29 de dezembro de 2014 | Cinema & TV, Culinária & FVM | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
Faça Seu Próprio Filme #3 Decupagem e Direção de Fotografia

Continuando nossa sessão Faça Seu Próprio Filme, hoje eu vou falar de dois processos muito, muito, muito importantes para a construção do seu filme: decupagem e direção de fotografia. (Vou falar aqui de forma leve, para produções caseiras. Em caso de grandes produções, obviamente, as coisas ficam um pouco mais complicadas e a preocupação com os detalhes se multiplica.)

Para se fazer um filme é necessário muita organização nos planejamentos e o processo de decupagem ou roteiro técnico é muito importante para essa parte de colocar suas ideias sobre um determinado filme em ordem. É nessa hora que você começa a dividir as cenas em planos e pensar na composição desses planos e na ligação entre eles. Em outras palavras, é agora que vai transformar o roteiro em imagens, mas sem o uso da filmadora, ainda.

A decupagem pode te ajudar a ganhar mais tempo de projeto, já que com o filme todo planejado e sabendo previamente quais planos serão usados, a edição é feita com muito mais rapidez.

Sabendo que cada plano tem a intenção de contar uma história – a pessoa responsável pela decupagem normalmente é a própria diretora -, cria-se a forma que o público assistirá ao filme.  Qual o enquadramento? Quantos planos em uma cena? Quando serão os cortes de um plano para o outro? A narrativa terá como ponto de vista a perspectiva de qual personagem? A câmera fica parada ou é uma filmagem dinâmica? Qual será o ritmo da narrativa? Estes são alguns questionamentos que devem ser feitos na hora de começar a o seu roteiro técnico ou decupagem.

Existe um vocabulário próprio do audiovisual para construir a sua decupagem. Nesse site aqui você pode encontrar os termos utilizados nos roteiros técnicos. Como eu sou muito legal, separei os mais importantes e básicos:

ÂNGULO ALTO – Enquadramento da imagem com a câmara focalizando a pessoa ou o objeto de cima para baixo.

ÂNGULO BAIXO – Enquadramento da imagem com a câmara focalizando a pessoa ou o objeto de baixo para cima.

ÂNGULO PLANO – Ângulo que apresenta as pessoas ou objetos filmados num plano horizontal em relação à posição da câmara.

“CLOSE-UP” – Plano que enfatiza um detalhe. Primeiro plano ou plano de pormenor. Tomando a figura humana como base, este plano enquadra apenas os ombros e a cabeça de um ator, tornando bastante nítidas suas expressões faciais.

CONTRACAMPO – Tomada efetuada com a câmara na direção oposta à posição da tomada anterior

“DOLLY BACK” – Câmara se afasta do objeto. Travelling ou grua de afastamento.

“DOLLY IN” – Câmara se aproxima do objeto. Travelling ou grua de aproximação.

“DOLLY OUT” – Câmara recua, abandona a cena.

“DOLLY SHOT” – Movimento de câmara que se caracteriza por se aproximar e se afastar do objetivo, e também por movimentos verticais.

ELIPSE – Passagem muito rápida de tempo.

“INSERT” – Imagem breve, rápida e quase sempre inesperada que lembra momentaneamente o passado ou antecipa algum acontecimento. Os inserts podem ser variados ou repetidos, estes servindo, às vezes, de plot, o núcleo dramático ou algo que o simbolize.

“LONG SHOT” – “Full shot”, plano geral; plano que inclui todo o cenário. É usado para mostrar um grande ambiente.

PANORÂMICA – (pan) Câmara que se move de um lado para outro, dando uma visão geral do ambiente, mostrando-o ou sondando-o.

PLANO AMERICANO – Plano que enquadra a figura humana da altura dos joelhos para cima.

PLANO DE CONJUNTO – Plano um pouco mais fechado do que o plano geral.

PLANO DE DETALHE – Mostra apenas um detalhe, como, por exemplo, os olhos

do ator, dominando praticamente todo o quadro.

PLANO GERAL – Plano que mostra uma área de ação relativamente ampla.

PLANO MÉDIO – Plano que mostra uma pessoa enquadrada da cintura para cima.

PLANO PRÓXIMO – Enquadramento da figura humana da metade do tórax para

cima.

“QUICK MOTION” – Câmara rápida. Movimento acelerado.

“SLOW MOTION” – Câmara lenta. Movimento retardado.

***

Numa grande produção, a direção de fotografia é encarregada de transpor o roteiro técnico e a ideia do filme, em forma de fotografia, cuidando da parte estética, trabalhando com elementos técnicos, como o equipamento usado, o tipo de filtro, lentes, iluminação e entre outros.

O diretor de fotografia deve ser uma pessoa observadora, que fará uma observação poética da imagem. Existe toda uma compreensão da imagem que será filmada, como você deseja captar este objeto, como você o interpreta.

Sendo esta uma área mais subjetiva, que depende muito do pessoal, existem algumas dicas básicas que podem ajudar na hora dessa transposição do roteiro para a imagem.

O enquadramento pode ser o menos óbvio, ao invés de centralizar o objeto/pessoa que será filmado, posicione-o à esquerda ou à direita do quadro, assim você dá mais ênfase aos movimentos e evidencia o segundo plano. Alguns aparelhos celulares possuem esta opção de guias, linhas que ficam na tela e ajudam na hora de posicionar a câmera para filmar.

Outra dica legal é sempre filmar na horizontal, o vídeo fica mais fácil de ser editado, além de ser mais agradável de se assistir, porque nossa visão funciona neste sentido. Filmando na vertical, o vídeo fica com faixas pretas nas laterais e com ângulos diferentes.
É importante saber que, se você começou com o vídeo em um sentido, mantenha-o.

Aproveite a luz do dia para filmar. O sol é sempre seu melhor amigo nessas horas, só cuidado para não estourar a imagem e ficar muito claro.
Uma coisa que pouca gente se liga é que se você for filmar com câmeras amadoras ou aparelhos celulares, o tempo nublado é um ótimo aliado. Com o céu um pouco mais fechado, as nuvens formam meio que um filtro natural e as cores do vídeo ficam mais próximas do real.

Para filmagens internas, é legal abusar do jogo com sombras. Você pode criar focos de luz com luminárias e dar um ar mais dramático ao seu filme.
Escolha cores para o seu filme. Ele pode ter mais tons de vermelho e verde, ou tons de rosa e azul… isso fica ao seu gosto e criatividade.

Alguns filmes legais para se ligar mais na decupagem e na fotografia:

–        O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, 2001, Jean-Pierre Jeunet)

–        O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King, 2003, Peter Jackson)

–        127 Horas (127 Hours,2010, Danny Boyle)

–        O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, 2006, Gullermo del Toro)

–        O Escafandro e a Borboleta (Le scaphandre et le papillon, 2007, Julian Schnabel)

Ana Gabriela
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Audiovisual

Ana nasceu na Bahia em 1992. Ainda não descobriu o que vai ser quando crescer, mas aprendeu que isso não é motivo pra preocupação. Quanto mais tempo se descobrindo melhor. Gosta de ler a internet, escrever listas sobre tudo, de gatinhos e da sua cama.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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