam a rigidez do colégio e sempre que eu contava onde estudava, algumas crianças perguntavam se eu gostava mesmo daquele colégio, porque não saia e eu confesso que não fazia ideia de porque estavam falando aquilo. Eu adorava a escola, conhecia todos os inspetores e funcionários, as coordenadoras e tudo o mais. Realmente me sentia em casa. Parte desse sentimento também foi devido a turma em que tive sorte de cair (as turmas eram dividas em ordem alfabética e a única chance de mudar de turma era ser um dos últimos ou primeiros da chamada). Era uma turma muito acolhedora e unida, todo mundo praticamente era amigo. Conforme fui crescendo, passei a questionar algumas atitudes arbitrárias da escola e até mesmo a perceber que a turma não era tão unida assim… Mas mesmo assim, meu carinho por esse colégio foi enorme. Afinal, foi nele que fiz os meus melhores amigos, vivi momentos muito engraçados como uma tentativa de revolta dos alunos reprimidos só para mudar o dia de uma prova, fui representante de turma dois anos seguidos e fiz o discurso de formatura da oitava série, algo que me marcou bastante.

O que me fez ter um novo primeiro dia de aula no ano de 2013, no início do segundo ano do ensino médio, foi ter cansado daquelas pessoas. Gostava muito delas, algumas ainda gosto, mas estava ansiosa por algo novo e não me parecia muito justo ter que esperar até a faculdade para renovar meu ciclo social. Foi então que decidi ir para a unidade mais próxima da minha casa, desse mesmo colégio. No início foram só flores, as pessoas foram receptivas, os professores eram excelentes e a matriz parecia ser mais aberta ao dialogo com os alunos, algo que sentia uma certa falta da unidade anterior. Porém, logo percebi o quanto a pressão naquele ambiente era maior do que no outro e isso estava me sufocando. Estava no segundo ano e já não aguentava mais falar nos futuros terríveis vestibulares e como, “obviamente” só deveria estar naquele colégio quem quisesse alguma coisa “séria” (lê-se cursar alguma engenharia, direito ou medicina). Todas essas falas constantes, mais as notas caindo e eu ainda não sentindo que tinha encontrado o que procurava me fizeram pensar em uma segunda mudança. No início do segundo semestre de 2013, fui para uma escola tida como alternativa.

De primeira foi um choque total: a turma era super fechada, nada receptiva, a escola era muito mais liberal, como a ideologia era de o que aluno deveria ter autonomia e ninguém iria ficar mandando ninguém fazer nada, eu que tinha acabado de vir de um colégio onde a disciplina era algo muito valorizado, estava achando tudo uma bagunça. De início, sofri. Queria a qualquer custo voltar para meu colégio antigo, me negava a acreditar que tinha parado naquele lugar etc. Não sei como consegui fazer amigos, mas fiz, amigos ótimos, inclusive duas das minhas melhores amigas fiz lá. Com o tempo fui me acostumando e aceitando minhas escolhas. Em termos acadêmicos, ainda acredito que foi uma perda e tanto, mas comparada ao ganho de experiência pessoal e social, foi uma escolha fundamental para minha formação quanto indivíduo. Foi lá que mudei minha visão sobre educação, pude abrir meus horizontes sobre muitas coisas e passei até a questionar mais o papel da escola.

E agora, no terceiro ano, acredito que essas mudanças foram essenciais para me preparar para o que vem depois. Ainda sinto saudades do colégio antigo e dá muito frio na barriga de pensar como será a faculdade, mas espero que junto com vocês, leitoras da Capitolina, a gente possa ir descobrindo as inúmeras surpresas que a gente nem espera que existam pela frente. 🙂

Ilustração: Clara Browne.

Ilustração: Clara Browne.

Fernanda Brandão
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão

Tenho 18 anos, moro em Porto Alegre e curso Artes Visuais na UFRGS. Gosto muito de cidades grandes, feminismo e filmes do Studio Ghibli. Acredito fielmente que sou filha do David Bowie.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos