27 de abril de 2016 | Edição #25 | Texto: | Ilustração: Isabela Zakimi-Innocentini
Faça um pedido – e pode nos contar se quiser
falardossonhoskiki

Faça um pedido.

Eu via o bolo, as velas apagadas, minha família do outro lado da mesa olhando com aquela carinha fofa de expectativa e alegria. Me davam a faca. Diziam que cortar de baixo pra cima é melhor. Faça um pedido e ele se realiza. E o primeiro pedaço vai pra quem?

O que a gente faz com esses pedidos que acumulamos nos aniversários? Foram alguns tantos aniversários fazendo pedidos (depois dos 15 anos isso acabou) e nenhuma vez na vida procurei entender o que aconteceu com eles. E quando assoprava um dente-de-leão, ou via uma estrela cadente (foi uma vez só), ou fazia aquela coisa com um cílio perdido (pra quem não sabe o que é, quando achamos um cílio caído algumas pessoas gostam de colocá-lo entre dois indicadores – o seu e o da pessoa que estiver com você –, fazer um pedido e, quando separarem os dedos, a pessoa com quem ficou o cílio é quem terá o desejo realizado). Algumas foram vontades efêmeras, outras foram sonhos e desejos profundos. Já me disseram que não devemos contar nossos pedidos nesses momentos. É daquelas coisas que a gente faz sem questionar. Então, guardamos – ou não.

Esses pedidos e sonhos que ficam em nós nesse pacto invisível podem ter muito o que dizer sobre a gente. Às vezes não queremos nos revelar demais por falta de confiança no outro, por vergonha ou por acreditar que alguns acontecimentos devem ser nossos, não devem ser nomeados. Uma vez dito, uma vez palavra, temos que lidar com explicações, reações, perguntas. Sempre há consequências.

Algumas pessoas acham que contar o sonho faz com que ele não se realize. Pode atrair energias ruins ou não gostam de criar altas expectativas para não se frustrar depois, caso as coisas não saiam bem como o esperado. Ou é superstição? Bem, sou daquelas pessoas que não conseguem guardar surpresas – acho que sou muito empolgada com novidades para me conter.

Pensando nisso, vejo que entendo tanto quem esconde quanto quem fala. Não devemos entrar em uma dualidade em que existe um jeito certo até de como lidamos com nossos desejos! Você pode não se sentir à vontade em se ter exposta dessa forma e tudo bem com isso. Mas faço uma provocação: pense que contar um sonho não é comprometer sua realização, e sim aumentar as chances de que ele aconteça. Contar pode ser sim compartilhar e criar vínculos, criar com a outra pessoa caminhos a seguir par que esse sonho seja menos sonho e mais vida.

Yasmin Lopes
  • Colaboradora de Saúde

Yasmin, 22 anos. Nasceu e vive em São Paulo, porém sonha com o mar. Gosta de músicas tristes e tem medo de pessoas efusivas e felizes demais. Quando não está com fome, está com sono, mas pode esquecer dos dois se está com uma câmera na mão. Se espreguiça a cada meia hora, tem um humor bobinho e sorri muito fácil. Leva a gentileza muito a sério, sim. Apesar disso, não perde uma briga quando necessário. Passa mais da metade de seu dia imersa no que estuda, Terapia Ocupacional, e acha isso maravilhoso. Não moraria em uma casa sem plantas, faz dancinhas ridículas no quarto e mantém um caderno quase-secreto de colagens e textos.

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Eu quero ter um gatinho

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