15 de novembro de 2015 | Fala Mais, Quadrinhos | Texto: | Ilustração: Laura Athayde
Fala mais sobre… a reorganização ou fechamento de escolas?

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Antes de começar a conversa toda, tenho que explicar uma palavrinha que aprendi há uns anos e nunca mais esqueci: eufemismo. Segue a descrição no dicionário: palavra, locução ou acepção mais agradável, de que se lança mão para suavizar ou minimizar o peso conotador de outra palavra, locução ou acepção menos agradável, mais grosseira ou mesmo tabuística. Ou seja, eufemismo é aquela parada que a mídia gosta de usar bastante para suavizar manobras dos governantes. Manobras que na maioria das vezes vão acabar atingindo as classes mais baixas. No caso dos fechamentos das escolas, o governador picolé-de-chuchu Geraldo Alckmin aplica o eufemismo chamando de reorganização o fechamento de dezenas de escolas. O Estado alega que os prédios serão resignados para o Centro Paula Souza, para as Escolas Técnicas Estadais (ETECs) e para virar espécies de secretárias escolares. O objetivo é dividir as escolas públicas do estado por ciclos. Assim, cada escola ofereceria apenas um dos três ciclos de ensino básico, que seriam divididos entre anos iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino fundamental e ensino médio.

A grande discussão em torno disso é o remanejamento de milhares de alunos para quilômetros de distância, e mais o direito da autonomia estudantil. Boa parte desses alunos que são remanejados para escolas “próximas” não estão satisfeitos, por exemplo, com as condições de ensino. É muito engraçado, para não dizer deprimente, ver todo o posicionamento dos agentes do Estado e do próprio picolé-de-chuchu. Ele sempre usa a palavra reorganização como algo muito democrático, como se tivesse consultado a população, no caso alunos, professores e pais, sobre tirarem o espaço deles. Esse fechamento das escolas traz à tona outros problemas como, por exemplo, locomoção, acesso à cidade e especulação imobiliária. Como esses estudantes vão se locomover até suas novas escolas? Quão mais cedo terão que se preparar para ter acesso a esses novos lugares? Por que não consultar a população sobre esse remanejamento? E por que não encontrar outros prédios para as ETECs? Com o fechamento definitivo, algumas escolas receberão os alunos remanejados. Por exemplo: uma sala com 42 alunos pode chegar a receber o dobro, como é o caso da Fernão Dias, umas das escolas que vai receber esses alunos.

Hoje a aula é na rua.

E tem sido, viu, meninas. Já rolaram pelo menos 30 atos espalhados pela cidade de São Paulo, os secundaristas têm feitos assembleias horizontais (sem nenhum tipo de liderança), saraus, shows, entre vários tipos de mobilizações, fora as duas ocupações que aconteceram esta semana, nas quais os alunos estão se autogerindo. Os secundaristas mobilizados mostram e provam o quanto as coisas precisam e devem ser de baixo para cima e não de cima para baixo.

Páginas de referência:O mal educado”, “G.A.S – Grupo Autônomo Secundaristas” e “Não fechem minha escola”

Andreza Delgado
  • Colaboradora de Escola, Vestibular e Profissão

Andreza Delgado, 19 anos, leonina e baiana da terra do cacau, é estudante de Letras mas não tão assim, gosta de astrologia porque acha que resume metade dos problemas dela com as pessoas, é militante do movimento negro, apaixonada por colocar ketchup em tudo que é comida , fala mais que os cotovelos e acha que vai mudar o mundo.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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