21 de setembro de 2014 | Estilo | Texto: , e | Ilustração:
Expressões que você deve parar de usar a partir de ontem
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Ilustração: Julia Oliveira

Por Isadora M., Natasha Ferla e Julia Oliveira

Nós da Capitolina acreditamos na pluralidade dos seres humanos e no respeito à diversidade. Acreditamos que todas somos únicas e ao mesmo tempo fazemos parte de um grande grupo. Com base nesses ideais, repensamos muitas coisas na nossa vida, desde grandes ações até coisas que falamos na brincadeira. E, sem perceber, essas coisas que falamos “na brincadeira” reforçam estereótipos cruéis e sustentam ideias preconceituosas.

Para a coluna de hoje, nós reunimos algumas frases e expressões que achamos que devem ser deletadas do nosso repertório. Vamos tentar explicar por que elas são tão danosas para o universo da moda e da beleza. Mudanças de vocabulário podem parecer irrelevantes para alguns, mas fazem uma baita diferença no combate às discriminações estruturais. Você pode até não se sentir diretamente ofendido com o uso das expressões que apresentaremos, mas, bem, o mundo não gira em torno do seu umbigo, certo? Caminhamos juntas!

 

Cara ou roupa de pobre/favelada/mendiga/empregada

Quem já não ouviu essa? Usar roupa “x” ou “y” é proibido porque faz a gente parecer pobre, e tem coisa pior que isso? Quando falar que “fulana tá parecendo pobre”, saiba que está demonstrando puro elitismo, reforçando  a ideia de que as pessoas pobres são bregas, se vestem mal, são relaxadas e sujas. Pasmem: os pobres se preocupam com estilo tanto quanto os mais ricos.  A diferença é que um grupo não tem poder de compra e outro tem. E pode ser também que essa seja uma escolha consciente: qual o problema de usar uma roupa mais simples? Um chinelo azul e branco? Eu, hein, cada um usa o que pode e o que quer, e ninguém tem o direito de meter a colher.

 

“Não sou tuas nêga”

Você pode ter querido dizer que não é qualquer uma, que o jeito de lidar com você não é o mesmo com que os outros estão acostumados. Mas o que acaba saindo é muito pior e maior que isso. Essa expressão é totalmente ligada com a escravidão, quando as negras eram literalmente propriedade de homens brancos. Ela também reforça a associação direta da mulher negra ao sexo, como se ela fosse de todo mundo, como se o papel dela na sociedade fosse estritamente sexual. Pense: e se a expressão dissesse “não sou tuas branca”? Ela passaria a mesma ideia? Certamente não. É possível que ela jamais chegue a ser reproduzida.

Vale a pena também usar essa ponte para refletir sobre o mais novo seriado da Rede Globo, Sexo e as nega, que começa errado já no título e, não à toa, foi alvo de crítica e protesto.

 

“Cabelo de Bombril”, “carapinha”, “mafuá”, “pixaim”, “piaçava” e derivados

Existe uma ideia de que qualquer coisa relacionada ao corpo que desvie de um padrão eurocêntrico é considerada ruim. Isso acontece muito com os cabelos. Quem nunca ouviu falar em “cabelo ruim”? Você já reparou que cabelo ruim é sempre aquele que não é liso? Mas a verdade é que não existe cabelo ruim, cabelos são cabelos e pronto. É um ato extremamente racista dizer que mulheres negras precisam alisar os cabelos em ordem de serem consideradas bonitas e até higiênicas. Fazer isso é dizer para elas negarem as próprias origens e o próprio corpo. Quem mais se aproveita dessa ideia de cabelo ruim é a indústria dos cosméticos e da beleza, que sempre tem uma solução para problemas inexistentes. Cabelo crespo não é problema, o problema é o padrão de beleza excludente e eurocêntrico.

 

“Estampa étnica” e apropriações culturais

Que termo engraçado, “estampa étnica”… Parece que o que é diferente da sua cultura é anormal, como se nós mesmo não fôssemos parte de uma ou várias etnias também. Se toda estampa reflete a cultura de uma etnia, toda estampa é étnica, não só aquelas inspiradas na África e na Ásia. Somos tão globalizados, mas continuamos tão eurocêntricos…

Apropriação cultural também é uma coisa bem complicada. Muitas vezes estilistas transformam em hype elementos de culturas que não são as dele, popularizando o uso de acessórios como cocares, turbantes e bindis, esvaziando a profundidade de significado que esses objetos têm em suas culturas. Por mais bonitos que sejam esses apetrechos, há coisas que não devemos usar porque é desrespeitoso usá-los sem entender ou acreditar no aspecto sagrado que eles possam ter. Isso é reduzir o valor de uma cultura, é esvaziar seu conteúdo e minimizá-la ao “exótico” e às aparências.

 

 “Gorda” como xingamento

Infelizmente o valor das mulheres é frequentemente medido pela sua beleza. Se não estamos dentro dos padrões de beleza, somos taxadas de preguiçosas e indesejadas. Então muitas pessoas se ofendem quando são chamadas de gorda. O que seria pior do que ser colocada ao lado de um grupo que é visto com tão maus olhos? Usar “gorda” como xingamento é dizer às mulheres gordas que elas deviam ter vergonha delas mesmas. Ficar ofendida com “gorda” é uma resposta a esse mundo em que a aparência está acima de tudo, e não ser vista como parte do seleto grupo que se encaixa nos padrões de beleza vigente é a pior coisa do mundo. Mas a verdade é que não deveríamos nos sentir ofendidas com tal palavra. Pessoas gordas existem aos montes, superem essa. Não tem nada de errado em ser gorda.

 

“Eu e minhas amigas fazendo #gordice”

Parece que hoje em dia as pessoas não podem comer nada sem ter que tirar uma foto e colocar a hashtag #gordice. “O que gorda faz? Gordice”. Não, minhas amigas, pessoas gordas fazem tudo o que todo mundo faz: passeiam no shopping, estudam, trabalham, morrem de amores ao ver o Ryan Gosling, namoram e se apaixonam… Usar o termo “gordice” é reforçar a ideia de que tudo que as gordas fazem é comer, e, mais que isso, de que devemos sentir culpa ao comer. “Dar uma de gorda”, “fazer gordice” não é nada além do cotidiano ato comer. Todas as pessoas no mundo comem, isso não é exclusividade das gordas. Não merecemos julgamentos diferentes se o que comemos é salada ou chocolate, é tudo comida e cada um escolhe o que coloca dentro do corpo. Então da próxima vez que pensar em usar essa hashtag horrorosa, pense que tu tá só comendo, não tá fazendo nada de mais.

 

“Tá vestida assim por que? Quer seduzir alguém?”

A ideia de que podemos querer nos vestir só para nós mesmas parece ter dificuldade de entrar na cabeça das pessoas. Quando estamos um pouquinho mais arrumadas ou usando uma roupa diferente, só podemos querer alguma coisa com alguém. Não e não. Podemos mudar o jeito com que nos vestimos ou usar alguma coisa mais sexy apenas porque queremos nos sentir bonitas, sem pretensão alguma de impressionar alguém. Afinal, ninguém nos aguenta como nós mesmas, nada mais normal do que colocar a sua autoestima para cima, seja usando uma maquiagem diferente ou uma camiseta nova.

 

“Você tá parecendo um traveco”

Quando uma menina alta está de salto ou muito maquiada, tem uns infelizes que soltam “cê tá que nem um traveco!”. Primeiramente, o termo correto é “travesti”, que deve ser acompanhado do artigo feminino, e não masculino. Ou seja, “a travesti”, não “o travesti”. Além disso, ser travesti está colocado aqui como algo depreciativo. O pensamento é que “parecer um travesti seria ter traços masculinizados, e deus me livre mulher parecer um homem!” Acontece que travesti não é homem. A ideia de que as aparências estão ligadas ao gênero é errada e ultrapassada.

Em contraste, existe o termo “coisa de menininha” para designar objetos ou atividades ligadas ao estereótipo feminino. Nessa lógica ridícula, maquiagem é coisa de menininha, assim como uma blusa rosa de babados. A única coisa que te torna menina ou menino é sua própria identificação, nada mais.

 

 “Batom vermelho é coisa de vagabunda!”

Não há como negar que a cor vermelha é uma cor intensa. O problema é que muitas pessoas acham que não se pode usar nada colorido ou de cor forte porque é feio, brega e socialmente pejorativo. Esse pensamento foi herdado do tempo em que só as prostitutas usavam maquiagem carregada e batom vermelho. E ser prostituta era ser vagabunda, algo abominável, uma afronta às “famílias de bem”. Mas ser “vagabunda” não deveria ser utilizado como adjetivo depreciativo, porque as prostitutas são dignas de respeito e nossas vidas sexuais não devem ser julgadas. Peças de roupa, sapato, acessório e maquiagem não determinam quem somos!

 

“Me empresta o lápis cor de pele?”

Todo mundo já se deparou com um de lápis de cor ou alguma tinta que tinha o nome de “cor de pele”. E muitas pessoas até hoje acham que aquele rosa claro, ou bege, é realmente a cor de uma pele. O problema é que não existe uma única cor de pele, existem várias! Ou você acha que todo mundo é rosa/bege? Como fica a pele negra nesta história?

 

“Oriental é tudo igual…”

Você já deve ter escutado algo do tipo: “aquela menina tem olhos puxados, mas não sei se é japonesa, coreana, chinesa… afinal, oriental é tudo igual”. Pois bem, para algumas pessoas pode ser difícil diferenciar as variadas etnias asiáticas, mas não pense que “todo oriental é igual”, porque não é. Nosso cérebro tende a estranhar características com as quais não estamos acostumados. Então alguém que não é oriental pode ter o pensamento de que todos os orientais são iguais porque não estamos familiarizados com os traços orientais, assim como os orientais também podem estranhar traços distintivos ocidentais.

 

“Mesmo sendo negra ela é linda” e “Você é linda de rosto”

O cruel padrão de beleza dita que pessoas bonitas são sempre brancas e nunca negras. Magras e nunca gordas. Dizer que uma pessoa é linda de rosto, é o mesmo que dizer “você é linda de rosto, mas seu corpo é horrível”. Da mesma forma, “você é linda mesmo sendo negra” é como “você é linda mesmo não sendo branca”. Ou seja: infelizmente o padrão de beleza ainda exclui muitas pessoas. Porém sabemos o quão errado, ultrapassado e preconceituoso é esse tal de padrão de beleza. Se uma pessoa é negra e gorda, isso significa estritamente que ela é negra e gorda, não feia. Existem inúmeras belezas, não só a magreza e a pele branca, o cabelo liso e os traços europeus.

 

“Pele boa é pele lisa”

Vamos lá: quem nunca sofreu por causa de uma espinha? Ou aquela manchinha depois que a espinha vai embora? Ter espinhas, pintas, manchas, cravos, poros e pelos faz parte do corpo humano. O que acontece é que desse corpo humano é cobrada cada vez mais a perfeição, só que a perfeição não existe! Nós somos naturalmente imperfeitos e temos a mania de querer corrigir o que é “errado”. Pele boa é aquela sem nada, cabelo bom é aquele sem ondas, corpo bom é aquele sem gorduras: não. Isso tudo faz parte de uma idealização, impossível de ser atingida. Manchas, espinhas e outros problemas dermatológicos aparecem com o tempo. Alguns vão embora, você pode querer escondê-los ou não, mas o importante é não achar isso algo anormal e que não acontece com ninguém. Pele boa é a que te protege, é a sua própria pele, essa aí, por todo o seu corpo. É só saber protegê-la para não correr riscos de saúde.

Julia Oliveira
  • Coordenadora de Estilo
  • Ilustradora

Julia Oliveira, atende por Juia, tem 22 anos e se mete em muitas coisas, mas não faz nada direito — o que tudo bem, porque ela só faz por prazer mesmo. Foi uma criança muito bem-sucedida e espera o mesmo para sua vida adulta: lançou o hit “Quem sabe” e o conto “A ursa bailarina”, grande sucesso entre familiares. Seu lema é “quanto pior, melhor”, frase que até consideraria tatuar se não tivesse dermatite atópica. Brincadeira, ela nunca faria essa tatuagem. Instagram: @ursabailarina

Isadora M.
  • Coordenadora de Ilustração
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora

Isadora Maríllia, 1992. Entre suas paixões estão: Cookie Monster, doces, histórias de espiãs (como Harriet The Spy e Veronica Mars), gatos e glitter. No entanto, detesta bombom de abacaxi e frutas cristalizadas.

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha tem 23 anos e segundo um taxista paulista não tem sotaque gaúcho. Cursou cinema e tenta se inspirar em Leslie Knope, mas sabe que sempre acaba sendo Ron Swanson ou April Ludgate. Escreve menos do que deveria e trabalha com produção audiovisual.

  • Laís

    amei! (mil vezes!) <3
    um compilado de tudo que eu sempre tento explicar para as pessoas e elas me enxergam como paranoica.

  • Murilo

    falto também: filho da puta (deixem as putas em paz! ‘filho de pai opressor’ é deveras pior); bicha/sapatão/machorra/viado/biba (sexualidade não é ofensa!)

    • Siusi Cor

      boa

    • Luh Souza

      É.

  • Caique

    Achei muito instruidor e educativo, parabéns pela matéria. Acho que se todos revisássemos o jeito que falamos e nos referimos a algumas coisas de forma depreciativa, o preconceito seria muito menos propagado. Só discordei naquela parte de não usar tal acessório ou estampa, penso que a moda se inspira em aspectos e traços das mais variadas etnias frequentemente como forma de homenagem, e não de depreciação. Mas de resto concordei com tudo, ideias muito boas :)

  • Arantxa Carolina

    vim ler já preparada pra largar qualquer expressão que eu atinda usasse, e fiquei muito feliz quando vi que já larguei todas essas que vocês citaram <3

    tão de parabéns!

  • Ketryn Alves

    Nossa, muito bom!
    Já consegui abolir praticamente todas essas expressões da minha vida. De vez em quando acabo soltando alguma coisa sem querer mas estou sempre me policiando pra evitar, porque descontruir essas coisas às vezes leva um pouco de tempo.

  • luizavilela

    Então, essa é complicada mesmo, mas pensando aqui acho que no caso de sabermos em qual cultura aquela estampa em particular foi inspirada, podemos dizer: “estampa indiana”, “estampa japonesa” e assim vai. se não soubermos, mais um motivo pra pesquisar e aprender uma coisa nova. no caso dos blogs de moda, por exemplo, esse tipo de explicação deixaria o post ainda mais legal, já que traria um pouquinho de história junto.

  • Patty Menezes

    Marco, quando se usa a expressão “tecido étinico”, refere-se, talvez, aos tecidos originários da África ou que, produzidos fora desse continente, se aproximam em muito destes, quanto aos grafismos e cores. Então, penso eu que uma alternativa que preencheria o sentido da expressão, seria usar “tecidos afro-étinico”, assim, daríamos à África, o que é dela de direito: a honra por produzir tão belas coisas! Essa talvez seja só a minha visão das coisas…ainda temos o mexicanos, os colombianos, etc, que são também fortes em matéria de tecidos, então, como proceder ? Talvez, dependendo do tipo e origem do tecido, deva-se encontrar o nome mais adequado. Fato é que “tecido étinico” é vazio de sentido, porque ser extremamente amplo e não identificar nenhuma etinia em particular!

  • Trueless

    .. a era da superexposição do que se fala e o que se pensa está caminhando para massificar/padronizar o pensamento humano. Todos tem direitos a terem suas opiniões, sejam elas boas ou ruins, só não devem – e isso desde muito antes da superexposição citada – expressá-las em detrimento da liberdade alheia.

  • Leandro Dias

    Você mesmo respondeu a sua pergunta. Chame de estampa gráfica, colorida, multicor, geométrica, megacolorida…

  • marcos

    Tao jovem, mas tao lucida..kkk brincadeira. Parabens pelo texto.

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Hannah, na realidade o termo “travesti” é um termo de identificação dentro da noção de trans*, sim. Para saber mais sobre o assunto, esse texto é muito informativo: http://identidadedegenero.com.br/qual-e-a-diferenca-entre-a-travesti-e-a-transexual/

  • Luh Souza

    “Os negros são racistas contra eles mesmos” ou “Negros são mais racistas que os brancos”
    “Vitimismo/coitadismo e mimimi” (para explicar porque é contra cotas)
    “Filho da Puta” (xingando a mulher pra xingar um homem ou outra mulher)
    “Vadia”
    “Mulheres nervosas”
    “Tá com TPM?”
    “Louca/doida”

    • Siusi Cor

      é muita raiva, ne

  • lilith

    Droga! “Je ne suis suas nêga” é sensacional. Usava muito e na boa intenção, mas agora percebi e vai ser dificil não usar :(

  • Marcos

    Ficou faltando o “isso é muito baiano” pra quando a pessoa quer indicar exagero ou excesso de elementos ou cores em algo.

  • Siusi Cor

    tbem uso palavra etnica pra estampa, e pra musica.com todo respeito

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Romulo, recomendamos que você leia esse texto aqui, que já publicamos, sobre doenças de pele: http://www.revistacapitolina.com.br/doencas-de-pele/ . De fato doenças de pele são isso: doenças, e não é só uma questão de cuidados.

  • http://www.facebook.com/munhoz.cesar César Angioluci

    Achei fantástico o texto, mas queria entender uma coisa: Digamos que nossa sociedade fosse corrigida de todos esses pontos negativos abordados no texto. Como ela seria? Não acharíamos mais ninguém bonito ou feio? De certa forma, sim. Vários termos deixariam de existir. Que visão seria a nossa quando fôssemos escolher quem namorar, por exemplo? Nos fingiríamos de cegos e olharíamos apenas para dentro? Ok, ainda assim é plausível porque o que importa é o sentimento. Porém o elogio seria pejorativo pois inferioriza tudo aquilo que se opõe a ele. É difícil pensar assim porque mesmo quando elogiamos a aparência física de alguém (nossa, como seu cabelo tá bonito hoje, que brilho!), significa que estamos elevando, reconhecendo e gostando mais daquela atual condição física e automaticamente menosprezando a aparência física anterior, e todas as pessoas que estiverem na mesma condição do cabelo anterior, como ficam? Inferiorizadas. Não tem como elogiar sem diminuir as demais qualidades, por mais que você mude o jeito de falar. Se for parar pra pensar, só se sente ofendido quem, em primeiro lugar, não se aceita. Claro que o bom senso ainda deveria prevalecer. De qualquer forma, corrigindo tudo ou não corrigindo nada, sempre haverá pontos ainda assim questionáveis, afinal até mesmo a perfeição é vista com parâmetros predefinidos de acordo com o ponto de vista de cada um. Dá para melhorar, mas o consenso absoluto é impossível porque ninguém é igual a todos.

    • anonymous

      Todos os xingamentos ou que foram postos aqui estão relacionados à racismo, machismo, homofobia ou transfobia. Ou seja, você pode elogiar alguém sem normalizar um comportamento preconceituoso. Por exemplo: você pode achar que o cabelo de alguém é feio. mas no momento que você associa esse cabelo feio com o cabelo de uma pessoa negra pq ele parece um cabelo de “palha” (principalmente se vc mesmo é branco) é errado. É errado pq essa tal pessoa já sofre com preconceito vindo de todos os lugares, sem falar em toda a história da humanidade onde uma raça (branca) prevalece sobre a outra.
      Você até pode ter seus preconceitos internalizados (por exemplo, de novo, não querer namorar uma mulher negra ((acontece bastante))) mas é errado vc achar que pode verbalizá-los, tanto para aquela pessoa quanto para qualquer uma outra

      • Daniel Steinman

        Ótimo.

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  • Cintia Portugal de Almeida

    Gostei!! Esse texto vai longe… ele pede bis!

  • T_T

    Qualquer palavra pode se tornar uma ofensa, depende da intenção e da intonação de quem a usa. Ex: chamar alguém de “magra” olhando-a os pés à cabeça, com cara de “você passa fome, não passa?” É ofensivo. Ou de gostosa, quando a pessoa tem um ar de “e essa é sua única qualidade”.

    Gorda, como característica física, não é ofensa. Superem essa, blogueiras e derivados. Se magro, alto e baixo não são ofensas, gordo também não é. É um tipo físico como outro qualquer.

    • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

      Concordamos inteiramente que “gorda” é um tipo físico e não deveríamos nos sentir ofendidas com tal palavra, porque não há nada de errado em ser gorda. Inclusive, é exatamente isso que falamos no texto:

      ” “Gorda” como xingamento

      Infelizmente o valor das mulheres é frequentemente medido pela sua beleza. Se não estamos dentro dos padrões de beleza, somos taxadas de preguiçosas e indesejadas. Então muitas pessoas se ofendem quando são chamadas de gorda. O que seria pior do que ser colocada ao lado de um grupo que é visto com tão maus olhos? Usar “gorda” como xingamento é dizer às mulheres gordas que elas deviam ter vergonha delas mesmas. Ficar ofendida com “gorda” é uma resposta a esse mundo em que a aparência está acima de tudo, e não ser vista como parte do seleto grupo que se encaixa nos padrões de beleza vigente é a pior coisa do mundo. Mas a verdade é que não deveríamos nos sentir ofendidas com tal palavra. Pessoas gordas existem aos montes, superem essa. Não tem nada de errado em ser gorda.”

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Giovana,

    o que dizemos no texto é precisamente isso: que não há nada de errado em ter cabelo crespo, e que de forma alguma é motivo de vergonha. Entretanto, pixaim é uma forma pejorativa de se referir a esse tipo de cabelo:

    “Existe uma ideia de que qualquer coisa relacionada ao corpo que desvie de um padrão eurocêntrico é considerada ruim. Isso acontece muito com os cabelos. Quem nunca ouviu falar em “cabelo ruim”? Você já reparou que cabelo ruim é sempre aquele que não é liso? Mas a verdade é que não existe cabelo ruim, cabelos são cabelos e pronto. É um ato extremamente racista dizer que mulheres negras precisam alisar os cabelos em ordem de serem consideradas bonitas e até higiênicas. Fazer isso é dizer para elas negarem as próprias origens e o próprio corpo. Quem mais se aproveita dessa ideia de cabelo ruim é a indústria dos cosméticos e da beleza, que sempre tem uma solução para problemas inexistentes. Cabelo crespo não é problema, o problema é o padrão de beleza excludente e eurocêntrico.”

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Jamile,

    recomendamos que leia nosso texto sobre apropriação cultural para ver que, quando falamos disso, não estamos dizendo que você não pode conhecer outras culturas ou aprender nada novo com elas: http://www.revistacapitolina.com.br/filtro-dos-sonhos-um-debate-e-um-tutorial/

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  • Edson

    Muito bom soh acho q tbm nao deveria ser usado a palavra “travesti” e sim transexual!

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Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.