16 de novembro de 2015 | Sem categoria | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Eureka ou amém?

Desde bem pequenininhas, a gente aprende que ciência e religião são coisas bem diferentes, e que entraram em conflito muitas vezes no decorrer da história. Por isso, sempre pensamos que pessoas religiosas não acreditam na ciência e que cientistas não podem ter religião, ou seja, que as coisas necessariamente se excluem. Mas pera, o que é uma coisa e o que é a outra? Elas precisam mesmo estar sempre em pé de guerra? Hoje a gente veio explicar isso pra vocês! Mas, pra começar..

O QUE É CIÊNCIA?
Se essa fosse uma pergunta fácil de ser respondida, não existira um ramo da Filosofia inteirinho dedicado a ela. Ciência toma significados diversos dependendo do contexto em que está sendo discutida, até mesmo dentro da própria ciência. De modo geral, diz-se que é a construção conjunta, contínua, e com base em provas concretas, do conhecimento. Uma coisa que se pode dizer a respeito dela é que, atualmente, teoria e prática caminham juntas: é o que se chama de ciência construtivista, em que precisamos conseguir repetir experimentos várias vezes obtendo os mesmos resultados e em que isso deve ser explicado por uma teoria científica adequada. A importância disso tudo é evitar que a visão pessoal de quem experimenta ou teoriza não interfira nos resultados da pesquisa.  No fim das contas, o caráter impessoal é o que caracteriza a ciência atual.

O QUE É RELIGIÃO?
Essa é outra pergunta difícil de responder com especificidade, mas o consenso geral entre os sociólogos é de que envolve elementos de fé em uma entidade divina que dirige o destino dos seres humanos e elementos sociais, já que também se relaciona a normas morais e a rituais que podem ser missas, danças, o uso de vestes específicas etc. É importante perceber que uma crença pessoal não constitui uma religião se não abranger também esses aspectos sociais, aceitos e seguidos por aqueles que compartilham da religião.

TA, MAS ENTÃO EM QUE AS DUAS COISAS SE PARECEM?
– As duas coisas precisam ser compartilhadas socialmente para serem validadas.Uma pessoa só acreditar/provar algo não significa nada! Isso precisa ser difundido e compreendido por um grupo de pessoas.
– Muitas vezes a ciência também perpassa a questão da fé, já que trabalha com coisas completamente conceituais, como modelos matemáticos. Cientificamente, aquilo que se considera uma teoria – tipo o big bang, é o que conceitualmente faz sentido mas ainda não tem provas irrefutáveis.
– Ambas são formas de entender o mundo.

EM QUE ELAS DIFEREM?
– As motivações por trás do objetivo são diferentes: a religião busca entender o mundo com a intenção de conectar o mundano ao divino, tornar o homem melhor, conectá-lo a seu deus. Já a ciência tenta entender o mundo para que possa manipulá-lo e adaptá-lo aos interesses das sociedades
– Podem existir diversas religiões que se contradizem, já sua base não precisa ser irrefutável pra ser verdadeira para as pessoas.
– A ciência tem que ser universal pra ser verdadeira, então não pode se contradizer – quando isso acontece uma teoria é refutada e outra mais refinada toma seu lugar

O QUE LEVA AOS CONFLITOS ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO?
– Tratar a ciência como se ela fosse uma religião faz com que seja tomada como relativa ao que determinado grupo de pessoas considera certo ou errado de acordo com sua religião, o que é fundamentalmente errado  porque a base da ciência  foi criada de maneira que ela fosse impessoal e não pudesse ser interpretada como certa ou errada.
– Tratar a religião como a ciência desvaloriza o conhecimento tradicional de diversas culturas, ao mesmo tempo em que aceita apenas uma como correta, sendo que nenhuma religião é irrefutável de acordo com as outras – se fosse assim, existiria uma religião só

COMO EVITAR QUE ELES ACONTEÇAM?
– Ado, a-ado, cada um no seu quadrado: a religião para entender o homem e a ciência para entender o mundo
– Entender que mesmo que uma religião contradiga a outra, elas não necessariamente têm que ser mutualmente exclusivas: são apenas maneiras diferentes de interpretar o mesmo assunto sob visões diferentes; entender que essas visões diferentes têm que ser respeitadas em sociedade (entender que não existe nenhuma religião irrefutavelmente mais certa que a outra, então nenhuma pode ser tomada como base de tomada de decisões da vida em sociedade)
– Usar a ciência como campo neutro de tomada de decisões evita que uma religião seja privilegiada em relação a outra, já que tem seus argumentos comprovados e comprováveis quantas vezes seja necessário; é uma só e não pode se contradizer
– Entender que a vida privada e religião não podem ser mais importantes que o bem estar de toda a sociedade

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Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

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