5 de maio de 2015 | Edição #14 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
“Eu quero acreditar”: somos todos parte do universo

A conquista do espaço pela humanidade é um dos nossos grandes sonhos. Colonizar outros planetas, mega estações espaciais, conhecer outras formas de vida… tudo isso tá no nosso imaginário, e é intrinsecamente ligado à história da raça humana.

Uma das coisas que faz da gente essa raça “exclusiva” é a ideia de categorizar tudo. Afinal, a partir do momento que a gente se entende como diferente do outro, já foram criadas duas caixinhas: o eu e o ele, o aqui e o lá, o dentro e o fora. Tudo na nossa sociedade, na nossa cultura, parte dessa premissa. Normal, né? É a única forma que a gente consegue entender o mundo. O nosso cérebro funciona dessa forma, por categorização, por associação. Assim que a gente sabia, lá no início, quem era predador e quem era presa. Os humanos tinham memória. E isso foi nos dando “vantagem”, e fomos nos espalhando que nem praga por todo o mundo.  Essa necessidade de categorizar tudo, no entanto, acaba muitas vezes dificultando que a gente veja um contexto de forma mais ampla.

É muito louco como a gente sempre pensa no universo como “o resto”, quando na verdade ele está.. aqui. Nós estamos, a todo o momento, no espaço. Sempre, sem exceção. Já reparou? Não existe “lá fora”. É tudo parte da mesma coisa! Uma das teorias de como a vida começou na Terra envolve material vindo de meteoros. Nós só existimos por que existe o espaço. O “lado de fora” não tem um limite como mostravam os livros de geografia. Claro, tem uma atmosfera separando as coisas. Mas ela não é uma redoma fixa – ela é gás!

O desejo de enfrentar o desconhecido parece esquecer que, não importa o quanto se viaje, o referencial sempre vai ser o eu. Mesmo que pareça tudo incrível e fascinante, a gente nunca vai conseguir escapar desse lado da caixa.

Num mundo ideal, não existiriam categorias pra nada. Mas, infelizmente, isso é impossível de acontecer. O que dá pra fazer, no entanto, é tentar expandir a caixa. Quanto maior a sua caixinha, mais formas de ver o mundo, mais coisas diferentes, mais associações e categorias sua cabeça vai criar. Se a gente conseguir pensar em termos mais amplos do que eu versus o outro, dá pra pensar diferente. Não que tudo seja uma coisa só, isso é assustador demais dentro de uma cultura que preza tanto pelo indivíduo. Se tudo é uma coisa só, nada é coisa nenhuma – o ego não aguenta isso. Mas sim pensar que tudo é tanta coisa, que são tantas caixinhas, que no final das contas tem um pouco de tudo em cada caixa.

Nada, nem ninguém, é uma coisa só. A Terra faz parte do Universo. O espaço faz parte de cada um de nós. Já é um tremendo clichê, mas a gente é, literalmente, poeira das estrelas.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

  • Amanda

    Verônica tô adorando teus textos. Em relação a esse, questiono: será que esse é o único modo de pensar? O pensamento oriental, muito diferente do ocidental, ta aí pra mostrar que esse modo de ver todos os seres interligados não é nada impossível, e que isso não quer dizer que assim nossa singularidade está perdida. E trazendo mais pra nossas bandas, um cara que sou apaixonada por sua filosofia é Heidegger, e ele mostra que nosso modo de pensar foi completamente construído desde a antiguidade, mas não, não é o único modo.
    Um doc que nos mostra bem sobre o pensamento oriental (acho, pois não sou nenhuma expert no assunto) é Inner Worlds, Outer Worlds, que é uma viaaagem, mas traz uma expansão da visão de mundo que é maravilhosa.
    Em relação a Heidegger é legal os artigos que tratam do que ele fala sobre a técnica moderna, mostrando todo o construir do pensamento metafísico e o esquecimento da pergunta primordial da filosofia, “O que é o ser?”.

    Parabéns à toda equipe Capitolina! Vocês são maravilhosas!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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