30 de março de 2015 | Cinema & TV | Texto: and | Ilustração: Isadora Carangi
Faça Seu Próprio Filme #6 O cinema no Brasil

Depois de seis meses e muito cinema chegamos à sexta e última parte da nossa coluna especial Faça Seu Próprio Filme. Antes de saber o que vocês podem fazer com o filme pronto, que tal dar uma olhada nos posts anteriores? E pra quem não acompanhou ou perdeu algum post, essa também é a hora de ler eles.

Faça Seu Próprio Filme #1 Introdução – Natasha Ferla

Faça Seu Próprio Filme #2 – Natasha Ferla

Faça Seu Próprio Filme #3 Decupagem e Direção de Fotografia – Ana Gabriela

Faça Seu Próprio Filme #4 Direção de Som e Direção de Arte – Isadora Maldonado

Faça Seu Próprio Filme #5: Pós-Produção – Dani Feno

O Cinema no Brasil

Subsídios

Boa parte da produção cinematográfica no Brasil depende de subsídios públicos. Isso significa que por iniciativas federais, estaduais ou municipais projetos são escolhidos por meio de editais. Aí então, com esse dinheiro é possível gravar os filmes.

Em linhas gerais significa:

– Um órgão público ou instituição lança um edital;

– As produtoras leem esses editais e veem se têm projetos que se encaixam no que eles estão pedindo (existem editais só para filmes documentais, só para curtas, editais somente para pessoas que moram em determinados lugares ou editais onde os filmes tratam de determinado assunto e, é claro, ver se a verba disponível for suficiente para fazer a produção);

– As produtoras que acreditam que seus projetos se encaixam no que o edital solicita se inscrevem e mandam todos os documentos e vídeos necessários;

– A seleção oficial sai e a produtora recebe o dinheiro;

– A produtora produz o filme.

Como forma de controle e uma maneira de receber algo em troca, as produtoras precisam prestar contas dos gastos relativos aos filmes – e elas precisam ser bem organizadas. Em outros casos, distribuir cópias dos filmes em escolas ou organizar exibições. É uma troca que existe e é importante.

Sistema de Cota de Tela

Para incentivar a exibição de filmes nacionais a Ancine (órgão federal que regulamenta o cinema no Brasil) estabeleceu o Sistema de Cota de Tela. É uma lei que obriga os cinemas a exibirem filmes nacionais por um tempo mínimo de dias sendo eles divididos por no mínimo três títulos diferentes. Essa foi uma medida adotada para que possa haver o acesso dos filmes nacionais às salas de cinema no país, já que cada cinema tem a livre escolha de passar os filmes que quiser e sendo um comércio como qualquer outro, muitos dão a preferência a filmes que certamente renderão maior bilheteria. Essa medida de cota de tela não é exclusiva do Brasil, diversos outros países tomaram atitudes semelhantes para proteger suas produções nacionais.

CPB, CRT e Classificação Indicativa

O CPB (Certificado de Produto Brasileiro) é um cadastro que grande parte dos filmes fazem, e é uma maneira também da Ancine ter registro das produções que são feitas no país. Tal cadastro não é obrigatório, mas com ele é possível que o filme passe na televisão ou nos cinemas e seja possível solicitar a Classificação Indicativa. CRT (Certificado de Registro de Título) é o documento que autoriza o filme a passar nos canais de televisão ou nos cinemas e ele é emitido mediante ao pagamento de uma taxa. Essa taxa é menor para filmes nacionais comparado ao que produções estrangeiras pagam. A Classificação Indicativa é tirada junto ao Ministério Público, segundo uma tabela atribuída aos filmes e produções.

Campeões de Bilheterias

Antes de 1970 não existia, no Brasil, uma contagem oficial do número de pessoas que iam ver os filmes nos cinemas. Então, as tabelas de maiores bilheterias têm mais ou menos 70 anos de produções que não são citadas e infelizmente nunca poderemos saber ao certo o sucesso em termos de público de certos filmes.

1) Troca de Elite 2 (2010) – Dir. José Padilha

2) Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) – Dir. Bruno Barreto

3) A Dama da Lotação (1978) – Dir. Neville de Almeida

4) Se Eu Fosse Você 2 (2009) – Dir. Daniel Filho

5) O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977) – Dir. J.B. Tanko

6) Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) – Dir. Hector Babenco

7) Dois Filhos de Francisco (2005) – Dir. Breno Silva

8) Os Saltimbancos Trapalhões (1981) – Dir. J.B. Tanko

9) Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1978) – Dir. Adriano Stuart

10) Os Trapalhões na Serra Pelada (1982) – J.B. Tanko

O que fazer com seu filme

– Organizar uma exibição independente: com o seu filme pronto, você pode reservar um auditório (o da sua escola, por exemplo), convidar a equipe, o elenco, seus amigos e familiares. Essa provavelmente será uma exibição pequena, mas é um ambiente muito bom para você perceber a reação das pessoas ao seu trabalho, receber críticas e sugestões. Se você conhece mais gente que também se aventurou a fazer o próprio filme, é uma boa ideia se juntar e fazer uma mostra. Assim, o público de vocês aumenta e vocês ainda podem trocar experiências;

– Buscar um cineclube: em muitas cidades, o movimento cineclubista vem crescendo. E o que é isso? São pessoas que se juntam regularmente, realizando mostras de trabalhos próprios ou passando filmes consagrados e, muitas vezes, fazendo uma discussão sobre eles depois. Você pode tentar descobrir se existe algum perto de você (no seu bairro, escola ou faculdade, por exemplo) e apresentar o seu trabalho, propondo que ele seja colocado em alguma das exibições;

– Colocar na internet: não é só de vídeos de gatinhos vive a internet. É possível achar muitos filmes de qualidade no Youtube ou no Vimeo. Você também pode colocar o seu lá, basta se cadastrar e depois divulgar o link nas suas redes sociais. Existe também uma plataforma chamada Porta Curtas, que é um grande banco de dados de curtas-metragens produzidos no Brasil. Você pode clicar na aba “Envie seu curta” e preencher os dados requisitados. Nesse caso, uma equipe de curadoria precisa avaliar e aprovar o seu filme, antes de colocá-lo no ar.

– Inscrever em festivais: você pode tentar voos mais altos com o seu filme, inscrevendo-o em festivais de cinema. Para saber quais estão aceitando inscrições, é bom ficar de olho sempre nas notícias do site da Ancine  e do Ministério da Cultura. Lembre-se também que existem festivais com focos mais específicos, como o FBCU, que é voltado para o cinema universitário e o Femina, que visa valorizar as realizadoras mulheres e o protagonismo feminino.

Esperamos que vocês tenham gostado e acompanhado nosso especial! Assim como escrevemos e acreditamos no poder das palavras, acreditamos também no poder das imagens e quisemos de maneira rápida indicar um meio onde histórias possam ser contadas, pois sabemos que representatividade importa!

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

Bárbara Camirim
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Camirim tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e acabou de se formar em Comunicação Social. Está aos poucos descobrindo o que quer fazer da vida. Gosta de cinema, séries, literatura e, na verdade, qualquer coisa que envolva ficção.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos