2 de maio de 2014 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Faça seu próprio diário

Algumas pessoas podem se negar a admitir, mas no fundo no fundo todo mundo sabe que falar sozinho é normal. Às vezes montamos diálogos imaginários com uma pessoa real, pra ensaiar um apresentação de um trabalho, pra uma entrevista de emprego ou até pra resolver aquele impasse na relação com a mãe, o namorado ou um amigo. Mas às vezes também fazemos monólogos, em voz alta ou mentais, pra resolver nossos problemas com relação a nós mesmos, e isso não só é normal como saudável. Quem já fez análise percebeu que muitas vezes sentamos no divã e é quase como se estivéssemos falando pra nós mesmo ou para as paredes, e se isso de verdade não ajudasse, então nenhuma pessoa faria.

Não é só a psicanálise que nos ajuda a entender melhor a nossa própria identidade, mas ela aponta um caminho que me parece interessantíssimo: o de ouvir mais esses monólogos internos. E isso pode ser feito de diversas maneiras, às vezes até mais acessíveis ou simples, como um diário. E, que me desculpem os psicólogos e analistas, mas um diário tem muitas vantagens: você não tem um dia, hora e local fixo, logo, você pode dar ouvidos aos seus monólogos internos sempre que quiser. Um diário pode conter anexos, como fotos, desenhos, ingressos, embalagens… ele não tira férias, ele te acompanha nas suas férias, não tem nada que você tenha vergonha de contar pra ele e (na minha opinião o melhor de tudo) ele guarda tudo o que você disse pra sempre e num lugar que você pode acessar sempre que der vontade.

Sim, escrever num diário é muito gostoso, mas agora, reler um diário, isso sim é maravilhoso. Essa oportunidade de rever o que aconteceu, de rever o que se pensou, o que se disse, o que se fez e se sentiu… dias, semanas, meses, anos depois.

O tempo nos dá uma nova perspectiva. Desse novo ponto de vista, às vezes nós rimos de coisas que antes pareciam muito séria e grandes e hoje em dia parecem bobas, e então percebemos que crescemos. Mas também muitas vezes o que vemos é quase um caleidoscópio, uma maneira de agir numa situação ou um sentimento que se repete três meses depois, e dois meses depois, e seis meses depois, e um ano depois, e se prestarmos bem atenção percebemos que essa imagem se repete porque esse caleidoscópio é feito de espelhos que vão se refletindo, e a imagem original que gera esse reflexos é um pedaço de nós que mantemos conosco até hoje. Quando é um sentimento ou uma postura boa é uma delícia, e vale a pena ficar atento pra não se perder essa qualidade. E quando é ruim, por pior que seja, ainda é um pouco bom pois temos a chance de mudar.

Pensando um pouquinho em tudo isso resolvemos fazer no tutorial dessa semana um diário, pra você usar quando, como e onde quiser. E não só se ver nas coisas escritas, mas nele inteiro, porque fazendo em casa podemos deixá-lo do nosso jeito e com a nossa cara!

Materiais

1. Estilete

2. Linha de bordado, encerada ou de croché

3. Agulha (que passe a linha da espessura que você escolheu)

4. Cola branca

5. Pincel pra cola

6. Dois pedaços de madeira (ou outro material rígido)

7. Papel Paraná

8. Papel de presente, ou recorte de revista, ou desenho, ou tecido (para a capa)

9. Folhas (para o miolo mais duas para as contracapas)

10. Sargentos

11. Faca com serrinha

12. Tesoura

001_MateriaisMarcados

002_Papeis

1. Primeiro é preciso escolher o tamanho de caderno que você quer (eu escolhi fazer no tamanho A5, por ser um dos mais práticos). Você então deve pegar folhas, do tipo que você quiser, que tenham o dobro do tamanho  de caderno que você pretende fazer. Às vezes, um tamanho de folha que seja exatamente o dobro do que você quer não existe, então você deve pegar folhas maiores e cortá-las no tamanho certo.

Mas pra começo, acho mais fácil começar fazendo um A5, assim é só comprar em A4 todos os papéis maravilhosos que você achar na papelaria e dobrá-los ao meio.

003_Livretos

2. Os cadernos são compostos de pequenos livretos, cada livreto deve ter em média 6 folhas (quando se usa somente papel sulfite da espessura mais comum). Se você escolheu papéis mais finos ou mais grossos (como foi o meu caso: escolhi sulfite, canson e vegetal. Sendo o vegetal mais fino que o sulfite e o canson mais grosso, um balanceou o outro, mas fiz os livretos com 5 folhas).

004_NoSargento

3. Agora empilhe os livretos (se você tiver escolhido trabalhar com folhas de diferentes espessuras é sempre bom deixar dois livretos com as folhas mais grossas na parte externa, e deixá-los  nas extremidades da pilha). Coloque esses livretos entre as duas madeiras com o lado dobrado do papel para fora e prenda-os com os sargentos. (note na foto que eu não estava achando as mateiras e usei dois livros grossos no lugar – se você não tiver madeira pode fazer isso também, sabendo que no próximo passo vamos dar uma estragadinha nesses livros. E pra quem não tem e não quer comprar sargentos, não são tão caros e você encontra em lojas de ferragens e construção, eu já vi gente usando pregador ou uma pilha de livros. O sargento é o ideal, mas mais ideal é que vocês consigam fazer do jeito de vocês).

005_FazendoaMarquinhaA

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4. Com uma faca faça dois pequenos cortes entre o meio e as extremidades dos bloquinhos.

006_Linha

5. Agora, costurar e unir os livretos de vez.

Toda a costura precisa ser feita com um único pedaço de linha. Para isso a linha deve medir a distancia entre os furinhos que fizemos com faca vezes o tanto de livretos que o seu caderno tem, mais uma folga grande (de uns 10-15cm) no começo e no fim (folga, distancia, distancia, distancia(…), folga).

007_CosturaA

6. Passe a linha na agulha e deixe ela solta. Passe a agulha por um dos buraquinhos de fora para dentro e siga até o próximo buraquinho. Agora passe de dentro pra fora. Puxe toda a linha até ficar só um pedacinho de cerca de 10cm saindo do primeiro furinho.

008_Rabicho

7.No outro extremo da linha faça um pequeno rabicho.  Faça uma argola com a linha e dê um nó para mantê-la. Agora puxe bem a linha que está saindo do outro lado do livreto para deixá-la bem tensionada e dê um nó simples.

009_ProximoLivreto

010_Nozinho

8.Pegue outro livreto e costure igual ao anterior. Dessa vez a linha só sairá de um dos buraquinhos. Pegue o pedaço de linha que sai do buraquinho abaixo do de onde sai a linha e dê um nó entre os dois. Vá fazendo isso com cada livreto, ora a linha sairá do lado da linha normal, ora a linha fará o nó com aquele rabicho.

011_TodosJuntosCosturados

9.Agora que todos os livretos estão costurados, temos o miolo do caderno. Se sobrar muita linha pode cortar um pouco, mas deixar uns 5 cm de segurança não faz mal.

012_TacaCola

10. Pra reforçar a união do miolo vamos usar a boa, velha e gênia: cola branca.
Coloque o miolo costurado novamente no sagento e taca cola!
Não tire do sargento até a cola estar totalmente seca (se você começar a desparafusar e o miolo abrir, reparafuse e vá dar um rolê, assistir TV, ler outros posts da Capitolina, ou dormir, mas não solte(!) quando a cola estiver completamente seca a parte colada estará dura e imóvel). Quando o miolo estiver pronto podemos ir fazer a capa.

013_MedidasdaCapa

11. A capa necessita de dois pedaços de paraná mais ou menos do tamanho do miolo, deixe uma folguinha de 0,5cm em cima, em baixo e de um dos lados. O terceiro pedaço de paraná deve ter exatamente o tamanho da lombada (parte do miolo na qual tacamos cola) e pra ficar bonito um pedaço de tecido ou papel ou enfins que meça a medida dos 3 pedaços de paraná ajeitados lado a lado com uma folga de 0,5cm entre eles mais uma folga em cima, em baixo e de cada lado de mais ou menos 3 cm. Após cortar tudo certo, passe cola nos paranás e cole eles no tecido/papel como na foto. Depois dobre e cole as sobra pra dentro.

014_ColandooMioloComaContraCapa

Por fim pra colar o miolo usaremos os dois papeis especiais que deixamos separados. Dobraremos eles no meio, como os dos livretos. Um dos lados deve ser colado na parte externa do miolo e o outro na parte interna da capa, com cuidado para que fique bem rente do papel do miolo e do lado interno do paraná.

015_CadernoPronto

Assim que tiver tudo seco seu caderno diário estará pronto, aproveite!

016_FIMeOutrasOpçoes

 Obs.: Sempre vale se arriscar e tentar fazer um pouco diferente de como nossos tutoriais propõem. E se eu colar uma fitinha de cetim entre a capa de paraná e o papel especial? Daí você terá um marca páginas. E se eu colar duas? Daí você poderá fechar seu diário com um lacinho. E se eu quiser uma capa mais mole? Use outro papel. E se eu não quiser quiser cobrir o paraná? Daí é mais complicado, é melhor você fazer 4 furinhos ao invés de só dois. Pra isso é bom deixar mais sobra na linha

pois serão necessários  rabichos e, por fim, vai ter de furar o paraná em 4 pontos na mesma distância dos furinhos da lombada. E se…? Experimente e depois me conte. 😉

As fotos deste tutorial foram feitas em colaboração com a fotógrafa Amanda Amaral, quem gostou pode visitar o site dela: amandaamaral.com. E eu termino com um “Obrigada Amanda”!

Maísa Amarelo
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Ilustradora

21 anos, cursando o primeiro de design. Pras coisas que não gosta de fazer, inventa um monte de regras. Já as que gosta - como cozinhar - faz sem regra nenhuma. É muito ruim com palavras, ainda assim resolveu escrever sobre suas receitas que, em geral, não tem medida alguma.

  • Pingback: amigo()

  • Janaína

    Ameeeeeeeeei!!!
    Muito obrigada por compartilhar esse tutorial!
    Fiz uma versão pequena de teste e gostei muito! Ficou muito bonitinho!
    =D =D Deus abençoe

    • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

      Que ótimo! Manda foto pra gente, vamos adorar ver o que você fez! <3

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Ficou uma graça! <3

  • Pingback: A arte mais íntima: diário visual - Capitolina()

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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