19 de julho de 2017 | Ano 4, Edição #35 | Texto: | Ilustração: Gabriela Nolasco
Expor-se nas redes sociais ou não?

Se tem algo que é necessário para expor-se na internet é coragem!

Comecei a pensar nisso outro dia quando recebi uma mensagem de uma jornalista. Ela estava falando sobre um texto que escrevi há mais de dois anos e que já não tenho nenhuma vontade de falar a respeito. Confesso que achei curioso que o texto tenha despertado a atenção dela, porque era um texto-desabafo, em que eu contava muito sobre uma experiência ruim que eu vivi. Passados mais de dois anos eu nem imaginava que alguém me procuraria para falar sobre ele.

Isso me remeteu a uma frase que ouvi de um colega em um seminário: “textos têm vida própria, uma vez colocados no mundo, não temos mais controle de onde irão parar”. Ele não estava se referindo ao mundo das telinhas e da web. Falava sobre livros. E aí eu fiquei um pouco alarmada de pensar que na internet esse controle é ainda menor. Vira e mexe algum texto viraliza. Alguém fica famoso no Facebook. Uma resposta bem dada ou uma briga vem à tona e se torna assunto de todas as salas de aula. Uma foto retirada do contexto parece algo engraçado e ronda os grupos de Whatsapp e do Facebook via prints. E por aí vai.

Estamos bastante habituados a tudo isso. Faz mesmo parte de nosso cotidiano. O que nunca tinha parado para pensar é se um dia terei algo meu viralizado por aí. Vocês já pensaram sobre isso? Como seria ter um texto, foto ou vídeo ficando super conhecidos? Em alguns casos, imagino que poderia ser divertido. Aqueles 15 minutinhos de fama que passam na cabeça de quase todo mundo. No entanto, se nos arrependêssemos do conteúdo ou fôssemos mal interpretados poderia ser bastante negativo.

Pensando nisso conversei com algumas meninas da Capitolina e trouxemos algumas dicas para ajudar a pensar no que compartilhar nas redes:

i) A primeira dica é bastante simples: se o material que você vai compartilhar é algo seu e sobre você – seja uma foto, um texto ou um vídeo –, não existe certo ou errado. A quantidade de exposição a qual você irá se submeter diz respeito apenas a você. A régua para saber se o conteúdo deve ou não ser colocado nas redes é sua;
ii) Entretanto, lembre-se que alguns sentimentos, por exemplo, dizem muito sobre momentos específicos. Então é bastante importante pensar um pouquinho sobre o que está sendo lançado nas redes. Porque pode ser que daqui alguns anos você não tenha mais vontade de ter esse material circulando por aí, mas seja um pouco tarde para tentar pará-lo;
iii) Expor-se nas redes tem um outro elemento a ser pensado que são os julgamentos alheios. De algum modo, quando abrimos nossas vidas na internet, estamos também abrindo nossas experiências para que as pessoas criem suas próprias interpretações. O lado bom disso é que podemos conhecer muitas pessoas passando por momentos semelhantes ou que simpatizem com a gente. O lado ruim é o quanto podemos lidar com comentários ruins sobre nós e desmotivantes. Sendo assim, pode ser bastante importante estar atento a quem temos nas redes sociais, porque esse cuidado pode aumentar um pouquinho o controle que temos de quem está vendo nossos conteúdos;
iv) Nunca, em nenhuma hipótese, envie para terceiros conteúdos íntimos que foram confiados apenas a você. Sabe aquela foto da amiga com uma lingerie nova? Ou da sua namorada que ela tirou especialmente para você? Esses conteúdos não cabem na primeira regra. Eles não são seus apenas porque foram enviados para você. Não os distribua por aí. Esse tipo de ação pode ter uma repercussão inesperada e prejudicar muito a vida de outras pessoas;
v) Por fim, na dúvida, se algo deve ou não ir para as redes, pergunte a si mesma o quanto está confortável com o que está escrevendo. Se te parecer saudável, porque é algo que você gosta ou talvez porque possa ajudar outra pessoa, vá em frente!

Dadas essas cinco dicas que achei importante junto de outras Capitolindas, termino o texto dizendo que por mais que precisemos de coragem e às vezes tenhamos certo medinho de colocar alguns conteúdos na rede, compartilhar experiências, relatos, participar de hashtags como #meuprofessorracista ou #meuprimeiroassedio são atitudes bastante bacanas e significativas. Esse tipo de iniciativa demonstra que a internet pode sim ser usada para um monte de coisas boas, só temos que ter consciência de como usá-la!

Fernanda Kalianny
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Se liga
  • Coordenadora de Poéticas

Fernanda Kalianny Martins Sousa , 26 anos, fez Ciências Sociais na USP e cursa doutoraddo em Ciências Sociais na Unicamp. Adora ler sobre aquilo que informa e complementa sua formação enquanto ser humano, então sua área de estudo tem tudo a ver com aquilo que sente ou é (estuda raça, gênero e sexualidade). Escreve poemas e acredita que sempre será "amor da cabeça aos pés". O coração, intensidade e impulsividade controlam quase todas as ações. Ama apaixonadamente e vive as paixões da forma mais cheia de amor possível. Antes que sufoque com o que fica para dentro, coloca tudo no papel.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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