16 de maio de 2016 | Sem categoria | Texto: | Ilustração: Heleni Andrade
Menos eureka, mais trabalho duro!

A grande maioria das pessoas tende a achar que a ciência é um ambiente em que só gênios têm lugar. Em que só grandes ideias garantem seu avanço, em que se você não for brilhante é melhor nem tentar, em que se você está se esforçando demais é porque tem algo errado. Ei! Quem disse que é assim que funciona? Ser cientista é um trabalho longo e contínuo, que envolve pesquisas extensas, ler bastante, estudar muiiiiiito, pesquisar mais um pouco e estudar ainda mais. Mas por que será que ainda não conseguimos desvincular a ideia de ciência com a imagem de um cientista de jaleco branco, cabelo desarrumado e óculos gritando EUREKA?

Esse é um hábito que começamos a aprender na escola. Quando estudamos ciências (e matemática, geografia, história…), somos apresentados geralmente apenas aos principais nomes de cada campo. Isso porque os currículos são extensos, e muitas vezes saber a linha do tempo dos acontecimentos não nos é tão útil quanto as descobertas em si. Dessa maneira, acabamos aprendendo somente os nomes de quem registrou certo experimento, por exemplo, ao invés das pessoas que também trabalhavam nos laboratórios, e internalizando a ideia de que só houve um responsável por determinada coisa, quando não foi bem assim.

Mesmo que houvesse apenas um responsável por cada elemento importante das ciências, são raríssimos os casos em que houve uma epifania durante um banho e ao terminar de se secar o ~~cientista genial~~ já tinha formulado setenta e três equações diferentes. Fórmulas matemáticas, conceitos complexos, teorias a serem provadas: elas frequentemente derivam de estudos anteriores que foram consultados exaustivamente antes de se tornarem algo concreto. Boas ideias quase nunca surgem do nada, mas sim da associação e reformulação de ideias anteriores.

Podemos culpar também as opressões da sociedade por essa imagem. Quantas cientistas mulheres ou negros ou não-ocidentais são os reais autores de ideias geniais e revolucionárias e foram usurpados de seus direitos simplesmente porque sua voz não seria aceita pela comunidade acadêmica? Não é difícil expandir a noção de bropriating  pro campo das ciências.

Há, ainda, uma influência massiva da mídia. As descobertas e inovações que ganham divulgação ampla são aquelas muito revolucionárias, ou que têm aplicação direta no dia-a-dia dos cidadãos. Assim, cria-se a impressão de que a ciência é feita aos saltos, ao invés de em progresso contínuo. Isso nem sempre é bom, porque se algum experimento precisa de mais tempo pra demonstrar resultados; ou determinada experiência não ocorre como o esperado são categorizados como ruins, ou perda de tempo, ou desperdício de dinheiro, enquanto na realidade resultados divergentes ou o próprio processo de pesquisa são muito úteis para a comunidade científica como um todo.

Ser cientista não faz de ninguém um gênio, e ser muito inteligente não faz de ninguém um bom cientista. É necessário se atualizar sempre sobre o que se sabe ao redor do mundo sobre seu campo de interesse, é preciso saber trabalhar em equipe, ser paciente, lidar com adversidades… só assim a ciência caminha!

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Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

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